terça-feira, 7 de março de 2017

FOLDER DISTRIBUÍDO NA MISSA DAS 16:15 HORAS DO DIA 04 DE MARÇO DE 2017 NA IGREJA DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS




FRATERNIDADE FRANCISCANA SECULAR DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS DE PETRÓPOLIS

RUA FREI LUIZ,26
CEP 25685-020 PETRÓPOLIS – RJ
Blog: ofssagradopetropolis.blogspot.com
E-MAIL: ofssagradopetropolis@gmail.com
TEL: (24) 2242-7984

Reunião mensal: 3° domingo às 14:00 horas – com a Missa aberta a todos às 16:00 horas
Expediente da Secretaria: 3ª e 5ª feiras das  14:00 às 17:00 horas.
Missa no 1° sábado de cada mês às 16:15

 horas na Igreja do Sagrado Coração de Jesus

INFORMATIVO
Ano VIII  MARÇO DE 2017 -  Nº  09

SANTA CLARA DE ASSIS

                                                                                                      Frei Hugo D. Baggio,OFM

ESPIRITO DE ORAÇÃO

Em todas as circunstâncias da vida, seja nas horas felizes, seja nas de adversidade, o homem sente necessidade de compartilhar com alguém seus afetos. E melhor companheiro para todas as horas não há que Deus. Por isso recorre o ho­mem à oração.
A prece é a poderosa fonte de energia, onde são temperadas as forças desperdiçadas na luta de cada dia, onde o homem pode munir-se de co­ragem e confiança para enfrentar o dia de amanhã, sob qualquer aspecto que se apresente. E não há estado de alma que não encontre na oração o seu clima.
Dizia o parlamentar espanhol Donoso Cortês: "Eu creio que os que oram trabalham mais pelo mundo do que os que combatem. E se o mundo vai de mal a pior é porque há nele mais batalhas que orações".
E o que dizer de uma existência dedicada to­talmente à oração? Um recenseamento em nossos dias, como nos dias do passado, um número enor­me de respostas seria: inútil!
Que terá pensado soror Clara? Responde-o com o exemplo de sua vida. Como andorinhas es­tavam entregues as damianitas aos cuidados da Providência, E como andorinhas não faziam mais que chilrear. E seus chilreies eram orações.
Na regra que Clara legou às filhas, o dia está semeado de preces. Já à meia-noite, quando um dia passa a responsabilidade ao outro, encontra as irmãs reunidas no coro, louvando a Deus. E em louvores a Deus vai decorrendo o dia. Assim, quan­do o irmão sol nasce, encontra-as rezando, quan­do se deita deixa-as rezando e rezando as encon­tra também a irmã lua.
Uma noite, as irmãs estavam no seu pobre coro imersas em meditação. O silêncio e a pe­numbra as envolvia, quase ocultando-as uma da outra. Apenas a lamparina de azeite piscava len­tamente, como que temerosa de desfazer o enleio.
De súbito, uma luz intensa enche o ambiente. As irmãs assustadas procuram a fonte de tão re­pentina luz. Olham para o lado de soror Clara e não a encontram com seus olhos, porque está en­volta em chamas. Toda ela é uma chama.
No meio das chamas aparece soror Clara, ten­do sobre os joelhos um formoso menino, brilhan­te como uma tocha. Os dois se entretinham em amável conversação.
Uma manifestação externa do fogo que ardia no coração de soror Clara, fogo que à semelhan­ça de São Francisco leva-a a cantar:

In  foco  amor  mi  mise,
divisemi Io core.1

O   amor   incendiou-me,
destroçou-me   o   coração.

A FILHA DA OBEDIÊNCIA

O amor de soror Clara pela obediência andava ao lado do seu amor pela pobreza. Um tocante exemplo da obediência recompensada de soror Clara, no-lo narram os Fioretti:
Soror Clara, devotíssima discípula da cruz de Cristo e nobre planta de frei Francisco, era de tan­ta santidade que não só os bispos e cardeais, mas o próprio papa desejava com grande afeto vê-la e ouvi-la e frequentes vezes a visitava pessoalmente.
Entre outras, veio o santo Padre uma vez ao mosteiro para ouvi-la falar das coisas celestiais e divinas. E estando assim juntos em divinos coló­quios, soror Clara mandou preparar a mesa e pôr nela o pão, a fim de que o santo Padre o benzesse. Pelo que, terminado o entretimento espiritual, soror Clara pediu-lhe que se dignasse benzer o pão posto na mesa. Mas o papa:
—  Soror Clara, fidelíssima,  quero  que  benzas este pão e faças sobre ele o sinal da cruz de Cris­to ao qual te deste inteiramente.
Soror Clara  disse:
—  Santíssimo Padre, perdoai-me. Que eu se­ria digna de muito grande repreensão se, diante do Vigário de Cristo, eu, que sou uma vil mulherzinha, tivesse a presunção de dar tal bênção.
E o Papa  responde:
— A fim de que isto não seja imputado à presunção, mas ao mérito da obediência, ordeno-te pela santa obediência que sobre este pão fa­ças o sinal da cruz e o benzas em nome de Deus.
Então soror Clara, como verdadeira filha da obediência, benzeu devotissimamente aqueles pães com o sinal da santa cruz. Admirável coisa de ver! subitamente em todos aqueles pães apa­receu o sinal da cruz belissimamente gravado e então daqueles pães, uma parte foi comida e ou­tra guardada por causa do milagre.
E o santo Padre, tendo visto o milagre, to­mando do dito pão e agradecendo a Deus, par­tiu-se, deixando soror Clara com sua bênção (I Fioretti, XXXIII).

A  PENITENTE

O mês de setembro chegara sobre São Da-mião. As andorinhas despediam-se dos seus ni­nhos para buscar ares mais quentes e para fugir ao vento do outono que começava a despojar as árvores de suas folhas.
Clara reuniu suas irmãs, que acorreram pres­surosas:
—  E' belo viver em doce penitência e maravi­lhosa  pobreza.  Mesmo  que  o  vento  sopre  gélido, é sempre o nosso  irmão  que canta nos ciprestes que nos  rodeiam,  apontando o céu.
—  Pensam os  homens  —  diz  soror  Inês — que abraçando esta vida de penitência   renun-cia­mos  ao  desejo  inato  da  felicidade.  Puro  engano! Irmã  Clara,  no palácio de nosso pai,   onde nada nos faltava, tínhamos porventura encontrado a fe­licidade?
—  Jamais  sinto tanta  felicidade como  depois que este pobre hábito, assim remendado, me cobre o corpo, depois que meus pés descalços estão em contacto  com  a terra fria, depois que  em  nossa mesa só aparece o pão da caridade.
—  Frio, fome, pobreza e sofrimento, tudo su­portaremos em espírito de reparação — acrescen­tou soror Pacífica.
Clara olhou para o pequeno jardinzinho, onde os  pássaros  brincavam  nas  roseiras.  E  como  eles sentiu-se livre e como eles feliz.
—   Irmãs  minhas,  nosso  leito serão  as tábuas duras e nosso travesseiro um cêpo.
 
Continua no informativo – Ano VIII -            ABRIL DE 2017  -  Nº  10

                                                           
SANTOS FRANCISCANOS

MES DE MARÇO

1 — S. Francisco Fahelante, 3ª ordem, mártir do Japão 
2 — S. Inês de Praga, 2ª Ordem.
3 — B. Inocêncio de Berzo, 1ª Ordem
4 — B. Cristóvão de Milão,  1ª Ordem
5 — S. João José da Cruz, 1ª Ordem
6 — SS. Cosme e Máximo Takeya, 3ª Ordem - Mártires do Japão.
7 — S. Pedro Sukejiro, 3ª Ordem, mártir do Japão
8 — S. MiguelKosaki, 3ª Ordem, mártir do Japão
9 — S. Luís Ibaraki, 3ª Ordem, mártir do Japão
10 — B. Tomás Sen, 3ª Ordem, mártir da China
11 — B. João Baptista de Fabriano, 1ª Ordem 
12 — B. Simão Tchen, 3ª Ordem, mártir da China
13 — B. Agnelo de Pisa, 1ª Ordem
14 — B. Pedro U-Ngan-Pan, 3ª Ordem, mártir da China 
15 — B. Matias Fan-TE, 3ª Ordem, mártir da China
16 — B. Pedro Tciang, 3ª Ordem, mártir da China      
17 — B. Francisco Tciang,
18 — S. Salvador da Horta, 1ª Ordem
19 — S. José – Esposo da Virgem Maria – Solenidade
20 — B. Hipólito Galantini, 3ª Ordem
21 — B. João de Parma, 1ª Ordem
22 — S. Benvenuto de Osimo, 1ª Ordem
23 — B. Marcos   de   Montegallo, 1ª Ordem
24 — B. Diogo José de Cadiz, 1ª Ordem
25 — S. Tiago Jen, 3ª Ordem, mártir da China   
26 — B. Pedro Wang, 3ª Ordem, mártir da China  
27 — B. Tiago Tchao, 3ª Ordem, mártir da China
28 — B. Joana Maria Maillé, 3ª Ordem     
29 — B. João Tciang, 3ª Ordem, mártir da China
30 — S. Pedro Regalado, 3ª Ordem
31  —B.Patrício Tong, III O., mártir da China  

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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

ARAUTO DO GRANDE REI

BOLETIM INFORMATIVO DE FEVEREIRO DE 2017


Centenários de Bênçãos!
0 Santuário Nacional de Aparecida e o Santuário de Fátima em Portugal, se unem para celebração da fé em seus jubileus. No Brasil, a Casa da Mãe Aparecida padroeira do povo brasileiro, irá celebrar o tricentenário do encontro da Imagem de Nossa Senhora Aparecida no Rio Paraíba do Sul em outubro de 1717. Do outro lado do oceano Atlântico, o Santuário de Fátima, continua a sua caminhada de sete anos rumo ao primeiro centenário das aparições de Maria aos três pastorzinhos em 1917.
Acompanhemos junto com a Igreja este período de bênçãos sobre o nosso País e oremos junto com a Igreja por um País mais fiel a Deus e aos irmãos!

Campanha da Fraternidade
Buscando alertar para o cuidado da criação, de modo especial dos biomas brasileiros, a Campanha da Fraternidade 2017 terá início em todo o país no dia 1º de março. Com o tema “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida” e o lema “Cultivar e guardar a criação”, a iniciativa traz uma reflexão sobre o meio ambiente e sugere uma visão global das expressões da vida e dos dons da criação. 
Com o objetivo de ajudar às famílias, comunidades e pessoas de boa vontade a vivenciarem a iniciativa, o texto-base da CF aponta uma série de atividades que ajudarão a colocar em prática as propostas incentivadas pela Campanha. Além disso, ele também propõe ações de caráter geral, que indicam a necessidade da conversão pessoal e social, dos cristãos e não cristãos, para cultivar e cuidar da criação.
Como exemplo dessas ações estão o aprofundamento de estudos, debates, seminários e celebrações nas escolas públicas e privadas sobre a temática abordada pela CF. O fortalecimento das redes e articulações, em todos os níveis, também é proposto com o objetivo de suscitar uma nova consciência e novas práticas na defesa dos ambientes essenciais à vida. Além disso, o subsídio chama atenção ainda para a necessidade de a população defender o desmatamento zero para todos os biomas e sua composição florestal. 
Já no campo político, o texto-base da CF incentiva a criação de um Projeto de Lei que impeça o uso de agrotóxicos. O livro também indica que combater a corrupção é um modo especial para se evitar processos licitatórios fraudulentos, especialmente, em relação às enchentes e secas que acabam sendo mecanismos de exploração e desvio de recursos públicos.
Tendo em vista as formas de ‘agir’ propostas no texto-base da CF 2017, a CNBB destaca que é importante que cada comunidade, a partir do bioma em que vive e em relação com os povos originários desses biomas, faça o discernimento de quais ações são possíveis, e entre elas quais são as mais importantes e de impacto mais positivo e duradouro. 
“A criação é obra amorosa de Deus confiada a seus filhos e filhas. Nossa Senhora Mãe de Deus e dos homens acompanhará as comunidades e famílias no caminho do cuidado e cultivo da casa comum no tempo quaresmal”, afirma o secretário geral da CNBB, dom Leonardo Steiner.

Preparação para o capitulo
Estamos nos preparando para uma nova eleição de conselho em 2018. É sempre bom recordar alguns pontos principais a respeito da OFS e, seu conselho.
No artigo 1º das nossas constituições gerais, é explicado que dentre as famílias espirituais suscitadas na Igreja, temos a família franciscana e, ocupa posição própria a OFS, que é formada pela união orgânica de todas as fraternidades católicas, cujos membros, impelidos pelo Espirito Santo, se comprometem, pela profissão, a viver o Evangelho à maneira de São Francisco, no próprio estado secular. ( cf. Regra 2). A Igreja, em virtude da pertença a mesma família espiritual, confiou o cuidado pastoral e assistência espiritual à Primeira Ordem, e à TOR.
A espiritualidade franciscana secular é um projeto de vida centrado na pessoa de Cristo e no seu seguimento, mais do que um programa detalhado a pôr em pratica.
A Fraternidade, embora, fisicamente sejam muitas espalhadas pelo mundo todo, não passa de apenas uma Fraternidade interligadas entre si. Nesta união organizada ela, necessariamente se divide em 4 niveis que são: Local, Regional, Nacional e internacional. Elas se prestam ajuda mutua sem perder sua autonomia.
A Fraternidade Local é o núcleo da Grande Fraternidade pois nela os irmãos estão mais ligados pela proximidade. A fraternidade elege um conselho de tempos em tempos afim de os membros eleitos prestarem por um período um serviço à fraternidade até uma próxima eleição que chamamos de capitulo. Necessario se faz que, cada irmão se conscientize de que todo professo é elegível e que mediante sua profissão deve confiar em Deus que nos capacita e nós mesmos não devemos nos omitir buscando conhecer cada função desempenhada no conselho e em qual delas poderá se candidatar. Não devemos nos omitir e, com esta finalidade, nos próximos boletins, estaremos colocando cada função exercida no conselho para colaborar na reflexão.
Fonte: Constituições Gerais da OFS

Jejum indicado pelo Papa Francisco, na Quaresma...

O MELHOR JEJUM

• Jejum de palavras negativas e dizer palavras bondosas.
• Jejum de descontentamento e encher-se de gratidão.
• Jejum de raiva e encher-se com mansidão e paciência.
• Jejum de pessimismo e encher-se de esperança e otimismo.
• Jejum de preocupações e encher-se de confiança em Deus.
• Jejum de queixas e encher-se com as coisas simples da vida.
• Jejum de tensões e encher-se com orações.
• Jejum de amargura e tristeza e encher o coração de alegria.
• Jejum de egoísmo e encher-se com compaixão pelos outros.
• Jejum de falta de perdão e encher-se de reconciliação.
• Jejum de palavras e encher-se de silêncio para ouvir os outros.




No Novo Testamento, a aliança nova nunca pode ser rompida. Pois Cristo sempre continuará com a plenitude da sua vida. Pode haver rarnos que percam a unidade com Ele e deixem de participar do vigor de sua vida. Estes serão cortados e lançados ao fogo. Mas Cristo sempre terá outros ramos que continuarão vivendo na santidade que d'EIe receberam. Por isso, a nova aliança é indestrutível e eterna
Frei Matheus

A DIFERENÇA ENTRE A ANTIGA E A NOVA ALIANÇA
Há uma grande diferença entre a antiga e a nova aliança. No Antigo Testamento Deus fez a aliança com Israel e este, com as suas fragilidades humanas, coletivamente assumiu a obrigação de santidade pelo cumprimento da Lei. No Novo Testamento é Cristo, no seu Sangue, que fez a aliança com Deus e um por um, cada cristão é incorporado em Cristo pelo batismo para n'Ele, com Ele e por Ele constituir o novo povo de Deus, a S. Igreja. No fim do Prólogo ao quarto Evangelho, diz S. João: «Porque a Lei foi dada por Moisés, a graça e a verdade veio por Jesus Cristo». 

minisermao* (13/01/17) 

A fama é irmã gêmea da solidão; podemos estar sozinhos mesmo diante de uma multidão: valorize cada pessoa. E Jesus, o profeta que saiu de Nazaré e passou por Cafarnaum e fazia belíssimos sermões na beira do Mar da Galiléia, Jesus atraia multidões e sua fama se espalhava. Certa ocasião, quando Ele pregava numa casa, não havia mais lugar para todos; ficava gente de fora. Tentaram até descer um paralítico pelo teto, coisa quase cinematográfica. Mas Jesus se relacionava com cada um, mesmo aqueles que estavam perdidos na multidão. Não deixe de se encontrar com cada pessoa, apenas porque está diante de uma multidão.
(Mc 2,1-12)

Pe. Joãozinho, scj.


A comunhão de vida entre Cristo e os cristãos é tão completa que S. Paulo pode escrever aos Efésios (2,6) que «Deus nos sentou nos céus em Cristo Jesus».
 
Frei Matheus






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FRATERNIDADE FRANCISCANA SECULAR DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS DE PETRÓPOLIS

RUA FREI LUIZ,26
CEP 25685-020 PETRÓPOLIS – RJ
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Reunião mensal: 3° domingo às 14:00 horas – com a Missa aberta a todos às 16:00 horas
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 horas na Igreja do Sagrado Coração de Jesus


INFORMATIVO
Ano VIII  FEVEREIRO DE 2017 -  Nº  08

SANTA CLARA DE ASSIS

                                     Frei Hugo D. Baggio,OFM

A LUTA PELA POBREZA (Continuação)

Mas  de  uma  pobreza  abraçada  por ideal,  de uma pobreza amada, de uma pobreza que faz fe­liz! De uma pobreza — coisa paradoxal — pela pos­se da qual se luta!
No ano de 1228, o Papa Gregório IX transpor­tou-se de Roma para Assis, a fim de elevar às honras dos altares o humilde Frei Francisco, fa­lecido dois anos antes. Àquele jovem que Assis cha­mara "louco", o mundo todo chamará agora de "santo". São Francisco de Assis!
O Pontífice fez, então, uma visita ao conventinho de Soror Clara. Inquietou-se diante da com­pleta pobreza em que viviam as irmãs. Pensou no futuro das mesmas:
—   Soror  Clara,   o   futuro  parece  nos  reserva dias maus. E se a guerra se alastrar por nossa ter­ra e nos destruir os campos, quem vos sustentará?
—  Santo Padre,  o Pai  do  Céu,  que  alimenta as avezinhas e veste os lírios do campo, socorrerá suas filhas.
—  Para garantir o futuro — continuou o Pa­pa — melhor seria se São Damião tivesse proprie­dade, donde pudesse tirar o sustento em caso de necessidade. E se o vosso voto de pobreza não o permite,  Nós  vos  absolvemos  dele.
Clara, lançando-se aos pés do Pontífice:
—  Santo  Padre,  absolvei-me  dos  meus  peca­dos, mas não do voto de seguir a meu Senhor Je­sus Cristo, em perfeita pobreza.
O Papa comovido lançou sua bênção sobre .a heróica virgem tão amante da pobreza, que os homens chamam loucura e desgraça, mas que pa­ra ela era um sonho, um ideal.

NO   JARDIM  DE  SOROR   CLARA

Quando Francisco ainda era o jovem filho de Pedro Bernardone, o rico negociante de sedas e veludos, costumava com seus companheiros, após os lautos banquetes, correr as ruas de Assis. Lá ia o bando garrido, ao som do bandolim, à luz argêntea da lua, cantando canções de amor e ca­valheirismo. Rasgavam o silêncio da cidade ador­mecida, enchendo o ar com seus cantares.
Quantas vezes, sem dúvida, paravam sob uma janela gradeada, onde pendiam gerânios e atrás da qual adivinhavam a presença da escolhida, que no final da canção os brindaria com uma flor per­fumada.
Um dia, porém, Francisco deixou de ser o fi­lho do rico Bernardone e tornou-se o pobrezinho do Pai do Céu, mas sem nunca deixar de ser can­tor. Cantava agora, em seus versos, não as damas dos homens, mas a sua dama, a Senhora Pobreza. Não cantava os feitos dos guerreiros, mas as obras do Criador: a Natureza.
Deus pôs no caminho de Francisco outra mu­lher, pela qual sentia uma ternura fraterna e que lhe serviu de arrimo e inspiração, de conselheira e enfermeira: Clara de Assis. Quando Francisco encontrava uma fonte a jorrar límpida e sonora, na sombra do bosque, lembrava-se da pureza da senhora soror Clara e erguia um canto de gratidão (porque Francisco sempre agradecia cantando); as meigas pombinhas lembravam-lhe a simplicida­de de Clara e o canto das cotovias despertava-lhe na mente a lembrança das preces da virgem Clara no silêncio de São Damião.
No mês de agosto de 1224, Frei Francisco veio despedir-se de soror Clara. Iria subir o monte Alverne para jejuar 40 dias. Alguns dias depois, Clara ouviu contar que na viagem Francisco travara um duelo canoro com um rouxinol...
Finda a quaresma, ali no monte Alverne, Fran­cisco recebeu as cinco chagas de Jesus Crucificado e com elas as dores do Crucificado. Chegara ao ápice da sua identificação com Cristo. E assim transformado desceu do santo monte.
As dores o atormentavam. A cegueira era qua­se completa e Francisco pediu para ser abrigado no jardim de soror Clara. Numa pequena chou­pana de galhos, cercada pelas flores que Clara cul­tivava, sofria alegremente o poeta cego, assistido pela solicitude da doce enfermeira Clara.
Certa manhã, quando o perfume das flores enchia a pequena choupana e o silêncio ainda não era interrompido pelo chilrear das avezinhas, após uma noite de sofrimento, Francisco despertou o espaço com sua voz:
—  Altíssimo,  onipotente,  bom  Senhor,
Teus são o louvor, a glória, a honra e toda a bênção.
E  diante  dos  olhos  sem   luz  do  poeta  desfilam todas as maravilhosas obras do Criador e por fim passa a figura de soror Clara:
— Sê louvado, Senhor, pela nossa irmã Clara,
pois a fizeste silenciosa, gentil e ativa.
Por ela brilhe tua luz em nossos corações.
Francisco acabara de compor o Cântico das Criaturas no jardim de soror Clara...

O   CÂNTICO   DAS   CRIATURAS

    Parecia que finalmente as damianitas tinham descoberto a fórmula para rezar. .. Assim, quan­do soror Clara estava no seu jardinzinho, surpreen­dia-se cantando; a irmã cozinheira, ao preparar os pobres alimentos para a comunidade, surpreendia-se cantando; a irmã da lavanderia, ao molhar as roupas na límpida água, surpreendia-se cantando; a irmã encarregada da portaria, ao olhar os ci­prestes que muravam o conventinho, surpreendia-se cantando; a irmã presa ao leito da enfermaria surpreendia-se cantando; quando o sol nascia ou a lua com suas damas aparecia no firmamento, quando o vento assobiava ou a chuva cantava no telhado, as irmãs se uniam aos elementos, can­tando. Todas e tudo pareciam cantar o Cântico das Criaturas que o poeta cego, Frei Francisco, com­pusera no jardim de soror Clara:

Altíssimo,  onipotente,   bom  Senhor,
Teus são o louvor, a glória, a honra
E toda  a bênção.

Só a Ti, Altíssimo, são devidos
E homem algum é digno de te mencionar.

Louvado sejas,  meu Senhor,
Com todas as criaturas,
Especialmente  o  senhor  irmão  sol
Que clareia o dia
E com a sua luz nos alumina.

E ele é belo e radiante
Com  grande esplendor.
De Ti, Altíssimo, é a imagem.

Louvado sejas, meu Senhor,
Pela irmã a lua e as estrelas
Que no  céu  formaste claras
E preciosas e belas.

Louvado  sejas,  meu  Senhor,
Pelo  irmão vento,
Pelo  ar e  pelas  nuvens
E pelo sereno e todo o tempo
Porque às tuas criaturas dás sustento.

Louvado sejas,  meu Senhor,
Pela irmã água
Que é mui útil e humilde
E preciosa e casta.

Louvado sejas, meu Senhor,
Pelo irmão fogo, Pelo qual iluminas a noite. E  ele é belo e jocundo
E  vigoroso  e  forte.

Louvado sejas, meu Senhor,
Por nossa irmã a mãe terra
Que nos sustenta e governa,
E produz frutos diversos
E coloridas flores e ervas.

Louvado sejas, meu Senhor,
Pelos que perdoam por teu amor,
E  suportam  enfermidades  e tribulações.
Bem-aventurados os  que sofrem  em paz,
Que por Ti, Altíssimo, serão coroados.

Louvado sejas,  meu Senhor,
Por nossa irmã a morte corporal
da qual homem algum pode escapar...
           
Continua no informativo – Ano VIII -            MARÇO DE 2017  -  Nº  09