quarta-feira, 28 de setembro de 2016

ARAUTO DO GRANDE REI

BOLETIM INFORMATIVO DE SETEMBRO DE 2016


Exaltação da Santa Cruz


A Festa da Exaltação da Santa Cruz está ligada a Santa Helena, mãe do imperador Constantino, que construiu igrejas. Ela era muito religiosa e fez o possível para conservar os locais onde Jesus viveu seu ministério, principalmente o Gólgota e Santo Sepulcro, locais santos até hoje de muita veneração e importância para o mundo cristão católico.
No local onde Jesus foi crucificado se construiu a igreja do Santo Sepulcro, templo dedicado em 13 de setembro de 335. A festa para o povo aconteceu no dia seguinte e entrou no calendário romano-cristão.
A Festa da Exaltação da Santa Cruz é também para recordar, festejar, louvar a Deus porque a Cruz não é mais um símbolo de condenação; com Cristo a cruz virou símbolo de amor, do Amor de Deus Sem Jesus Cristo. Bendita Cruz que trouxe a salvação para a humanidade. A Igreja já venera a Cruz do Senhor num outro dia, a Sexta-feira da Paixão.
Assim como Jesus, Quem se animaria em morrer por um justo? E por um pecador?
Talvez por um justo alguém toparia morrer, mas por um pecador? Ah, não! E por vários pecadores? Menos ainda, talvez seria a resposta. No entanto, Jesus Cristo morreu na cruz por justos e injustos. Portanto a Festa da Exaltação da Santa Cruz só tem sentido se comemorada para exaltar o Amor de Deus. A cruz não é mais desgraça, é bênção, é para recordar o sacrifício, o amor extremo de Deus pela humanidade, por toda a criação.
A Cruz de Cristo não é apenas um símbolo, trata-se de uma história, de uma vida, de um longo percurso feito por Jesus e pelos santos.
Quantas obras caritativas, quanta gente que encontrou sentido na vida por meio da fé. Quanto avanço na ciência e na medicina que a Igreja pôde contribuir?
Enfim, a Exaltação da Santa Cruz, ao recordar a história de vida do Salvador, Jesus, dos seus seguidores, quer lembrar também de uma contribuição fundamental que gerou vida para a humanidade, inclusive na constituição e organização de grupos, municípios, estados e até países. A Cruz de Jesus nos lembra o Amor de Deus por todos nós. Que Ela nos inspire bons propósitos e respeito ao próximo. Que a Cruz nos faça colocar em prática o amor!
                                                       Por: Padre Márcio José do Prado 


A impressão das Chagas

Frei Atílio Abat


Ao falar da paixão e morte do Senhor Jesus, por nos ter dado sua própria vida, São Francisco de Assis chegava às lágrimas. Daí sua exclamação de júbilo: “Que felicidade ter um tal irmão” (2CFi 56)!
Em 1224, no Monte Alveme, Francisco recebe os estigmas da paixão do Senhor, provavelmente, no dia de São Miguel Arcanjo, 29 de setembro.
A impressão das chagas, em seu corpo, não foi senão a coroação de toda uma vida. Desde o início de sua conversão, ele se deslumbrava ao contemplar o Cristo de São Damião, tão humano, tão despojado, tão pobre e crucificado. Por isso, este Cristo ocupa o lugar central de toda sua vida: “Não quero gloriar-me a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo” (Gal 6,14).
Foi ante este Cristo, que compungido rezou: “Iluminai as trevas de meu espírito, concedei-me uma fé íntegra, uma esperança firme e um amor perfeito” (OrCr). E continua: “Nele está todo perdão, toda graça e toda glória, de todos os penitentes e justos” (RegNB 30).
A cruz, fonte de vida
Assim compreende-se porque na alma deste servo de Deus as chagas já estavam impressas desde o início de seu projeto de vida.
Francisco teve a sensibilidade de descobrir a face do Cristo Sofredor nos conflitos sociais, nos leprosos e nos marginalizados. Vê no Cristo Crucificado o servo perfeito, que aceita viver, sofrer e morrer para nos salvar.
Francisco passou por momentos de crise, mas não perdeu a chama da esperança e da confiança. Apesar das provações, sentiu-se cativado pelo Cristo. Ele sabia que o caminho para a glória passa pelo sofrimento. Sua opção de vida foi pelo caminho da renúncia, da doação e da cruz. Todavia, assumiu sua missão até as últimas conseqüências, porque o caminho da cruz é fonte de vida.
Francisco captou o profundo sentido da cruz e, por isso, sentiu-se envolvido pelo amor do Mestre que salva, que liberta e que impulsiona para a Ressurreição.
Francisco e o Cristo
Francisco vivia fascinado pelo Cristo, que veio para realizar a vontade do Pai e se fez obediente até morte, e morte de cruz. Aqui está a explicação por que Francisco usava o Tau. Este lhe lembrava a cruz, sinal de salvação, símbolo da vitória sobre o mal. Mais, a cruz torna-se símbolo e sinal da bondade e da misericórdia divinas.
Francisco ora ao Pai, pedindo provar no seu corpo as dores do Senhor Jesus e sentir tão grande amor pelo Crucificado como Ele sentiu por nós. As chagas em seu corpo não são senão a aprovação divina e a resposta ao seu ardente desejo de sentir em sua carne os sofrimentos do Crucificado. E de fato aconteceu. Francisco, assim, é açoitado cruelmente pelo sofrimento.
A recompensa do Pai
No Cristo crucificado, Francisco encontra toda vitalidade que lhe abrasava o coração, a ponto de transformar- se no Cristo estigmatizado. O Cristo pobre e sofredor, estava em seu projeto de vida. Seria Ele como uma auto-estrada a conduzi-lo, mais e mais, a uma profunda união com Deus, a ponto de, exteriormente, pelas cinco chagas, gravadas em seu corpo, assemelhar-se ao Cristo crucificado.
Sabemos, outrossim, que na alma deste santo, as chagas do Senhor já estavam impressas. E como Cristo foi recompensado pelo Pai, ressuscitando-o e vencendo a morte, Francisco, no Monte Alverne, também recompensado por Deus, em seu corpo, pela impressão dos estigmas de seu Filho Jesus Cristo. Isto é fruto de sua vida de fidelidade e de seguimento irrestrito ao Senhor.
Esta transformação interior e exterior, identlficando-se ao Cristo, fazia-o exclamar: “Pois para mim, o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Fil 1,21).
Fazer a vontade de Pai
Em todas as situações, consoladoras ou dolorosas, Francisco procurava fazer a vontade do Pai: “Concede-nos que façamos aquilo que sabemos ser de tua vontade e queiramos aquilo que te agrada. E assim purificados e, interiormente abrasados pelo fogo do Espírito Santo, sermos capazes de seguir os passos de teu Filho Jesus Cristo e chegar a ti, ó Altíssimo” (COrd 50-52).
Gostaríamos de lembrar que, desde a Porciúncula, igrejinha de Nossa Senhora dos Anjos, berço da Ordem Franciscana, local de início de sua conversão concluída no Monte Alverne, Francisco fez uma caminhada lenta e progressiva, até sua total configuração com o Crucificado.
Para reflexão
01. Como justificar os estigmas de Francisco?
02. Os sofrimentos ligam-nos aos sofrimentos, à Cruz do Cristo. Como então aceitar a nossa cruz e os nossos sofrimentos?
03. Diante do Cristo crucificado, Francisco chegava às lágrimas. Que mensagem o Cristo da Cruz lhe deLva?
Texto para meditação (CFI5)
“E agora, anuncio-vos uma grande alegria e um milagre extraordinário. Não se ouviu no mundo falar de tal portento, exceto quanto ao Filho de Deus, que é o Cristo Senhor. Algum tempo antes de sua morte, nosso irmão e pai apareceu crucificado, trazendo gravadas em seu corpo as cinco chagas, que são verdadeiramente os estigmas de Cristo. Suas mãos e seus pés estavam traspassados, apresentando uma ferida como de prego, em ambos os lados, e havia cicatrizes da cor escura dos pregos. O seu lado parecia traspassado por uma lança e muitas vezes saíam gotas de sangue”.

Do livro, “Francisco, um Encanto de Vida”,
de Frei Atílio Abati, ofm, editora Vozes, 2002.
  

Não adianta falar de paz 
se o coração está em guerra


Cidade do Vaticano (RV) - Pedir a Deus a “sabedoria” para promover a paz nas coisas quotidianas porque é a partir dos pequenos gestos que nasce a possibilidade da paz em escala global.
Com este pensamento, o Papa retomou as homilias na Casa Santa Marta nesta quinta-feira (08/09), após a pausa de verão.
A paz não se constrói por meio de grandes consensos internacionais. A paz é um dom de Deus que nasce em lugares pequenos. Em um coração, por exemplo.
Ou em um sonho, como acontece a José, quando um anjo lhe diz que não deve ter medo de se casar com Maria, porque ela doará ao mundo o Emanuel, o “Deus conosco”. E o Deus conosco, diz o Papa, “é a paz”.
Trabalho contínuo
Deste ponto parte a reflexão, de uma liturgia que pronuncia a palavra “paz” desde a primeira oração.
O que atrai a atenção de Francisco em particular é o verbo que se ressalta na oração da coleta, “que todos nós possamos crescer na unidade e na paz”.
“Crescer” porque, destaca, a paz é um dom “que tem seu caminho de vida” e, portanto, cada um deve “trabalhar” para que este se desenvolva:
“E esta estrada de santos e pecadores nos diz que também nós devemos pegar este dom da paz e abrir-lhe caminho em nossa vida, fazê-lo entrar em nós, fazê-lo entrar no mundo. A paz não se constrói da noite para o dia; a paz é um dom, mas um dom que deve ser tomado e trabalhado todos os dias. Para isto, podemos dizer que a paz é um dom artesanal nas mãos dos homens. Somos nós, homens, todos os dias, que devemos dar um passo para a paz: é o nosso trabalho. É o nosso trabalho com o dom recebido: promover a paz”.
Guerra nos corações, guerra no mundo
Mas como é possível atingir esta meta, se questiona o Papa. Na liturgia do dia, explica, há uma outra palavra que fala de “pequenez”.
Aquela da Virgem, da qual se festeja a Natividade, e também aquela de Belém, tão “pequena que tampouco consta nos mapas”, ressalta Francisco:
“A paz é um dom, é um dom artesanal que devemos trabalhar, todos os dias, mas trabalhá-lo nas pequenas coisas: nas pequenezes cotidianas. Não são suficientes os grandes manifestos pela paz, os grandes encontros internacionais se depois não se realiza esta paz no pequeno. Aliás, tu podes falar da paz com palavras esplendidas, fazer uma grande conferência... Mas se no teu pequeno, no teu coração não há paz, na tua família não há paz, no teu bairro não há paz, no teu trabalho não há paz, não haverá tampouco no mundo”.
Questionar-se
É preciso pedir a Deus, sugere o Papa, a graça da “sabedoria de promover a paz nas pequenas coisas quotidianas todavia mirando ao horizonte de toda a humanidade”.
Justamente hoje – repete Francisco – quando “vivemos uma guerra e todos pedem a paz”. No entanto, conclui o Pontífice, será bom questionar-se:
“Como está teu coração hoje? Está em paz? Se não está em paz, antes de falar de paz, coloca teu coração em paz. Como está a tua família hoje? Está em paz? Se não és capaz de levar adiante a tua família, o teu presbitério, a tua congregação, levá-la adiante em paz, não bastam palavras de paz para o mundo... Esta é a pergunta que hoje gostaria de fazer: como está o coração de cada um de nós? Está em paz? Como está a família de cada um de nós? Está em paz? É assim, não? Para chegar a um mundo em paz”. 


P – Nº. 0553/16
Mensagem à Igreja Católica no Brasil

ANO NACIONAL MARIANO

Na imagem de Nossa Senhora Aparecida “há algo de perene para se aprender”.
“Deus ofereceu ao Brasil a sua própria Mãe”
(Papa Francisco)
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, em comemoração aos 300 anos do encontro da Imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, nas águas do rio Paraíba do Sul, instituiu o Ano Nacional Mariano, a iniciar-se aos 12 de outubro de 2016, concluindo-se aos 11 de outubro de 2017, para celebrar, fazer memória e agradecer.
Como no episódio da pesca milagrosa narrada pelos Evangelhos, também os nossos pescadores passaram pela experiência do insucesso. Mas, também eles, perseverando em seu trabalho, receberam um dom muito maior do que poderiam esperar: “Deus ofereceu ao Brasil a sua própria Mãe”. Tendo acolhido o sinal que Deus lhes tinha dado, os pescadores tornam-se missionários, partilhando com os vizinhos a graça recebida. Trata-se de uma lição sobre a missão da Igreja no mundo: “O resultado do trabalho pastoral não se assenta na riqueza dos recursos, mas na criatividade do amor” (Papa Francisco).
A celebração dos 300 anos é uma grande ação de graças. Todas as dioceses do Brasil, desde 2014, se preparam, recebendo a visita da imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida, que percorre cidades e periferias, lembrando aos pobres e abandonados que eles são os prediletos do coração misericordioso de Deus.
O Ano Mariano vai, certamente, fazer crescer ainda mais o fervor desta devoção e da alegria em fazer tudo o que Ele disser (cf. Jo 2,5).
Todas as famílias e comunidades são convidadas a participar intensamente desse Ano Mariano.
 A companhia e a proteção maternal de Nossa Senhora Aparecida nos ajude a progredir como discípulas e discípulos, missionárias e missionários de Cristo!

Brasília-DF, 1º de agosto de 2016

                     
    Dom Sergio da Rocha                                 Dom Murilo S. R. Krieger
Arcebispo de Brasília-DF                             Arcebispo de S. Salvador da Bahia-BA
Presidente da CNBB                                            Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília-DF
Secretário-Geral da CNBB

                                                                                      
             
        

terça-feira, 6 de setembro de 2016

FOLDER DISTRIBUÍDO NA MISSA DAS 16:15 HORAS DO DIA 03 DE SETEMBRO DE 2016 NA IGREJA DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS


FRATERNIDADE FRANCISCANA SECULAR DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS DE PETRÓPOLIS

RUA FREI LUIZ,26
CEP 25685-020 PETRÓPOLIS – RJ
Blog: ofssagradopetropolis.blogspot.com
E-MAIL: ofssagradopetropolis@gmail.com
TEL: (24) 2242-7984

Reunião mensal: 3° domingo às 14:00 horas – com a Missa aberta a todos às 16:00 horas
Expediente da Secretaria: 3ª e 5ª feiras das       14:00 às 17:00 horas.
Missa no 1° sábado de cada mês às 16:15

 horas na Igreja do Sagrado Coração de Jesus


INFORMATIVO
Ano VIII SETEMBRO DE 2016 -  Nº  03

SANTA CLARA DE ASSIS


                                                                 Frei Hugo D. Baggio,OFM


A VITÓRIA DE INÊS  – (continuação )

O furor de Monaldo tocou os extremos. Desta vez não se deixaria burlar. Escolheu doze homens de armas, que se distinguiam pela violência e ferocidade, e com eles marchou para o convento que abrigava as duas irmãs, disposto a trazer Inês ainda que morta.
Ao chamado do tio, apresentou-se Inês à porta do mosteiro e foi recebida com insultos e amea­ças. Inês toda trémula agarrou-se à irmã, supli­cando:
— Não consintas que me separem de ti.
—  Nada temas, o Senhor estará ao nosso lado.
Mas Monaldo não estava para palavras. Lan­çou-se sobre Inês e arrastou-a à força. Logo vie­ram-lhe em auxílio os cavaleiros. Agarraram a po­bre vítima, ora pelos cabelos, ora pelos vestidos, arrastando-a brutalmente pelo chão que se ia sal­picando com sangue, com madeixas de cabelos e pedaços do seu vestido. Monaldo dava ordens irri­tado:
—  Vamos depressa. Não tereis forças para car­regar  uma  criança? Que braços são os vossos? São braços de guerreiros ou de damas de salão?
Clara, não podendo suportar o horrível espetáculo, correu para o altar, onde se prostrou, pe­dindo a Deus forças para a sua desprotegida irmãzinha. E Inês sempre a gritar por sua irmã Clara.
Atraídos pelo barulho e pelos gritos, aproxima­ram-se cautelosamente alguns camponeses e fi­caram indignados ante tamanha crueldade, mas nada podiam fazer contra a fúria armada daquele bando.
Depois de arrastar a jovem por algum trecho do caminho, começaram os cavaleiros a praguejar:
—  Com mil  demônios! Não há geito  de  le­vantar esta menina, tão pesada está.
—  Está tão  pesada  que nem  rochedo.  Pare­ce pregada ao solo.
E um dos camponeses para troçar do bando arriscou-se a falar timidamente.
—  Talvez tenha  engolido chumbo...
Monaldo quis resolver a situação. Agarrou bru­talmente o corpo, mas não conseguiu removê-lo. Então ergueu indignado a mão e quis ferir mor­talmente a menina. Mas... no mesmo instante soltou um grito de dor e viu-se com o braço pa­ralisado.
Aos cavaleiros armados só restou uma saída: rumarem derrotados para o castelo. Tinham sido vencidos por uma criança de 15 anos.
Clara correu junto da irmã e abraçadas vol­taram aos pés do Crucifixo da primeira vitória.


O  CONVENT1NHO DE SÃO  DAMIAO

         Em meio caminho, entre a cidade de Assis e a capela de Nossa Senhora dos Anjos, a Porciúncula, ergue-se outra capelinha, dedicada a São Damião. Abandonada e descuidada, estava se des­fazendo em ruínas, quando as mãos caridosas de Francisco lhe vieram em socorro.
Com auxílio de pedras esmoladas, pôs-se Fran­cisco a reerguer os muros da capela. Enquanto manejava a trolha e unia as pedras pela argamassa, cantava profeticamente:
— Vinde, vinde, ajudai-me a terminar. Em breve aqui florirá um mosteiro de damas pobres que com sua vida santa e sua fama darão glória ao Pai do Céu e a toda a Cristandade.
Tudo era muito pobre e, por isso, bem ao gos­to de Francisco. Paredes nuas e sem pintura, fal­tavam vitrais, os bancos extremamente toscos, mas o ambiente era íntimo e recolhido, destilando paz e sossêgo.
O conventinho era cercado por ciprestes, on­de o silêncio dominava, interrompido apenas pelo zunir do vento e pelo canto dos passarinhos ou zumbido das abelhas na sua faina de recolher o mel.
Um dia, a lamparina da capela tornou a acen­der-se e novamente o murmúrio das preces difundiu-se no seu interior. E' que soror Clara, sua ir­mã Inês e algumas donzelas de Assis tinham to­mado posse do conventinho ao lado da capela.
O convento era tão pobre quanto a capela: paredes nuas e frias, aposentos acanhados, onde o vento penetrava com silvos agudos e frios. Um refeitório baixo e pequeno, com bancos e mesas muito simples e primitivos. No quarto de dormir, o único adorno era o crucifixo e o único móvel umas tábuas cobertas com um pouco de palha, para descansarem algumas horas por noite. Um pequeno jardinzinho, que pelas mãos delicadas das suas novas proprietárias dariam lírios e rosas. 
Uma campainha de som alegre pautava com seus sinais as atividades das damianitas. Dividiam seu dia em trabalhos e oração e viviam daquilo que a caridade lhes oferecia. Mas suas exigências não iam além de um pedaço de pão e um gole de água pura.
Tudo podia faltar materialmente dentro daque­las paredes austeras, mas abundava a felicidade. Esse punhado de jovens que louvava a Deus pela prece e pelo sacrifício da sua juventude, sem na­da ter nem desejar, havia descoberto o ninho da felicidade: ela morava dentro das paredes desnu­das do conventinho de São Damião.
Aqui se santificariam muitas almas e daqui partiriam, como uma revoada, as fundadoras dos outros mosteiros que perpetuam pelo mundo afora o ideal de Clara de Assis.
           
Continua no informativo – Ano VIII -            OUTUBRO DE 2016  -  Nº  04

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SANTOS FRANCISCANOS

MES DE SETEMBRO

1  — B. João Francisco Burté, 1ª Ordem, mártir
2 —  B. Severino Jorge Girault,3ª Ordem,  Mártir
3 — B. Apolinário de Posat, 1ª Ordem, mártir.
4 — S. Rosa de Viterbo, 3ª Ordem.
5 — B. Gentil  de  Matelica,  1ª Ordem, mártir.
6 — B. Liberato de Loro  Piceno,  1ª Ordem.
7 — B. Peregrino de Falerone, 1ª Ordem.
8 — B. Serafina Sforza, 2ª Ordem.
9 — B. Jerônimo Torres,1ª Ordem, mártir no Japão.
10 — B. Apolinário  Franco, 1ª Ordem, mártir no Japão.
11 — B. Boaventura de  Barcelona, 1ª Ordem.
12 — B. Francisco de Calderola, 1ª Ordem.
13 — B. Gabriel da Madalena, 1 ª Ordem,  mártir no Japão.
14 — B. Ludovico   Sasanda, 1ª Ordem, mártir no  Japão.
15 — B. Antonio de S. Boaventura, 1ª Ordem, mártir no Japão.
16 — B. Antonio de S.Francisco, 1ª Ordem, mártir no Japão.
17 — ESTIGMAS  DE  S. FRANCISCO  DE  ASSIS (1224)
18 — S. José de Cupertino, 1ª Ordem.
19 — B. Francisco de Santa Maria, 1ª Ordem, mártir do Japão.
20 — S. Francisco Maria de Camporosso,1ª Ordem
21 — B. Delfina  de Glandeves, 3ª Ordem.
22 — B. Inácio de Santhiá, 1ª Ordem.
23 — BB. Francisco  Hubyoe,  Caio  liyemon
          Liyemon, Tomás linemon, Leão  Satzuma  
          e  Luís Matzuo, 3ª Ordem, mártires no Japão.
24 — S. Pacífico de S. Severino, 1ª Ordem.
25 — B. Lúcia  de  Caltagirone,  3ª Ordem.
26 — S. Elzeário de Sabran, 3ª Ordem.
27 — B. Luís Guanela, 3ª Ordem.
28 — B. Bernardino de Feltro, 1ª Ordem.
29 — B. João Dukla, 1ª Ordem.
30 — B. Félix Meda de Milão, 2ª Ordem 

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

ARAUTO DO GRANDE REI

BOLETIM INFORMATIVO DE AGOSTO DE 2016


Meios para Subirmos o Alverne da Santidade

Amados irmãos e irmãs em Francisco. Nos dias de hoje, mais do nunca, a Igreja tem nos recomendado uma busca de santidade: no trabalho, na família, na Fraternidade da qual participamos e fizemos nossa profissão que tem um caráter perpétuo e santificante. Por isso, a Igreja nos ensina, que temos mergulhar nas fontes da Espiritualidade cristã e nós franciscanos seculares, somos privilegiados por termos meios que nos ajudam a subida do Alverne da santidade. Um dos meios para não se errar o caminho da subida ao Alverne da santidade é a direção espiritual, tão louvada pelos santos. Devemos fazer o mesmo, se quisermos galgar as alturas, onde um erro, um engano, uma falta de precaução, pode causar as mais sérias consequências. Eis o papel do diretor espiritual prudente e experimentado. Assim escrevia o Papa Leão XIII ao Bispo de Baltimore: "Os que procuram subir a montanha da perfeição, precisamente porque sobem um caminho menos frequentado, são mais expostos a enganos e, por isso mesmo, mais do que os outros, tem necessidade de um mestre espiritual. (Subida do Monte Alverne p.81 Vozes).
Outro meio para evitarmos quedas nesta subida é uma confiança na força da graça do perdão de Deus através do Sacramento da Confissão. A nossa confissão mensal ou semanal é uma fonte de graças. É o sangue de Cristo que nos purifica, que desapega a alma de suas misérias, que a levanta e  fortalece. Eis porque os santos, as almas fervorosas, perseveravam nessa escalada de perfeição reconhecendo que eram pecadores e que tanto necessitavam da graça de Deus. O próprio São Francisco dizia que a confissão é a coroa da humildade. Os soberbos, não se aproximam desse manancial de graças. Nosso Senhor Jesus Cristo dá autoridade para se perdoar pecados em seu nome quando diz: “àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos.” (João20,23). Por isso, amados irmãos e irmãs, aproximemo-nos com regularidade, humildade e sinceridade dessa fonte de graça, lembrando dos cinco pontos para se fazer uma boa confissão: exame de consciência, arrependimento, bom propósito, acusação e satisfação. Sem a contrição do coração o Sacramento da Confissão sequer é válido. Santo Tomás escreve que "a matéria própria deste Sacramento são os atos do penitente, que têm, por sua vez, como matéria os pecados arrependidos e confessados e pelos quais cumpre uma satisfação. Daí se segue que a matéria remota da penitência são os pecados, não enquanto desejados na intenção, mas enquanto devem ser detestados e destruídos”. (Suma Teológica, III, q. 84, a. 2).
Mais há outra fonte mais fecunda e mais preciosa ainda, a fonte eucarística. Por isso, como franciscanos, saibamos participar bem da Santa Missa e nos aproximar com reverência e santo temor como fazia São Francisco de Assis.
O pobre de Assis certa vez, queria que se tivesse a maior reverência para com as mãos sacerdotais, pelo poder divino que lhes foi conferido para a confecção do Santo Sacramento. Dizia freqüentemente: “Se me acontecesse de encontrar ao mesmo tempo um santo descido do céu e um sacerdote pobrezinho, saudaria primeiro o presbítero, e me apressaria a beijar as suas mãos. Até diria: ‘Espera, São Lourenço, porque as mãos deste homem tocam a Palavra da vida e têm algo de sobre-humano". (Tomás de Celano, Segunda vida de São Francisco capítulo 152).
Para São Francisco, a Santa Missa era um mistério de graça tão sublime que, na carta ao Capítulo geral e a todos os frades, escreveu esta exclamação de fogo: «pasme o homem inteiro, estremeça todo o mundo e exulte o céu quando, sobre o altar, nas mãos do sacerdote, está Cristo, Filho do Deus vivo". (FRANCISCO DE ASSIS, Carta a toda a Ordem, n.26).
Nosso seráfico pai se preparava para a Santa Comunhão com um cuidado atentíssimo, não apenas com sua vida santa, diariamente rica de heroísmo, mas também com a Confissão Sacramental que prepara cada dia a sua alma para receber Jesus Eucarístico com a máxima candura da graça. Na carta a todos os fiéis, São Francisco escrevia assim: “Jesus quer que todos nos salvemos por Ele e o recebamos com coração puro e com nosso corpo casto, mas são poucos os que querem recebê-lo”. (FRANCISCO DE ASSIS, II Carta aos fiéis, nn. 14-15). A sua fé e o seu amor à Eucaristia irradiam-se por sua vida e pelos seus escritos com um fulgor luminoso. Escreveu uma vez aos frades: “rogo a todos vós, irmãos, com o beijo dos pés e com a caridade que posso, que manifesteis toda reverência e toda honra, tanto quanto puderdes, ao Santíssimo Corpo e Sangue do Senhor nosso Jesus Cristo". (FRANCISCO DE ASSIS, Carta à toda a Ordem). Por isso, continua sua exortação com uma comparação muito apropriada: “como se mostrou aos santos apóstolos em Carne verdadeira, assim também a nós agora no Pão Sagrado. E como eles com a visão de sua Carne só viam a Carne dele, mas criam que era Deus contemplando com olhos espirituais; assim também nós, vendo o Pão e o Vinho com os olhos corporais, vejamos e creiamos firmemente que é seu Santíssimo Corpo e Sangue vivo e verdadeiro”. (FRANCISCO DE ASSIS, Admoestações, números 7-9.19-21). Então, façamos como nosso seráfico pai fez, adorando e venerando Jesus nas espécies eucarísticas, pois nossa Regra também nos recomenda: “Os franciscanos seculares, portanto, procurem a pessoa vivente e operante do Cristo nos irmãos, na Sagrada Escritura, na Igreja e nas ações litúrgicas. A fé de Francisco, que ditou estas palavras: “Nada vejo corporalmente neste mundo do Altíssimo Filho de Deus se não o seu Santíssimo Corpo e o Santíssimo Sangue, seja para eles inspiração e orientação da sua vida eucarística”. (Capítulo II n.5 Regra da Ordem Franciscana Secular).
Portanto, não tenhamos receio de subir o Alverne da santidade, através desses três meios recomendados pela Santa Igreja e por nosso pai Francisco, a direção espiritual, o Sacramento do perdão de Deus e o sublime Sacramento da Eucaristia. Ajudados pelo Senhor Jesus que se faz nosso amigo de caminhada e palas mãos maternais de Maria, chegaremos ao cume do Alverne. Paz e Bem a todos!
Irmão Daniel Silbernagel.


Os Irmãos Salteadores


 “Moravam os frades numa casinha no Monte Casale. Alguns assaltantes que moravam num bosque roubavam viajantes. Ás vezes, iam pedir comida aos frades. Uns davam, pedindo-lhes que mudassem de vida. Outros não davam nada aos ladrões...
 São Francisco chegou e eles contaram-lhe o caso. Ele disse que, se seguissem seu conselho, os ladrões mudariam de vida.
Ele falou: procurem os ladrões e digam: ‘Irmãos ladrões, vinde a nós, pois somos irmãos e vos trazemos bom vinho e bom pão’. Estendam uma toalha no chão e lhes sirvam pão e vinho com humildade. Depois, peçam que não batam em ninguém e não causem mal às pessoas.
No dia seguinte, levem também ovos e queijo. Peçam-lhes que se convertam a Deus.
Agradecidos, os ladrões começaram a trazer lenha para os frades. Eles converteram-se e foram respeitados e amados”.[1]
Em Iniciação Antiga e Moderna o Sr. Heindel diz que “O verdadeiro Místico não tem
necessidade de pregar. Seus atos, e até mesmo sua presença silenciosa, são mais poderosos do que o mais profundo discurso preparado pelos sábios doutores de filosofia”.
Para ilustrar o Sr. Heindel cita uma passagem da vida de São Francisco. Certa vez, Francisco convidou um jovem do convento para ir ao povoado pregar. Muito contente seguiu o jovem o tempo todo conversando com Francisco sobre as coisas espirituais e o que nos conduz a Deus. Passaram por quase todas as ruas, parando às vezes para dirigir palavras delicadas e bondosas aos que encontravam. Caindo a tarde São Francisco resolveu voltar ao mosteiro. O jovem lembrou que haviam se esquecido de pregar. São Francisco respondeu: “Meu filho enquanto caminhávamos estávamos pregando aos que nos observavam. Nossas vestes simples revelaram que servimos a Deus. Os pensamentos dos que nos viram dirigiram-se logo para o céu... Estivemos pregando um sermão mais poderoso e eloquente do que se tivéssemos ido à praça  e com eles ao nosso redor tivéssemos feito uma exortação sobre a Santidade”.    
Em Gubbio, uma cidade não muito distante de Assis havia um lobo enfurecido que matava pequenos animais para comer, espalhando assim pavor entre os habitantes. Francisco, passando por lá, defrontou-se com o lobo e com ele conversou. O lobo dava sinais de entendimento movendo a cabeça e uma das patas. Prometeu-lhe Francisco que o povo de Gubbio iria alimentá-lo a partir daquele dia e que ele não necessitaria mais matar para comer. Assim Francisco amansou o lobo que viveu ainda mais dois anos.
Francisco fez muitas viagens pela Europa, tendo ido também aos lugares santos na Palestina.       
Em 1220 estando doente e enfraquecido quase cego, entregou a direção da Ordem a Pietro Cattani que fez sua partida um ano depois. Então, Frei Elias foi nomeado para seu posto.
“Francisco tinha, por hábito, retirar-se para um local bem tranqüilo, para meditar, chamado de Eremo delle Carceri (que significa local solitário em meio a um bosque e próprio para retiro sacro). Este lugar diz-se ter pertencido aos Templários”.[2] 

                                              Fonte: Colaboração de Luigi Zampieri, enviado por Ildefonso Silveira


A Prece da Fé


A meditação é, acima de tudo, a prece da fé.  Conhecemos Cristo, principalmente, não através do pensamento, mas, através da fé.  A meditação, a prece pura, é a prece da fé.  Deixando para trás os pensamentos, as palavras e, assim por diante, somos deixados com a palavra, o mantra, a ação de pura fé.  Isso nos faz compreender, por experiência, o que é a fé.  A fé não é o nosso conjunto de crenças.  A fé não é o mesmo que a nossa teologia.  A fé é nosso relacionamento com outra pessoa.  A fé é nossa capacidade de manter um relacionamento.  Dizemos, por exemplo, que somos fiéis à nossa comunidade, fiéis no casamento, fiéis na amizade.  Fé é a capacidade que temos, e o dom que recebemos, de manter um relacionamento.  Só podemos conhecer outra pessoa, se mantivermos com ela um relacionamento.  Aqui não se trata tanto dos pensamentos que abrigamos, mas, do relacionamento que abrigamos.
Em grande parte, fomos iniciados em nosso relacionamento com Cristo, ainda crianças. 
Jesus era como um amigo da família, um dos adultos de nossa família, amigo de nossos pais, sacerdotes e professores.  Ao amadurecermos, passamos a conhecer esse amigo da família como uma pessoa adulta, com nossos próprios meios, passamos a conhecê-lo pessoalmente.  A fé cresce e se desenvolve.
Nossa fé em Jesus foi construída, não tanto sobre o que se diz a respeito dele, quanto sobre o que ele disse acerca de si mesmo: foi construída sobre o próprio auto-conhecimento dele.  Nesse ponto se encontra a autoridade dele, da mesma maneira que, nossa própria fé em nós mesmos, por exemplo, foi construída muito mais sobre o que sabemos de nós, do que sobre o que os outros podem dizer a nosso respeito.
O que Jesus disse acerca de si mesmo é isto, os sete ‘Eu sou’s de Jesus:  
Eu sou a verdadeira videira  (Jo 15:1).
Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.  (Jo 14:6).
Eu sou a porta   (Jo 10:7).
Eu sou o pão da vida.  (Jo 6:35).
Eu sou o bom pastor  (Jo 10:14).
Eu sou a luz do mundo  (Jo 8:12).
Eu sou a ressurreição.  (Jo 11:25).
Esses termos nos sugerem que Jesus se nos revela, não como um objeto de adoração, não como uma imagem de culto, mas, como um mestre que demanda nossa completa reverência e amor; como um orientador que demanda nossa total confiança e entrega; como um irmão; como um amigo: “Já não vos chamo servos,... mas, vos chamo amigos ”.  Alguém que sabemos amou os seus neste mundo, alguém que não é um moralista, mas, um libertador, um mestre do Caminho, um orientador, uma porta, o Caminho, com ele em espírito para o Pai.
Amadurecemos nossa fé, de maneira mais eficaz, por meio da prece, por meio da profundidade da prece.  Nossa prece está sempre se aprofundando e, amadurecendo.  Transitamos, talvez, além de certos tipos de prece, não porque sejam ruíns, mas, simplesmente, porque crescemos em um mais profundo relacionamento com Cristo.  Quando iniciamos esse relacionamento, talvez, tenhamos uma grande dependência de fotografias, imagens mentais dessa pessoa.  Porém, à medida que amdurecemos, à medida que nos tornamos mais capacitados para o relacionamento humano, então, essa fotografia, imagem mental de Cristo, cede passagem, cada vez mais, ao encontro com a verdadeira pessoa.  Esse encontro que ocorre, principalmente, no nível de nosso coração, na nossa experiência pessoal, então, torna-se maravilhosamente enriquecido na Eucaristia, na escritura, na comunidade, em todas as outras maneiras pelas quais, também, encontramos a pessoa ressuscitada de Jesus.
O Espírito opera constantemente em nós, preparando-nos para vê-lo, para ver Jesus, cada vez mais claramente.  Acredito que o ponto de partida seja o de que Jesus nos encontra, a ovelha desgarrada.  Nos Evangelhos, Jesus fala muito mais acerca de Deus nos buscar, do que acerca do dever humano de buscar a Deus.  Nossa fé em Jesus foi construída sobre essa confiança, de que ele nos habita, buscando-nos, no sentido de que por meio dessa busca ele nos afasta de nosso ego e nos aproxima de nosso verdadeiro eu.  Esta é a jornada da prece cristã: com Jesus, no Espírito, em direção ao Pai.
Aquilo que ele nos ensina sobre a prece, no Evangelho de Mateus, por exemplo, no sermão da montanha, nos dirige a esta experiência da presença que habita o interior de nossos próprios corações: em interioridade, na fé, na confiança, na atenção (concentrai-vos no Reino), e em paz, acima das preocupações e das ansiedades.  Ele nos ensina o caminho da prece pura.  Porém, acima de tudo, ele nos ensina a orar, por orar conosco e, em nós.  Cristo ora em nós.  A mente do Cristo, a consciência humana do Cristo em nós.  Assim, Cristo ora em nós, através de uma misteriosa união, e ele é o mestre da prece.  A prece de Jesus, o Verbo encarnado, é a prece perfeita do ser humano.  Ninguém poderia fazer melhor do que isso e, portanto, ele é aquele que nos ensina a orar.  Ele é o mestre da prece pura.  Ele medita em nosso interior, realizando seu verdadeiro eu como o Filho unido ao Pai, assim como, nós realizamos nosso verdadeiro eu.  A prece que é no espírito, a prece dele que está além de pensamentos e de palavras, além do ego, o verdadeiro eu dele, uno com o Pai e, simultaneamente, uno conosco: esse é o mistério da prece cristã.  Jesus, que é uno com o Pai, também, está presente no interior de cada um de nós, em cada um de nós, de maneira exclusiva e universal.  Vê-lo, é ver o Pai.
Assim, o ponto de partida da prece cristã é o de adentrarmos a prece do Cristo através de nossa união com a consciência humana dele.  E, devemos encontrar nosso verdadeiro eu, de modo a encontrá-lo.  Devemos deixar o eu para trás, de modo a seguí-lo.
Isto, também, é do Evangelho de João:
E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós; e nós vimos a sua glória, glória que ele tem junto ao Pai como Filho único, cheio de graça e de verdade.
Pois de sua plenitude todos nós recebemos graça por graça.  Porque a Lei foi dada por meio de Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.  Ninguém jamais viu a Deus: o Filho unigênito, que está no seio do Pai, este o deu a conhecer.  (Jo. 1:14,16-18).
Dom Laurence Freeman, OSB