quarta-feira, 25 de junho de 2014

ARAUTO DO GRANDE REI

BOLETIM INFORMATIVO DE JUNHO DE 2014

Jubileu do nascimento de São Luis IX

São Luís nasceu no dia 25 de abril de 1214 ou 1215, em Poissy, na França, dia de procissões solenes por ser o dia de São Marcos. Filho do Rei Luís VIII e da infanta espanhola Branca de Castela, recebeu uma educação profundamente católica. Foi, sobretudo de sua mãe, que o santo recebeu os principais ensinamentos da religião: o amor a Deus e à santíssima Virgem, o apreço pela virtude e a aversão ao mal. Após seu batismo, sua mãe tomou-o em seus braços e beijou seu peito dizendo: "Filhinho, que agora sois templo do Espírito Santo, conserva-o imaculado e jamais o manches por um pecado". Esta não hesitava em repetir-lhe sempre que preferia vê-lo morto a sabê-lo manchado pelo pecado mortal.
Dia 29 de novembro de 1226: a consagração
Quando  morreu  seu pai, Luís tinha apenas 12 anos e sua mãe assumiu o governo até a sua maio­ridade. Todos os sinos da catedral de Reims toca­ram  longamente  depois da aurora. Consagrou-se o novo rei . Sob a guia da mãe Branca de Castela, vesti­da de branco em sinal de luto real, e entre as aclamações da multidão, o pequeno Luís avançou com dignidade e re­colhimento. Foi acolhido pelo Monsenhor de Bazoche, bis­po de Soissons que o condu­ziu ao trono.
Na vigília, em Soissons foi consagra­do cavaleiro.
O santo cálice que deveria servir para a consagração foi especialmente trazido da abadia de Saint-Denis pelo padre abade, escoltado por mais de tre­zentos cavaleiros armados. A cerimónia começa. Luís promete "preservar a paz da Igreja, combater as injustiças, emitir juízos justos e misericordiosos". Foi en­toado o Te Deum, enquanto lhe calça­vam as botas e colocavam as esporas. Sobre o altar ele apoia a espada que o bispo lhe entrega para consagrá-la a serviço de Deus. Depois, de mãos jun­tas, de joelhos, é ungida sua fronte e sobre as costas com o óleo sagrado da crisma tirado da santa ampola com uma colher de ouro. Naquele momento, lhe dão as insígnias reais: o anel, a mão de justiça e o cedro. Em alta voz ele decla-
ra: "Bom Senhor Deus, elevarei a minha alma a Vós e me confiarei a Vós". De­pois jura sustentar e defender os humil­des e se compromete "de não ofuscar nunca a glória do nome que leva, nem com injustiça nem com violência".
Enfim, a vestição e a coroação: o bispo segura com as duas mãos a coroa real, sustentada por dois leigos e por eclesiásticos. Esta é colocada delicadamente sobre a cabeça do Rei, enquanto cantam as antífonas habituais. A coroação está terminada. Luís é verdadeiramente rei da França pela graça de Deus. Sentado no seu trono, recebe do clero e dos senhores presentes o juramento de fidelidade. Depois deles, também Branca de Castela, sua mãe, que assume a regência durante a minoridade do filho, recebe a homenagem dos senhores.
                                                                                     Regina Celi Sepulcri Salaroli, OFS


História da Unificação da OFS do Brasil  
1955/1972
Especial para O Arauto do Grande Rei, da Fraternidade de Petrópolis,RJ
VII-2
Entre os anos de 1966 e 1968
Significativos acontecimentos para a OFS do Brasil - l

Introdução

Parece conveniente assinalá-los de início. Em meu entender, indico alguns fatos ou acontecimentos.
Anterior e básico, porém, foi o cuidado do Secretário Nacional da OFS (Frei Mateus Hoepers, OFM); sobretudo desde 1964, em promover mais viva e aprofundada FORMAÇÃO aos irmãos e irmãs de nossas Fraternidades e, igualmente, de seus Padres Diretores. Desejava-se, por essa forma, conseguir a renovação das Fraternidades terciárias do Brasil.
Em 1964 foi acentuado o empenho em se ter melhor conhecimento da própria OFS em sua evolução histórica e do seu carisma a ser vivenciado. Isto serviu, desde 1966, para fundamentar nossas propostas para a reformulação da REGRA da OFS.
Antes, em 1965, devido à próxima realização do 2° Congresso Nacional da OFS, em Caxias do Sul, RS, as três Obediências Franciscanas organizaram os governos externo e interno de suas Fraternidades. Para tal, cada uma nomeou seu Padre Comissário Nacional e o respectivo Ministro Nacional ou Presidente. Começou então a ocorrer o mesmo em nível regional. Cumpria-se, assim, o constante das novas Constituições da OFS, de 25 de agosto de 1957, em seu artigo 94.
Esses vários citados itens foram explanados, em boa parte, em capítulos anteriores deste histórico sobre a unificação da OFS do Brasil. Merecem especial atenção e releitura os últimos capítulos VI-2 e VII-1.
Há, porém, outros significativos acontecimentos que merecem ser recordados devido à influência que tiveram, direta ou indiretamente, sobre o caminhar decidido para a  unificação da OFS do Brasil. Refiro-me ao CEFEPAL do Brasil, ao IIIo Congresso Mundial para o Apostolado dos Leigos e ao Conselho Nacional Interobediencial da OFS. Vejamos o primeiro deles.
O CEFEPAL e a Ordem Franciscana Secular do Brasil - 1
                      
Informa-se, preliminarmente, que muito do que se refere à atuação do CEFEPAL e ao seu relacionamento com a OFS do Brasil se encontra em seu boletim informativo "Irmão Sol", hoje, em seu quadragésimo quarto ano de publicação, agora, editado pela FFB, além de informações, naturalmente encontradas em nossa revista "PAZ E BEM".
Afinal, o que é CEFEPAL?    
            É a designação abreviada de Centro de Estudos Franciscanos e Pastorais para a América Latina. Seu objetivo era o de promover a união de todos os franciscanos da América Latina, dinamizar a sua atualizacão e coordenar as atividades apostólicas. (Cf. "Paz e Bem", jan.-fev. 1967, pág.22-28).
            Foi planejado um Congresso dos Franciscanos Menores, na Holanda, em agosto de 1965. Frei Bruno Goettems, um dos participantes, com aprovação dos Superiores Maiores brasileiros, o trouxe para o Brasil, em novembro de 1965. Nessa ocasião, foi organizado o Secretariado brasileiro do CEFEPAL, em Belo Horizonte. Simultaneamente, isto era realizado também em outros países latino-americanos.
            Coube a seu Secretário, Frei Guido Vlasman, OFM, organizar um Congresso dos Frades Menores, à semelhança do Encontro da Holanda. Foi realizado em Belo Horizonte, MG, de 9 a 16 de novembro de 1966. Dele participaram delegados dos Capuchinhos e dos Conventuais e representantes do CEFEPAL da Argentina, Chile, Peru, Colômbia e Equador. Teve excelente repercussão entre nós, porque dele participaram, além dos representantes das outras Obediências, duas Clarissas e diversas religiosas da Ordem Terceira Regular. Lá também estava presente a OFS na voz e na atuação de Frei Mateus Hoepers.
            O mais importante para a Ordem Terceira Secular (OFS) foram os quatro artigos, a ela referentes, aprovados nesse Congresso já aludidos no artigo anterior. Em verdade, eles eram o reconhecimento da maioridade da OFS pela Família Franciscana do Brasil. Reconheciam dever ser devolvida aos franciscanos seculares a primitiva autonomia de governo, como verdadeira Ordem com governo próprio. Reconheciam a OFS como parte integrante da Família Franciscana, com a mesma vocação e missão dos demais ramos. (Cf. idem, ibidem, pág. 27/28).
            O relacionamento entre a OFS e o CEFEPAL se acentuou com a transferência do Secretariado do CEFEPAL de Belo Horizonte para Petrópolis, em 1° de março de 1969. Várias eram as razões para mudar para Petrópolis. O Curso de Franciscanismo, como haviam decidido, em 1968, devia funcionar em Petrópolis. Isto, porque o Instituto Teológico Franciscano (ITF) oferecia facilidades para se organizar o corpo docente do Curso e punha à disposição a rica biblioteca do Convento. Além disso, a Congregação Franciscana do Amparo ofereceu, graciosamente, a casa de seu fundador para sede do Secretariado. Uma vez instalado, a fundação do CEFEPAL realizou-se em Petrópolis, RJ, em 09 de dezembro de 1969, onde passou a ter sede e foro, como associação civil de ação religiosa e cultural, de direito privado, apolítica, sem fins lucrativos.
            De acordo com Frei Mateus, sendo eu, morador em Petrópolis e Ministro Nacional da OFS, procurei dar ao Secretário do CEFEPAL todo o apoio que me foi possível, ampliando nosso relacionamento e colaboração. Mais adiante, participei, em nome da OFS, de Diretorias do CEFEPAL, assim como também participaram outros Ministros Nacionais. Servi, colaborando como Assessor Jurídico da Instituição por longo tempo, até sua transferência de Petrópolis para Brasília, DF, decidida na XIV Assembleia da FFB, em 2006, em Belo Horizonte.
       A OFS, desde 1969, aderiu de verdade ao CEFEPAL e se tomou, ao largo dos anos, principal parceiro nas realizações do CEFEPAL, hoje, Família Franciscana do Brasil (FFB).
                   Há, no entanto, nos anos de 1968 e 1969, dois outros momentos, que mostram como foi importante esse relacionamento entre CEFEPAL e OFS. Devem ser relembrados.
Paulo Machado da Costa e Silva, OFS Petrópolis RJ
Continua no próximo boletim. T

Com que espírito queremos viver nosso franciscanismo secular,

O segredo da novidade, a tão buscada renovação, há de ser encontrada lá atrás - na fonte original. Para viver o franciscanimo secular hoje, precisamos buscar a CONVERSÃO PERMANENTE.
Se a conversão é permanente, a cada dia surge o novo: o novo da superação; o novo do esforço para ultrapassar obstáculos; o novo do sacrifício de abandonar o reativo pelo proativo.
Se isto não acontece entre nós e em nosso coração, de que vale tudo o mais?
Caminhamos como corpo sem alma, isto é, seguimos na exteriori­dade e na superficialidade. E, como decorrência disso, vem a falta de vontade, desinteresse, apatia.
Para São João da Cruz, "a alma é uma profundíssima e amplíssima solidão; imenso deserto que por nenhuma parte tem fim. Alma é região fronteiriça e lugar de encon­tro com Deus. É teatro onde atua a graça".
A conversão permanente é o Testamento de Francisco; sua última vontade; a herança que nos deixou.
Essa conversão é do coração. Conversão é vida. A conversão é um processo nunca acabado. É um processo de cristificação cristificante, onde a autocrítica é essencial.
A autocrítica deve ser feita dian­te de nós mesmos e diante de Deus. Precisamos avançar na intersubjetividade íntima e profunda com o Senhor, como companheiro de vida. É preciso lançar-se de cabeça no "mar" de Deus, saindo de nos­sos sentidos exteriores e de nossas fantasias, porque tudo isso perturba nossas percepções interiores.
É necessário que saiamos da "anemia espiritual" - uma enfermi­dade sem sintomas espetaculares, mas que silenciosamente se instala, fazendo Deus se transformar numa palavra apenas. E, assim, vamos sendo invadidos pela dispersão in­terior e abandonando a vida privada com Deus até chegar a uma impossi­bilidade de encontro com Ele. Para viver essa conversão perma­nente de que falamos é preciso hu­mildade e oração.
Maria disse: "Deus fez em mim maravilhas, porque olhou para a hu­mildade de sua serva". Ela não disse que Deus lhe fez maravilhas, porque "sou imaculada" ou "sou mãe de Deus".
Jesus também disse: "Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração" Ele não disse aprendei de mim porque sou Filho de Deus.
Portanto, temos que dar, diaria­mente, 'pauladas" em nosso amor próprio, a caminho da humildade.
A humildade reconhece que tudo em nós é graça; que Deus é o autor e nós instrumentos em suas mãos; que toda obra é d'Ele. Hu­mildade faz com que nos reconhe­çamos filhos e filhas dependentes do Pai; filhos e filhas amados, mas limitados.
A humildade nos faz capazes de perdoar e fecha a porta de nosso co­ração ao rancor.
A pessoa humilde respeita e ve­nera tudo. Não invade o santuário das intenções. Não julga intenções. Apaga a chama das satisfações e vaidades. Considera as opiniões alheias, sem medo e preocupação.
A humildade é a espiritualidade dos "anawin"
 e tem por modelo Maria. *(Anawin é sinônimo para pessoas de grande e profunda espiritualidade de vida.)
A humildade está no cume do Sermão da Montanha.
Para viver o franciscanimo se­cular hoje, precisamos colocar Deus no centro de nossas vidas. A forma de realizar isto é dialogando com Ele diariamente, através da oração pes­soal. Afinal, não somos funcionários apostólicos, somos enviados e en­viadas. Sob a plataforma de nossas atividades está uma vocação, um chamado. Há algo de transcenden­te. Fomos convocados e após uma formação, fizemos uma Profissão e, através dela, recebemos um envio que nos identifica e compromete.
Há uma empatia entre nós e uma espiritualidade: a franciscana secular.
Revista Paz e Bem Nº326

Interioridade e Mente

Já em sua primeira oração – a que rezou diante do Crucifixo de São Damião – São Francisco nos deixou uma interessante abertura para o mundo interior.  Pediu a Deus: “Iluminai as trevas do meu coração!”. Com a nossa mentalidade de hoje, provavelmente pediríamos para iluminar as trevas da mente, não do coração. Mas poderíamos dizer que, nessa oração e em toda sua vida, São Francisco pediu a luz de Deus para sua interioridade.
A Interioridade não é a Mente: na mente temos a capacidade de pensar, de lembrar, de reconhecer. A Interioridade é muito mais do que isso. Na interioridade está a nossa maior riqueza espiritual (mais que na mente): a mente descobre fora; a interioridade descobre dentro.
O que temos na Mente é tudo consciente (ou fácil de ser trazido ao consciente), e pode ser comparado com um “cérebro eletrônico”, como chamavam inicialmente os computadores. Por mais vasta que seja a mente, daria para fazer uma resenha de tudo que ela contém. Poderíamos distribuí-la em arquivos. Talvez seja possível localizar a Mente no cérebro, como já se tentou. A Mente pode ativar a memória, mais ou menos como um computador.
A Interioridade, em vez, avança pelo mundo do Inconsciente.  Não sabemos onde é a “sede” do Inconsci-ente.  Se a mente aponta para a existência de uma alma, de um espírito no ser humano, a interioridade parece pressupô-la.  Talvez seja por isso que o mundo ocidental moderno tem tanta dificuldade com a Interioridade.
A mente faz sínteses e “conclui”, isto é, fecha. A Interioridade descobre símbolos e lança pontes, isto é, abre, abre cada vez mais para o mistério.
A Mente é capaz de pensar sobre Deus.  A Interioridade se encontra com Ele: sente-o, comunica-se com Ele mesmo sem palavras e sem pensamentos.
Precisamos tomar consciência do que se passa no Inconsciente.  Talvez seja o único meio de nos comunicarmos com a Interioridade. Todos nos damos conta de que, de dentro de nós, procedem coisas que foram experimentadas fora.
A Mente parece poder ser mais desenvolvida pelos que estudam e refletem. A Interioridade pode ser bem desenvolvida mesmo em pessoas analfabetas.  Entrar pelo mundo do mistério não é, exatamente, refletir, pensar. No fundo, entrar pelo mundo do mistério é contemplar.
Desde os tempos mais antigos, a Interioridade foi comparada com o oceano, ou com as águas: é um mundo sem fim, do qual podem sair todas as surpresas.
Quando falamos em espiritualidade, trabalhamos no campo da Interioridade. Se as nossas orações não penetram na Interioridade, ficam no campo da Mente: palavras, cânticos e reflexões. Nesse sentido, muita oração não passa de um condicionamento da mente.
Enquanto a riqueza da mente são suas idéias e a capacidade de relacioná-las e tirar conclusões, a riqueza da Interioridade são os símbolos e sua capacidade de abrir para o mundo do mistério.
Para a mente, os mistérios são um desafio que impõe limites.  Para a Interioridade, os mistérios são desafios que ampliam cada vez mais o seu campo, que parece infinito.
Para a Mente, Deus é uma idéia, uma abstração, uma conclusão, talvez. Para a Interioridade, Deus é a porta mais concreta e vivenciada da Infinitude. Uma coisa é dizer que, em Deus, tudo acaba; outra, bem diferente, é dizer que, em Deus, tudo começa.
A Mente proporciona a possibilidade de entrar em contato com outros seres inteligentes. A Interioridade nos põe em comunhão com todos os seres, mesmo com os animais e as pedras. Além disso, entra no mundo do mistério coletivo (inconsciente coletivo) e, mesmo mergulhando na interioridade individual, a pessoa afunda e emerge no mundo da fraternidade universal.
Talvez possamos falar em interioridade pessoal e interioridade coletiva. No sentido seguinte: eu entro dentro de mim e chego ao mundo do “dentro-de-tudo”. Quando entramos no mundo interior, descobrimos muitas coisas que já foram experimentadas e vividas por nós. Mas também encontramos novidades surpreendentes. E, quando as aprofundamos, percebemos que são “novidades” que já conhecidas por outros, que já foram abordadas e até desenvolvidas por gerações passadas do nosso povo e mesmo de povos muito diferentes.

                                                                                         Frei José Carlos Corrêa Pedroso OFMCap
                                       
 Ciência

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje gostaria de destacar outro dom do Espírito Santo, o dom da ciência. Quando se fala de ciência, o pensamento vai imediatamente à capacidade do homem de conhecer sempre melhor a realidade que o cerca e de descobrir as leis que regulam a natureza e o universo. A ciência que vem do Espírito Santo, porém, não se limita ao conhecimento humano: é um dom especial, que nos leva a entender, através da criação, a grandeza e o amor de Deus e a sua relação profunda com cada criatura.
1. Quando os nossos olhos são iluminados pelo Espírito, abrem-se à contemplação de Deus, na beleza da natureza e na grandiosidade do cosmo, e nos levam a descobrir como cada coisa nos fala Dele e do seu amor. Tudo isto suscita em nós grande admiração e um profundo sentido de gratidão! É a sensação que experimentamos também quando admiramos uma obra de arte ou qualquer outra maravilha que seja fruto da invenção e da criatividade do homem: diante de tudo isso, o Espírito nos leva a louvar o Senhor do fundo do nosso coração e a reconhecer, em tudo aquilo que temos e somos, um dom inestimável de Deus e um sinal do seu infinito amor por nós.
2. No primeiro capítulo do Gênesis, propriamente no início de toda a Bíblia, coloca-se em evidência que Deus se alegra com a sua criação, destacando repetidamente a beleza e a bondade de cada coisa. Ao término de cada dia, está escrito: “Deus viu que era coisa boa” (1, 12. 18. 21. 25): se Deus vê que a criação é uma coisa boa, é uma coisa bela, também nós devemos assumir esta atitude e ver que a criação é coisa boa e bela. Eis o dom da ciência que nos faz ver esta beleza, portanto louvamos a Deus agradecendo-lhe por ter nos dado tanta beleza. E quando Deus terminou de criar o homem não disse “viu que era coisa boa”, mas disse que era “muito boa” (v. 31). Aos olhos de Deus nós somos a coisa mais bela, grande, boa da criação: mesmo os anjos estão abaixo de nós, nós somos mais que os anjos, como ouvimos no livro dos Salmos. O Senhor nos quer bem! Devemos agradecer a Ele por isto. O dom da ciência nos coloca em profunda sintonia com o Criador e nos faz participar da clareza do seu olhar e do seu juízo. É nesta perspectiva que conseguimos entender no homem e na mulher o vértice da criação, como cumprimento de um projeto de amor que está impresso em cada um de nós e que nos faz reconhecer como irmãos e irmãs.
3. Tudo isto é motivo de serenidade e de paz e faz do cristão um testemunho alegre de Deus, nos passos de São Francisco de Assis e de tantos santos que souberam louvar e cantar o seu amor através da contemplação da criação. Ao mesmo tempo, porém, o dom da ciência nos ajuda a não cair em algumas atitudes excessivas ou erradas. A primeira é constituída pelo risco de nos considerarmos donos da criação. A criação não é uma propriedade, na qual podemos mandar de acordo com a nossa vontade; nem, tão pouco, é uma propriedade somente de alguns, de poucos: a criação é um presente, é um presente maravilhoso de Deus que nos deu para que cuidemos dela e a utilizemos em benefício de todos, sempre com grande respeito e gratidão. A segunda atitude errada é representada pela tentação de nos pararmos nas criaturas, como se estas pudessem oferecer a resposta a todas as nossas expectativas. Com o dom da ciência, o Espírito nos ajuda a não cair neste erro.
Mas gostaria de retornar ao primeiro caminho errado: dominar a criação em vez de protegê-la. Devemos proteger a criação porque é um presente que o Senhor nos deu, é um presente de Deus para nós; nós somos guardiães da criação. Quando nós exploramos a criação, destruímos o sinal do amor de Deus. Destruir a criação é dizer a Deus: “não gosto”. E isto não é bom: eis o pecado.
A proteção da criação é justamente a proteção do presente de Deus e é dizer a Deus: “obrigado, eu sou o guardião da criação, mas para fazê-la progredir, nunca para destruir o teu presente”. Esta deve ser a nossa atitude diante da criação: protegê-la, porque se nós destruímos a criação, a criação nos destruirá! Não se esqueçam disso. Uma vez eu estava no campo e ouvi um dito de uma pessoa simples, que gostava tanto das flores e cuidava delas. Disse-me: “Devemos proteger estas coisas belas que Deus nos deu; a criação é para nós a fim de que nós a aproveitemos bem; não explorar, mas protegê-la, porque Deus perdoa sempre, nós homens perdoamos algumas vezes, mas a criação não perdoa jamais e se você não a protege ela te destruirá”.
Isto deve nos fazer pensar e pedir ao Espírito Santo o dom, o dom da ciência para entender bem que a criação é o mais belo presente de Deus. Ele fez tantas coisas boas para a melhor coisa que é a pessoa humana.
Papa Francisco
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 21 de maio de 2014

FOLDER DISTRIBUÍDO NA MISSA DAS 16:15 HORAS DO DIA 07 DE JUNHO DE 2014 NA IGREJA DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

INFORMATIVO

Ano VI  -  JUNHO DE 2014 -  Nº  01

ESPIRITUALIDADE  FRANCISCANA

SÃO  LUIS, REI  DE  FRANÇA

A OUTRA IMAGEM

Anos depois, em seu castelo às margens do Marne, o velho senhor de Join­ville preparava-se para dormir.
Sua governanta já se havia recolhido, mas ele sonhava ainda com o seu rei tão querido, que há tanto tempo já desaparecera do seu convívio. Quantos anos pas­sados depois de sua volta em maio de 1271, no meio de um povo em lágrimas, que enterrava os restos queridos de seu rei, numa cerimônia tão chocante, tão sofrida! O cortejo se alongava diante dos monumentos fúnebres, os Montjoie (o nome que saía do grito de guerra dos cavaleiros franceses), erguidos expressa­mente entre Paris e a Basílica.
Foi aceito para perpetuar a lembran­ça de Luís, mas não seria isto neces­sário, pois os milagres já haviam começado sobre seu túmulo, e um dos primeiros foi a cura de uma criança.
O santo rei iria permanecer para sem­pre na memória dos homens.
O velho Joinville sonhando, rememora­va todo um passado, cheio de saudade e profundas recordações.
Dentre elas, uma foi mais viva.
        Corria o ano de 1282. E somente 15 anos mais tarde, enquanto a Igreja se precavia e pesquizava, o santo rei foi declarado confessor. Joinville havia deixado o seu castelo para assistir as festas, onde Jean de Samoy, o pregador, havia citado entre outros exemplos de grande virtude, a his­tória dos dez mil livros entregues aos sarracenos. "E, creiam-me, não estar mentindo, aqui está o homem que em ju­ramento testemunhou o fato".
O velho Joinville adormecera. E eis que, no meio da noite, o rei Luís lhe aparece em sonho, todo resplandecente e feliz, na por­ta da capela.
"Ah! "disse o bom homem, cheio de ale­gria, ao receber o seu mestre e amigo; "quando vos dispuserdes a partir, eu vos alojarei aqui perto, numa casa que pos­suo."
Mas o rei maravilhado respondeu-lhe: "Eu não tenho a intenção de sair daqui!"
Quando Joinville acordou, pôs-se a re­fletir: "Será mesmo que foi o santo a quem eu vi? E, se ele não quis afastar-se da capela, é porque desejava um altar para si."
O altar foi então construído, e ele não desapareceu; um vitral, representando um milagre da Santa Virgem encontrada no mar, após a Cruzada do Egito, lem­brava para sempre o Santo Rei!
Hoje, resta apenas o lugar do castelo e a lembrança do altar.
Porém, com o retrato de São Luís, tão singelamente pintado, também nos resta, vindo do coração cheio de ternura e ve­lhas recordações, o último conselho do cavaleiro simples, mas autêntico, que diz: "Peçamos a ele que rogue a Deus de nos dar o que necessitamos para o nosso cor­po e nossa alma. São Luís rei de França, rogai por nós, rogai a Deus para que Ele guarde o seu povo."

TESTAMENTO DE SÃO LUÍS A SEU FILHO

Meu filho a primeira coisa que te reco­mendo é que ames a Deus de todo o cora­ção e prefiras sofrer tudo, até a própria morte, a cometer um pecado mortal.
Se Deus te mandar contrariedades, aceita-as com gratidão, convencido de que a mereceste. Se tudo correr segundo teus desejos, não te deixes levar pelo orgulho. Não se deve abusar dos benefícios e os transformar em armas de malícia.
Confessa-te frequentemente e escolhe um confessor prudente e virtuoso, que te possa ser guia e que tenha coragem bas­tante para corrigir tuas faltas e castigar teus pecados.
Assiste à Santa Missa com muita devo­ção.
Sê caridoso para com os pobres, e socor­re-os sempre que puderes.
Respeita as boas tradições entre o povo e persegue os abusos. Não sobrecarregues teu povo com duros e múltiplos impostos. Escolhe para tua companhia homens di­reitos e prudentes, leigos e sacerdotes, e foge dos círculos dos maus.
Ouve de bom grado a palavra de Deus e conserva-a cuidadosamente em teu co­ração. Sê amigo da oração.
Ama tua honra e sê amigo do bem e inimigo do mal.
Rende graças a Deus pelos seus bene­fícios.
Bens alheios, faze-os chegar às mãos de seu legítimo dono.
Procura  conversar  e  estabelecer a  paz entre teus súditos, e zela pelos bons costumes entre o povo. Trata de dar a ele bons juizes e funcionários e fiscalize bem o procedimento deles, a fim de que não haja lugar para vícios, parcialidade, frau­de e imoralidade.
Cuida para que na corte as despesas se limitem ao indispensável.
Manda rezar missas pelo repouso de minh'alma e manda rezar nessa intenção.
Meu filho: dou-te a bênção que um pai pode dar a seu filho.

(No próximo mes vai começar a vida de Santa Rosa de Viterbo – padroeira da Juventude Franciscana - JUF)

Continua no informativo – Ano IV -            JULHO DE 2014  -  Nº  02

                                                                                               .x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x
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SANTOS FRANCISCANOS

MES DE JUNHO

2 — B. João Pellingoto,  3ª Ordem.
3 — B. André  de  Spello,  1ª Ordem.
4 B. Pacífico de Cerano,  1ª Ordem.
5 — B. Maria   Clara  Nanneti,   3ª Ordem Regular,  mártir  da China 
6 — B. Lourenço   de  Vilamagna,  1ª Ordem.
7 — B. Maria da Paz Bolsena, 3ª Ordem Regular,  mártir da China
8 — B. Hermínia de Jesus, 3ª Ordem Regular, mártir da China
9 — S. Cornélio Wican,  1ª Ordem, mártir em Gorkum
10 — S.Pedro de Assche, 1ª Ordem, mártir em Gorkum.
11 — B. Guido de Cortona, 1ª Ordem.
12 — B. lolanda, Duquesa da Polônia, 2ª Ordem.
13 — S. Antônio de Lisboa, 1ª Ordem.
14 — S. Francisco de Bruxelas, 1ª Ordem, mártir em Gorkum.
15 — S. Antônio de Hoornaert, 1ª Ordem, mártir em Gorkum.
16 — S. Antônio de Werten,  1ª Ordem, mártir em Gorkum.
17 — B. Pedro Gambacorta, 3ª Ordem Regular.
18 — S. Godofredo de Merville, 1ª Ordem, mártir em Gorkum.
19 — B. Miquelina de Pesaro, 3ª Ordem.
20 — S. Willehado da Dinamarca,  1ª Ordem, mártir em Gorkum (1482-1572) c. 1867
21 — S. Nicásio  Jonson,   1ª Ordem, mártir em Gorkum.
22 — B. André Bauer, 1ª Ordem, mártir da China
23 — S. José Cafasso, 3ª Ordem.
24 — B. Teodorico Balat, 1ª Ordem, mártir da China
25 — B. José Maria Gambaro, 1ª Ordem, mártir da China.
26 — B. Cesídio de Fossa, 1ª Ordem, mártir da China
27 — B. Benvenuto de Gubio, 1ª Ordem.
28 — B. Elias Facchini, 1ª Ordem, mártir da China
29 — S. Vicenza  Gerosa,  3ª Ordem.
30 — B. Raimundo  Lulo, 3ª Ordem, mártir

quinta-feira, 29 de maio de 2014

ARAUTO DO GRANDE REI

BOLETIM INFORMATIVO DE MAIO DE 2014

A vida em fraternidade: relação de intercâmbio e comunhão 

- Experimentemos e partilhemos a bondade de Deus. Para Francisco o seguimento de Jesus e seu projeto missionário se faz em fraternidade e fraternalmente. Comecemos por João 13,34-35. O texto deixa muito claro que o verdadeiro sinal do cristão, isto é, do seguidor de Jesus Cristo, é o amor mútuo. “Nisto conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”. O amor mútuo é a nota característica fundamental do seguidor de Jesus.     
         Continuemos refletindo João 13,1-17, observando passo por passo a atitude de Jesus. Primeiro o despojamento da autoridade, ele tira o manto. Depois a investidura da condição de servo, cinge-se com uma toalha. Coloca a toalha no lugar de avental. Em seguida se põe a lavar os pés dos discípulos. Ora, porque os pés? Por que os pés são os servos das pessoas. São eles que as carregam. Por essa pratica Jesus ensina a servir os servos. Muitos não acham indigno nem desonroso servir senhores, pelo contrario, falam de “boca cheia”. Sou servo de fulano de tal. São raras as pessoas que publicam que servem servos. A dica de Jesus vai por aí. Discípulo de Jesus Cristo precisa servir os servos. A outra dica é que amar é servir. Amor autêntico se traduz em ação em favor dos pequenos.
         Para Francisco de Assis cada irmão é um dom, um presente do Senhor. O que ele faz com o dom? Busca orientação no Evangelho para saber. Crendo que foi o Senhor que enviou o irmão o Senhor também dirá o que fazer com ele. Assim, o centro da fraternidade não é nem Francisco que foi o primeiro, nem Bernardo, o novo irmão que esta chegando, mas Jesus que na verdade é o responsável pelo encontro dos dois. Francisco e Bernardo se encontram e formam fraternidade por Jesus e em Jesus.
         Vejamos ainda o que diz Espelho da Perfeição 85. Aí Francisco nos apresenta 9 frades com 17 virtudes e diz que eles, juntos, unidos, constituem o frade perfeito. Isso significa que o frade perfeito não é um individuo, mas uma fraternidade, os frades unidos, comungando e partilhando é que constituem uma perfeição. O que isso nos ensina? Que a maravilha que buscamos é construída com a partilha, a disponibilidade dos dons de cada irmão, mas nos diz também que o inferno se constitui da comunhão dos defeitos de cada um. Os mesmos 9 frades têm tantos defeitos quantas virtudes. Se optarem por colocar os defeitos para funcionar e se focarem neles vão ficar do jeito que o diabo gosta. A fraternidade ótima e a fraternidade péssima podem ser feitas com as mesmas pessoas. Depende da decisão que elas tomaram na relação de umas com as outras.

Fr. Moacir Casagrande OFMCap.

Espiritualidade e Saúde


1. O CAMINHO DA INICIAÇÃO:  O Iniciado (a) é aquele (a) que tem um Caminho Orientado. Seu caminho é orientado pelo Coração e pelo Desejo. O coração nos deixa afastar do caminho do Amor. Tem os seus passos orientado por uma Grande Convocação, por uma Inspiração e por Princípios que regem a sua vida. Em cada passo tem um Mestre que vai orientar a sua Vida.  INICIAÇÃO significa receber Algo Muito Grande e passar isto adiante. Não separar o que Deus uniu: corpo e alma, espírito e matéria.
2. A TEOLOGIA E ESPIRITUALIDADE NA SAÚDE: Deus prepara a Terra como um quadro para a existência da humanidade. A criatura huma-na está no centro do interesse do Criador. É criado por graça e chamado desde o início a um projeto salvífico. Cuidar do saudável é não depreciar a vida, mas assumir um sentido pleno. Viver é dom de Deus. Estar do lado da vida e prolongá-la. A saúde pertence à estrutura teológica e antropológica da pessoa. É um projeto de vida e perfeição, sempre se pode pedir mais cuidado à saúde. É a arte de viver. É a capacidade de apropriação e posse da corporeidade para levar a uma harmonia entre corpo, psique  e espírito.
3. A INCORPORAÇÃO DA SAÚDE À PASTORALPreparar bem os agentes da Pastoral da Saúde, com bagagem doutrinal adequada, porque eles estão muito próximos da complexa realidade do mundo da saúde e da doença. Pensar e projetar de modo diferente a ação evangelizadora de modo que ela esteja mais do lado da saúde. Não se fala mais da Pastoral dos Enfermos, do sofrimento e de Visitas a hospitais, mas sim de uma presença que leve o bem estar psicofísico do ser humano. Não falar de resignação e consolação, mas oferecer vida e vida em abundância (Jo 10,10). Uma Pastoral que acolhe o dom da vida e exorta a viver!  Não uma ação sacramentalista, mas evangelizadora.
4. A CONSCIÊNCIA DE QUE SOMOS TERAPEUTAS:  Terapeuta é aquele que cuida da totalidade do humano e da vida. É estar na raiz bíblica que nos testemunha que Deus tem como objetivo a cura total do ser humano. Anunciar a transformação do humano é trabalhar pela construção do Reino. Salvação, salus, sanar, cuidar, tudo deriva da saúde: a cura integral do ser humano. O ser humano é o resultado de relações recíprocas entre os componentes físicos, emotivos, mentais, espirituais e sociais.
5. COMPREENSÃO DO TERMO SAÚDE:  Etimologicamente  salus, salud, santé, health, e significa  totalidade e integridade. A saúde só tem sentido no quadro de uma visão holística do ser humano (Bernard Häring), ela remete ao centro. Saúde tem a ver com o ser humano que superou tudo o que é confuso, precário e fragmentado, que satisfez seu impulso infinito par a felicidade, a vida e a alegria, que chegou por completo ao que é ele mesmo.  Sociologicamente saúde é a busca e a fé comum da humanidade em buscar o melhor no nascimento e no decorrer da existência, criar um estilo de vida saudável que revele que concretize a epifania do humano pleno.  Antropologicamente é uma melhor visão do ser humano. Perguntar pela saúde é perguntar pelo ser humano. É um modo de estar no mundo de bem com a vida.  É a plena atenção ao bem estar, tanto físico, espiritual como psicológico, para criar um novo tipo de humanidade possível.
6. VIVER NUM ESTADO TERAPÊUTICO: Ultrapassar sempre as fronteiras do limite. Não instaurar o caos em si mesmo. Abrir as portas para o mais secreto e o mais íntimo de si mesmo. O que somos é o que nos nutre. O ser humano precisa dar um salto qualitativo: conectar a sua vida com seu centro sagrado e absoluto. Procurar uma nova maneira de existir, com mais profundidade e mais humanidade. Acender a Iluminação e percorrer um caminho de liberdade. Saúde é procurar um Encontro com o melhor e com o transcendente, seja qual for a forma ( amor, espiritualidade, religião sonhos ) como um Chamado, uma Vocação. O corpo é o apoio do raio divino.

Autor: Frei Vitório Mazzuco


 Dama Pobreza e o estudo

 Há uma riqueza que não se vê: o saber. Há moedas muito pesadas e pouco sonoras, que podem impor aos outros muita sujeição e lançar em nós mais orgulho do que as moedas verdadeiras: os livros.
Como, pois, se poriam de acordo a Dama Pobreza e o estudo? No século XIII os livros eram manuscritos e em per­gaminho, ligados em madeira ou em couro com fechos de metal, nem eram manejáveis como os atuais. Poderiam pos­suí-los os cavaleiros da Pobreza?
Esta pergunta, nem mais nem menos, foi a que Ricardo da Marca, que era nobre e culto, capaz de tudo abandonar sem dificuldade, exceto o estudo, fez a São Francisco, num dia em que o visitava no bispado de Assis. E respondeu-lhe o santo: "Os irmãos só devem ter a veste que a nossa regra concede, o cíngulo e os calções".
"Mas, disse-lhe o outro, que farei eu, que tenho tantos livros que valem mais de cinquenta libras?" E se entristecia por dever abandoná-los.
"Vede! exclamou São Francisco, quereis ser considera­dos pelos homens como frades menores e observantes do Evangelho, mas na realidade quereis ter dinheiro!"
Nos jovens, porém, o desejo de possuir livros não nascia da avidez de coisas ricas e raras, e sim da sede de saber e de glória. O santo, que lia nas consciências (os livros mais interessantes do mundo e os mais difíceis), pedindo-lhe um noviço permissão para possuir um saltério, respondeu: "O imperador Carlos, Orlando e Olivério, todos os paladinos valentes nas armas, que perseguiram os infiéis, com muita fadiga e não menos trabalho, até à morte, obtiveram vitórias memoráveis e finalmente conquistaram a glória do martírio, morrendo em combate na defesa de Cristo. Há muitos, po­rém, que só com a narração de tamanhos gestos pretendem alcançar a homenagem e o louvor dos homens. Como estes há entre nós muitos que pretendem, lendo e pregando a obra dos santos, alcançar honra e glória".
Assim, sabiamente, São Francisco queria fazer servir à virtude a ambição dos jovens, contrapondo a glória das rea­lizações à glória das palavras, o heroísmo da guerra ao das mesas de estudo. Mas o noviço tornou ao assalto, porque, não querendo, todavia, desobedecer, desejava por todos os meios e modos encontrar escapatória à dura obediência. São Francisco, sentado junto ao fogo, escutou-o. E, visto que a paixão do moço não se inclinava ao bem, mostrou-lhe as suas consequências.
"Quando possuíres um saltério, quererás um breviário. E quando tiveres o breviário, sentar-te-ás numa cadeira como um grande prelado e dirás ao teu irmão: traze-me o bre­viário". Depois, como se não pudesse censurar os outros semacusar-se a si próprio, apanhou no fogão um punhado de cinza e espalhou sobre a cabeça, dizendo: "Também que­ro um breviário! também quero um breviário!" E enquanto o noviço corava como uma cereja, o santo confessou:
"Irmão, também, certa vez, fui tentado a possuir livros, mas não sabendo a respeito a vontade do Senhor, tomei o Evangelho e pedi-lhe que ma fizesse ver. Acabada a oração, logo à primeira abertura, caíram-me sob os olhos as seguin­tes palavras: "A vós foi dado conhecer o mistério do reino de Deus, mas aos outros é ele proposto em parábolas".
E acrescentou: "Tantos são os que espontaneamente se elevam a ciência, que será feliz o que se fizer estéril por amor de Deus".
Queria dizer que a sabedoria verdadeira não vem dos livros, mas da fé, da humildade e das obras, e como prova disto observava duas coisas: Primeiro, que o homem, na rea­lidade, só sabe o que pratica e somente é bom orador na medida em que faz o que diz; segundo, que a ciência nada pode contra o sofrimento, deixando-nos de mãos vazias na hora das tribulações.  
Quando, porém, se lhe apresentou um jovem no qual o amor ao estudo era verdadeira vocação sem mistura de curio­sidade, de vaidade ou de soberba, tanto que o sufocava como tentação, São Francisco disse: "Estuda e ensina, a fim de que não se extinga em ti o espírito de oração", E este jovem se chamou Santo António de Pádua.
Porque o que São Francisco combatia como contrário à Pobreza do coração era a ciência enfatuada que não se transforma em vida, o estudo sem meditação, a meditação sem obras, a admiração sem imitação, o estudo egoísta que se compraz em si e jamais se sacrifica pelos outros.
Dama Pobreza só está de acordo com o estudo quando este é caritas.

Extraído do livro ‘São Francisco de Assis’
Maria Sticco.



Fortaleza:

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Refletimos nas catequeses passadas sobre os primeiros três dons do Espírito Santo: a sabedoria, o entendimento e o conselho. Hoje pensemos naquilo que o Senhor faz: Ele vem sempre para nos apoiar na nossa fraqueza e faz isto com um dom especial: o dom da fortaleza.
1. Há uma parábola, contada por Jesus, que nos ajuda a acolher a importância deste dom. Um semeador sai para semear; nem toda a semente que espalha, porém, dá fruto. Aquilo que acaba pelo caminho é comido pelos pássaros; aquilo que cai em terreno rochoso ou em meio a espinhos semeia, mas logo é secado pelo sol ou sufocado pelos espinhos. Somente aquilo que termina em terreno bom pode crescer e dar fruto (cfr Mc 4, 3-9 // Mt 13, 3-9 // Lc 8, 4-8). Como o próprio Jesus explica aos seus discípulos, este semeador representa o Pai, que espalha abundantemente a semente da sua Palavra. A semente, porém, muitas vezes encontra a aridez do nosso coração e, mesmo quando é acolhida, corre o risco de permanecer estéril. Com o dom da fortaleza, em vez disso, o Espírito Santo liberta o terreno do nosso coração, liberta-o do torpor, das incertezas e de todos os nossos medos que possam impedi-Lo, de modo que a Palavra do Senhor seja colocada em prática, de modo autêntico e alegre. É uma verdadeira ajuda este dom da fortaleza, dá-nos força, liberta-nos também de tantos impedimentos.
2. Há também momentos difíceis e situações extremas nas quais o dom da fortaleza se manifesta de modo extraordinário, exemplar. É o caso daqueles que se encontram diante de experiências particularmente duras e dolorosas, que perturbam suas vidas e de seus entes queridos. A Igreja resplandece com o testemunho de tantos irmãos e irmãs que não exitaram em dar a própria vida para permanecerem fiéis ao Senhor e ao seu Evangelho. Mesmo hoje não faltam cristãos que em tantas partes do mundo continuam a celebrar e a testemunhar a sua fé, com profunda convicção e serenidade, e resistem mesmo quando sabem que isso pode comportar um preço mais alto. Também nós, todos nós, conhecemos pessoas que viveram situações difíceis, tantas dores. Pensemos naqueles homens, naquelas mulheres que levam uma vida difícil, lutam para levar adiante a família e educar os filhos: fazem tudo isso porque há o espírito de fortaleza que os ajuda. Quantos homens e mulheres – nós não sabemos seus nomes – que honram nosso povo, nossa Igreja, porque são fortes: fortes em levar adiante sua vida, sua família, seu trabalho, sua fé. Estes nossos irmãos e irmãs são santos, santos no cotidiano, santos escondidos em meio a nós: têm justamente o dom da fortaleza para poder levar adiante o seu dever de pessoas, de pais, de mães, de irmãos, de irmãs, de cidadãos. Temos tantos! Agradeçamos ao Senhor por estes cristãos que são de uma santidade escondida: é o Espírito Santo que têm dentro que os leva adiante! E nos fará bem pensar nessas pessoas: se elas fazem tudo isso, se elas podem fazê-lo, por que não eu? E nos fará bem também pedir ao Senhor que nos dê o dom da fortaleza. 
3. Não é preciso pensar que o dom da fortaleza seja necessário somente em algumas ocasiões, ou em situações particulares. Este dom deve constituir um pano de fundo do nosso ser cristão, na ordinariedade da nossa vida cotidiana. Como disse, em todos os dias da vida cotidiana devemos ser fortes, temos necessidade desta fortaleza, para levar adiante a nossa vida, a nossa família, a nossa fé. O apóstolo Paulo disse uma frase que nos fará bem ouvir: “Tudo posso naquele que me fortalece” (Fil 4, 13). Quando enfrentamos a vida ordinária, quando vêm as dificuldades, recordemos isto: “Tudo posso naquele que me fortalece”. O Senhor nos dá a força, sempre, não a deixa faltar. O Senhor não nos dá uma prova maior do que podemos tolerar. Ele está sempre conosco. “Tudo posso naquele me fortalece”.
Queridos amigos, às vezes podemos ser tentados a nos deixar levar pela preguiça ou, pior, pelo desânimo, sobretudo diante dos cansaços e das provações da vida. Nestes casos, não vamos desanimar, invoquemos o Espírito Santo para que, com o dom da fortaleza, possa aliviar o nosso coração e comunicar nova força e entusiasmo na nossa vida e no nosso seguimento a Jesus.
Papa Francisco
Quarta-feira, 14 de maio de 2014


 São Luiz
Rei de França

Luís nasceu em Poissy, em 1215. Por ocasião do batismo, sua mãe, Branca de Castela, rainha de grandes dotes morais e intelectuais, estreitou-o ternamente contra o coração, dizendo: "Filhinho, agora, és um templo do Espírito Santo, conserva sempre teu coração puro e jamais o manches com o pecado!"
O maior empenho da boa mãe era incutir no espírito do filho um grande horror ao pecado e repetia-lhe estas palavras:"Meu filho, preferia ver-te morto e sem as insígnias do poder real, a saber-te manchado por um pecado mortal".
Estas e outras semelhantes exortações não deixavam de causar profunda impressão na alma da criança. Branca de Castela teve o maior cuidado em escolher ótimos professores e instrutores para o futuro rei.
Com a morte do pai, Luís foi coroado rei com doze anos, sob a regência de sua mãe Branca de Castela.
Em 1234, contraiu matrimônio com Margarida de Provença, princesa de grandes virtudes, como ele. Do matrimônio nasceram onze filhos.
Tendo completado os vinte e um anos de idade, assumiu o governo, continuando a ser o mesmo filho obediente e respeitoso para com sua mãe.
Luís soube conciliar com suas preocupa­ções governamentais uma piedade profunda, o espírito de penitência e grande caridade para com todos.
Ele assistia diariamente à santa missa, recebendo o "Pão dos Fortes" e levantava-se para rezar as Matinas. Ouvindo dizer que os nobres o censuravam por assistir à missa todos os dias, respondeu que "se ele dedicasse tempo dobrado para os jogos ou para a caça, ninguém o repreenderia!"
Sua maior preocupação no governo foi a administração da justiça, dedicando todos os dias algumas horas a ouvir qualquer pessoa que tivesse negócios a tratar.
Na opinião do grande bispo Bossuet, São Luís foi o rei mais santo e mais justo. Ele foi o protótipo do rei feudal, santo na vida pública e familiar; cuidou ao mesmo tempo dos interesses da França e da religião, que sempre amou e protegeu. Seu amor pessoal a Cristo, à Igreja e ao papa, levou-o a organizar duas vezes a cruzada, para libertar os lugares consagrados à memória de Cristo da profanação dos muçulmanos. Mas, não foi feliz: depois de uma primeira vitória no Egito, foi em seguida derrotado e feito prisio­neiro. Conseguiu a liberdade, só depois de cinco anos, a preço de ouro. Voltou para França, onde tinha falecido sua santa mãe.
Quinze anos depois, organizou mais uma cruzada; esta vez, foi a peste que vitimou grande parte do exército e a ele próprio.
Antes de fechar os olhos para o sono da morte, Luís entregou o governo ao filho Filipe. Com piedade que a todos comoveu, recebeu os santos sacramentos. Em sua grande humildade pediu que o deitassem sobre a cinza e, assim, com os braços cruzados sobre o peito, os olhos elevados ao céu, exalou o último suspiro, em 25 de agosto de 1270, na idade de 55 anos.
A fama de santidade e os milagres verifica­dos sobre seu túmulo levaram o Papa Bonifá­cio VIII a conferir-lhe oficialmente o título de santo.Seu nome entrou na galeria dos heróis e santos da Igreja e da França.
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