quinta-feira, 7 de junho de 2012

O ARAUTO DO GRANDE REI


JORNAL DE MAIO DE 2012 
     
      A vida em fraternidade: relação de intercâmbio e comunhão

- Experimentemos e partilhemos a bondade de Deus. Para Francisco o seguimento de Jesus e seu projeto missionário se faz em fraternidade e fraternalmente. Comecemos por João 13,34-35. O texto deixa muito claro que o verdadeiro sinal do cristão, isto é, do seguidor de Jesus Cristo, é o amor mútuo. “Nisto conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”. O amor mútuo é a nota característica fundamental do seguidor de Jesus.     
         Continuemos refletindo João 13,1-17, observando passo por passo a atitude de Jesus. Primeiro o despojamento da autoridade, ele tira o manto. Depois a investidura da condição de servo, cinge-se com uma toalha. Coloca a toalha no lugar de avental. Em seguida se põe a lavar os pés dos discípulos. Ora, porque os pés? Por que os pés são os servos das pessoas. São eles que as carregam. Por essa pratica Jesus ensina a servir os servos. Muitos não acham indigno nem desonroso servir senhores, pelo contrario, falam de “boca cheia”. Sou servo de fulano de tal. São raras as pessoas que publicam que servem servos. A dica de Jesus vai por aí. Discípulo de Jesus Cristo precisa servir os servos. A outra dica é que amar é servir. Amor autêntico se traduz em ação em favor dos pequenos.
         Para Francisco de Assis cada irmão é um dom, um presente do Senhor. O que ele faz com o dom? Busca orientação no Evangelho para saber. Crendo que foi o Senhor que enviou o irmão o Senhor também dirá o que fazer com ele. Assim, o centro da fraternidade não é nem Francisco que foi o primeiro, nem Bernardo, o novo irmão que esta chegando, mas Jesus que na verdade é o responsável pelo encontro dos dois. Francisco e Bernardo se encontram e formam fraternidade por Jesus e em Jesus.
         Vejamos ainda o que diz Espelho da Perfeição 85. Aí Francisco nos apresenta 9 frades com 17 virtudes e diz que eles, juntos, unidos, constituem o frade perfeito. Isso significa que o frade perfeito não é um individuo, mas uma fraternidade, os frades unidos, comungando e partilhando é que constituem uma perfeição. O que isso nos ensina? Que a maravilha que buscamos é construída com a partilha, a disponibilidade dos dons de cada irmão, mas nos diz também que o inferno se constitui da comunhão dos defeitos de cada um. Os mesmos 9 frades têm tantos defeitos quantas virtudes. Se optarem por colocar os defeitos para funcionar e se focarem neles vão ficar do jeito que o diabo gosta. A fraternidade ótima e a fraternidade péssima podem ser feitas com as mesmas pessoas. Depende da decisão que elas tomaram na relação de umas com as outras.

Fr. Moacir Casagrande OFMCap.

A Ascensão do Senhor na vida do cristão

Depois que o Senhor Jesus apareceu a seus discípulos foi elevado ao céu. Este acontecimento marca a transição entre a glória de Cristo ressuscitado e a de Cristo exaltado à direita do Pai. Marca também a possibilidade de que a humanidade entre no Reino de Deus como tantas vezes Jesus anunciou. Desta forma, a ascensão do Senhor se integra no Mistério da Encarnação, que é seu momento conclusivo.

Testemunhas de Cristo

A Ascensão de Cristo é também o ponto de partida para começar a ser testemunhas e anunciadores de Cristo exaltado que voltou ao Pai para sentar-se à sua direita. O Senhor glorificado continua presente no mundo por meio de sua ação nos que crêem em sua Palavra e deixam que o Espírito atue interiormente neles. O mandato de Jesus é claro e vigente: "Ide a todo o mundo e proclamai o Evangelho à toda a criatura". Por isso, a nova presença do Ressuscitado em sua Igreja faz com que seu seguidores constituam a comunidade de vida e de salvação.

A força do Evangelho

A Ascensão de Cristo ao céu não é o fim de sua presença entre os homens, mas o começo de uma nova forma de estar no mundo. Sua presença acompanha com sinais a missão evangelizadora de seus discípulos.

A comunidade pós-pascal necessitou de um tempo para reforça sua fé incipiente no Ressuscitado. A Ascensão é o fim de sua visibilidade terrena e o início de um novo tipo de presença entre nós.

Missão da Igreja

São Lucas, depois de escrever seu Evangelho, empreende também com a inspiração divina a tarefa de redigir algo do que ocorreu depois que Jesus ressuscitou e subiu ao céus. É a história do início da Igreja, os tempos fundacionais nos quais a mensagem cristã começa a ser proclamada como uma doutrina nova e surpreendente que deveria transformar o mundo inteiro. Assim nos refere que o Senhor, antes de subir ao trono de sua glória e enviar-lhes a força avassaladora do Espírito, aparece-lhe uma e outra vez durante quarenta dias, para fortalecê-los na fé e encender-lhes na caridades, para animá-los com a mais viva esperança.

Toma tua Cruz

Com a Ascensão, o mandato de Jesus cobra uma força singular; compreendendo o valor da Paixão e da Morte. A partir dessa nova perspectiva, a Cruz era a força e a sabedoria de Deus. A partir desse momento podia-se falar em perdão e conversão, sem duvidas do amor e do poder divino de Jesus. Foi possível a conversão, exortar os homens para que se reconciliassem com Deus, cheio de misericórdia. Com a Ascensão de Jesus Cristo o caminho está aberto, e os fiéis convidados a percorrê-lo com Ele.

Oração

Concedei-nos, Deus onipotente, exultar de alegria e dar-vos graças nesta liturgia de louvor, porque a ascensão de Jesus Cristo, vosso Filho, é nossa vitória, e onde nos Ele,que é nossa cabeça, nos precedeu, esperamos chegar também nós como membros de seu corpo. Por Jesus Cristo nosso Senhor, Amém.

A Lição do Fogo

Aprendendo a enxergar...

Um membro de um determinado grupo, ao qual prestava serviços regularmente, sem nenhum aviso deixou de participar de suas atividades.

Após algumas semanas, o líder daquele grupo decidiu visitá-lo. Era uma noite muito fria. O líder encontrou o homem em casa sozinho, sentado diante da lareira, onde ardia um fogo brilhante e acolhedor.
Adivinhando a razão da visita, o homem deu as boas-vindas ao líder, conduziu-o a uma grande cadeira perto da lareira e ficou quieto, esperando. O líder acomodou-se confortavelmente no local indicado, mas não disse nada. No silêncio sério que se formara, apenas contemplava a dança das chamas em torno das achas de lenha, que ardiam.

Ao cabo de alguns minutos, o líder examinou as brasas que se formaram e cuidadosamente selecionou uma delas, a mais incandescente de todas, empurrando-a para o lado.

Voltou então a sentar-se, permanecendo silencioso e imóvel. O anfitrião prestava atenção a tudo, fascinado e quieto.

Aos poucos a chama da brasa solitária diminuía, até que houve um brilho momentâneo e seu fogo apagou-se de vez. Em pouco tempo o que antes era uma festa de calor e luz, agora não passava de um negro, frio e morto pedaço de carvão recoberto de uma espessa camada de fuligem acinzentada.

Nenhuma palavra tinha sido dita desde o protocolar cumprimento inicial entre os dois amigos.

O líder, antes de se preparar para sair, manipulou novamente o carvão frio e inútil, colocando-o de volta no meio do fogo. Quase que imediatamente ele tornou a incandescer, alimentado pela luz e calor dos carvões ardentes em torno dele.

Quando o líder alcançou a porta para partir, seu anfitrião disse: -Obrigado. Por sua visita e pelo belíssimo sermão. Estou voltando ao convívio do grupo. Deus te abençoe!
                                                                                                                                                                                (Autor desconhecido)
                                            
Esta mensagem nos leva a fazer uma reflexão...

Não há quem possa dizer que consegue viver sozinho, sem a ajuda de outrem. Todos precisamos ou precisaremos uns dos outros. Se nos afastarmos de tudo e de todos, morreremos! Uns de tristeza, outros de angústia, outros de solidão e ainda outros da falta de carinho ou até mesmo de uma simples palavra de conforto. Não se isole!

Para aqueles que são membros de um grupo, é necessário estar prontos a entender que eles fazem parte do fogo. Sabemos que o fogo é formado não apenas de um pedaço de carvão, mas de muitos pedaços, sejam grande ou pequenos. A chama de um pedaço grande de carvão se extinguirá da mesma forma que um pequeno, com a diferença que levará um tempo maior.
Cada um de nós somos um "pedaço de carvão" e se nos afastarmos do "fogo" (grupo), se ficarmos longe por muito tempo, perderemos nossa chama e nos apagaremos.

Mas para aqueles que são lideres, é preciso lembrar que eles são responsáveis por manter acesa a chama de cada um "pedaço de carvão" e por promover a união entre todos os membros. O líder precisa entender que ele deve, a todo instante, estar atento com cada uma das "brasas" que estejam com seu brilho não tão incandescente, para puxá-la para perto do fogo (grupo), para que o fogo destas "brasas" possam ficar novamente fortes, e possam se tornar mais duradouras.

Assim é o cristão, é necessário que ele esteja em comunhão com os outros irmãos. No momento em que nos afastarmos, deixaremos de ter prazer nas coisas de 
Deus.
O motivo principal de nós cristãos estarmos no tempo, é louvar ao 
Senhor e manter a comunhão com os irmão. E se deixamos de ir à igreja, de ler freqüentemente a Bíblia, então nossa chama começa a se apagar e passamos a nos afastar do Senhor Jesus, que é o "Fogo".

Nós somos "as brasas" e 
Cristo, pela Sua Palavra, está nos trazendo de volta ao fogo, seja através do padre, do ministro, do pastor, de um amigo, de um conhecido, de um outro irmão.
Se não ficarmos firmes nas 
Suas Promessas, não conseguimos caminhar sozinhos. Quando estamos sós, com nossa chama apagada, não conseguimos ver mais nada e, passamos a ser guiados pelo nosso coração.

O Profeta Jeremias conhecia seu coração perverso e sabia que não podia se afastar de Deus. "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?" (Jeremias 17:9).

Extraído do site: www.dannybia.com



40 anos da unificação da OFS do Brasil
1972/2012

Especial para O Arauto do Grande Rei, da Fraternidade de Petrópolis,RJ

V

Preparando o II Congresso Nacional da OFS e promovendo a união de todas as Fraternidades

 A unificação da OFS do Brasil resultou de um trabalho de preparação, avançando aos poucos e por etapas, durante mais de 15 (quinze) anos. Grupos diversos se empenharam nesse objetivo, realizando-o com muito desprendimento, dedicação e amor, orvalhados por mil graças do céu. Hoje, a Deus e a eles, somos devedores de muita gratidão.

Iniciou-se esse trabalho antes de São Lourenço (1963), com o Encontro de Ipanema (1955) e com a união das três Obediências na Conferência dos Comissários  Provinciais para a OTSF (1957-1962). Cresceu com o Congresso de São Lourenço. Multiplicou-se com a tenacidade de Frei Mateus e de seus auxiliares no Secretariado Nacional. Foi chegando às Fraternidades Locais e aos irmãos e irmãs pela realização de Encontros e de fins-de-semana de estudo, reflexão e oração. A nova formação dos Terceiros encontrou em “Paz e Bem” material adequado e incentivos, inclusive, para os jovens. O boletim também divulgava informações sobre o que acontecia e se fazia, de interesse da OFS, aqui, no Brasil, em Roma e em outros países. Todos, religiosos e leigos, eram concitados a participar dessa renovação e atualização da Ordem Terceira Franciscana. Era assim que se ia caminhando para a unificação de todas as nossas Fraternidades.

Na seqüência, lê-se em “Paz e Bem”, 1965, nº 2, pág. 55: “A cúpula da Ordem III Franciscana do Brasil, aproveitando o encontro que se realizou na Guanabara (por ocasião do jubileu áureo de Frei Mateus), resolveu (em três sucessivas reuniões) após os esclarecimentos que foram sendo dados e os naturais debates”, acertar a data, o programa e outras medidas para a realização do 2º Congresso Nacional Interobediencial Terciário Franciscano.
               Decisões tomadas (em janeiro de 1965)
               a) – Local: Caxias do Sul, RS
               b)– Data:  de 7 a 11 de fevereiro de 1966, 3ª reunião Nacional Interobediencial de Dirigentes Terciários;
                              dias 12 e 13, II Congresso Nacional Terciário com congressistas vindos de todas as partes do
                              Brasil.
            c) – Os Comissários e os sacerdotes inscreverão nominalmente os leigos que participarão como seus as-
                   sessores. 
            d) – Constituir a Comissão Central, no Rio, com Frei Mateus, os leigos do Secretariado e outros leigos
                   das várias Obediências, que aceitarem participar.
            e) – Criar, anexa à Comissão Central, a Secretaria Geral da 3ª Reunião de Dirigentes e do 2º Congresso
                   Nacional da OFS. Entregar sua organização e funcionamento ao Ministro da Fraternidade de Petró-
                   polis. O irmão General Luiz Guimarães Regadas foi escolhido Presidente da Comissão Central.
            f) – Confiar a Frei Aloísio de Garibaldi, novo Comissário Provincial dos Capuchinhos do Rio Grande do
                   Sul, a organização da Comissão Local, incumbidos de todos os preparativos e da realização do
                   Congresso.
            g) – Apresentado por Frei Mateus, foi aprovado o Tema Geral do Congresso, desdobrado em cinco temas
                    particulares.
            Tema Geral: A nossa missão franciscana na Igreja é viver de maneira exemplar o santo Evangelho de N. Sr. Jesus Cristo.
            Os cinco temas:
            1º) – A mística do santo Evangelho.
            2º) – O espírito de pobreza vivido pelos leigos.
            3º) – O espírito de caridade fraterna no meio de um mundo de ódio e egoísmo.
            4º) – O espírito comunitário como Cristo o quer na família, na Fraternidade, na Igreja.
            5º) – A consagração do mundo pelo trabalho diário.

            Cada tema foi entregue a uma das Províncias Franciscanas para ser desenvolvido. Depois de ser elaborado por religiosos e terceiros, era revisado por uma Subcomissão, constituída pela Comissão Central, que poderia apresentar emendas de redação e outras sugestões. Se fosse o caso, revisado pelos autores, a Subcomissão aprovaria o texto, em definitivo. Era, então, remetido a todos os Comissários Provinciais, que o passariam às suas Fraternidades Locais para estudo. Resultado: os Congressistas, já antes de Caxias do Sul, conheciam os Temas que seriam submetidos à sua aprovação no Plenário do Congresso. Novidade? Não. Estávamos copiando o que fizera o Vaticano II na sua realização.

            A Comissão Central fez mais para essa conscientização e mobilização dos Terceiros para o Congresso. Propôs que as Fraternidades promovessem concursos internos de cartazes sobre São Francisco e a OFS. Outro concurso era para se ter a letra e a música do Congresso. A letra premiada foi a de Frei Carmelo, calcada nos temas do Congresso, com música de Frei Romano. Foi proposto ainda que as Fraternidades se organizassem para obter recursos para as despesas dos seus representantes no Congresso e também para a parcela de sua ajuda nas despesas do Congresso, que não serão pequenas.
            Outra medida importante foi a que cada Fraternidade fizesse um inquérito sobre como estava cumprindo as resoluções do Congresso de São Lourenço.

            Houve mais, porém.
            O Secretário Geral redigiu o texto do Regimento Interno do Congresso, o qual foi discutido em reuniões com a Comissão Central. No entanto, em conseqüência de um seu encontro, em São Paulo, com Frei Eugênio de Conchas e membros da Comissão Pro-Congresso, ligada aos Capuchinhos, o Regimento Interno foi reelaborado como Estatuto, incluindo o que haviam ponderado. Isto é. Que, sendo a OTF uma Ordem de Leigos, o Congresso Nacional devia ser dirigido por leigos, não como assessores dos Comissários, mas,  ao contrário, assessorados pelos Comissários. Importante, pois, foi essa decisão. Os Terceiros começavam a assumir a direção da sua Ordem. O Presidente da Comissão Central, um leigo, passava a ser o Presidente do Congresso Nacional.

            Frei Aloísio com a Comissão Local se desdobrava nos preparativos e se preocupava com o possível número de Congressistas para poder alojá-los a todos. Em maio, o Secretário Geral foi a Caxias do Sul para entrosar-se e colaborar com a Comissão Local. Em agosto, o Presidente da Comissão Central também foi a Caxias do Sul e a Porto Alegre, tendo realizado entendimentos e intensa divulgação do Congresso com o apoio das autoridades, de um modo geral, e dos franciscanos seculares, em particular.

            Em função da aprovação do Estatuto do Congresso, cada Obediência, por seu Comissário Nacional, devia nomear seu Presidente Nacional, que organizaria seu Discretório Nacional e, paralelamente, seriam organizados os Discretórios Provinciais. Pelos Franciscanos, Frei Mateus nomeou como Presidente Nacional a Dra. Mariana Lorena Bastos e como Presidente Provincial o Sr. Aylton Almeida. Por sua vez, pelos Conventuais, foi nomeado novo Comissário Nacional Frei Jerônimo Campioni, de Santo André,SP. Pelos Capuchinhos, Frei Aloísio foi confirmado Comissário Nacional. Ambos designaram o respectivo Presidente Nacional.

            No Rio de Janeiro, junto à Comissão Central, funcionavam várias Subcomissões, muito ativas.
            Para o Congresso, tratou-se de despertar em todo o Brasil um novo e mais vivo interesse por São Francisco e seu carisma, mediante cartas-circulares, correspondência e divulgação pela imprensa e pelo rádio. O Presidente da CNBB, os Bispos e os párocos foram informados sobre o evento e solicitados a apoiarem o movimento. Também às Autoridades civís dos Estados e Municípios foram dirigidas informações e solicitado apoio a esse movimento de renovação cristã, inclusive, nas escolas.

            Caminhava-se assim, com muita disposição, trabalho e união, alegria e esperança para a realização de um grande evento e de um sonho acalentado.
           
            Deus seja louvado!

                                                                                                               (continua no informativo de junho)
                                            
                                                                                                         Paulo Machado da Costa e Silva,OFS

Nota: – Os artigos podem ser transcritos, indicando-se a procedência.
             À medida que esses artigos vão sendo publicados no jornalzinho da nossa Fraternidade, eles serão
              colocados em nosso blog: ofssagradopetropolis@blogspot.com

FOLDER DISTRIBUIDO NA MISSA DAS 16:15 HORAS DO DIA 03 DE MAIO DE 2012


INFORMATIVO

Ano III  -  MAIO DE 2012 -  Nº  12

ESPIRITUALIDADE  FRANCISCANA

O BEM-AVENTURADO LUQUÉSIO

I. Um homem de negócios que não perdeu sua  meta.
(Continuação)

Mas o verdadeiro motivo que arrastava Luquésio, a contragosto, a formar a sua consciência, era que o conhecimento da sua injustiça havia firmado o problema complicado da restituição, visto não se renunciar facilmente aos bens já adquiri­dos.
Ele estava tão bem instalado! Morava agora numa bela casa, grande como um palácio, com chaminés de mármore, tape­tes cobrindo o soalho, móveis de madeiras preciosas e uma quantidade de raros bibelots. Nos jantares que oferecia a amigos escolhidos, sentia-se ufano em exibir sua baixela de prata. E quando Luquésio pas­sava pelas ruas, os chapéus desciam até ao chão diante de suas vestes de brocado. Sem dúvida se lembravam de que maneira ele havia conseguido tudo aquilo e comen­tavam com reserva; não obstante, reco­nheciam o fruto da habilidade e esses mal­dizentes intimamente o invejavam, con­vencidos de que no lugar dele teriam fei­to o mesmo. Havia sido bem sucedido, por conseguinte devia ser respeitado.
Afinal era rico, tendo-se tornado um personagem de destaque, respeitado, lison­jeado, vivendo com largueza, recebido na alta sociedade e gozando de uma vasta influência na cidade de Poggi-Bonzi. Os sonhos se tinham realizado; digo melhor: ele os havia realizado jovem ainda — pois com menos de 30 anos conseguiu mais do que outros em toda a vida. Sua casa abri­gava o que se chama uma família feliz.

II.                O  despertar do erro.

Eis que no momento de gozar da for­tuna, Luquésio pasmou por não se sentir plenamente satisfeito e nada feliz. No lu­xo, com este conforto, estas honras que tanto trabalho lhe deram para conseguir, eis que se sentia desorientado, embaraça­do, alheio, como se estas coisas não tives­sem sido feitas para ele, como se nada ti­vesse desejado de tudo daquilo.
Por que razão toda essa agitação, todo esse trabalho para chegar a uma vida efê­mera, insípida, vazia, que não lhe signi­ficava mais nada?
Para resolver este confuso enigma, Lu­quésio repassava instintivamente na ima­ginação os anos decorridos; parecia-lhe tê-los passado numa espécie de incons­ciência. E terminava, imaginando-se jo­vem em Caggiani, antes de tudo isto acon­tecer, e convencia-se de que tinha, então, uma alma feliz, mais livre que a do mo­mento presente.
Na trégua que se operava depois da luta, parecia-lhe encontrar-se a si mesmo, que descuidosamente, como alguém, foi perdi­do de vista por longos anos. Encontrava-se com o seu coração: e era este que se sentia desgostoso.
Verificava uma coisa estranha: a ten­dência contínua destes anos, para um al­vo determinado e obcecante, havia de cer­ta forma abafado e imobilizado sua alma no que ela tinha de melhor; a luta pelo dinheiro o tinha tão bem confiscado, a ponto de substituí-lo por um estrangeiro: um cruel e cobiçoso comerciante. No fun­do, ele era naturalmente reto, bom, ge­neroso mesmo. E agora que se lhe depara­va a ocasião de entrar em si mesmo, es­sa bondade inata se insurgia, reclamava contra o "outro", recordando à consciên­cia de Luquésio sua injustiça, sua dureza, todas as vítimas que havia feito. E as noi­tes se tornavam agitadas. Durante as ho­ras de penosa sonolência, imagens deplo­ráveis e sinistras, em longas sarabandas, passavam diante dos seus olhos; via lares arruinados, famílias esfomeadas lançadas à rua, vendas pungentes de mobiliários, mães que o olhavam fixamente, mostran­do-lhe seus filhos macilentos, pais que lhe estendiam os punhos, amaldiçoando o mo­nopolista ... Luquésio rolava no leito, en­terrava o rosto no travesseiro quente, para fugir às visões importunas. Mas o suplício continuava; a seus ouvidos chegava sem interrupção a voz daquele infeliz que, to­mando co-nhecimento de sua ruína, lhe ha­via gritado ao retirar-se: "Deus te amal­diçoe, assassino!" E no seu coração sen­tia novamente um choque idêntico ao que sofrera um dia sob a injúria sanguinolen­ta. Oh, esta rápida cena de alguns segun­dos, este gesto desesperado e indignado, este olhar cheio de ódio, como se havia, entre tantos outros, instalado, incrustado na sua retina! Uma voz rouca, de repen­te alterada,   vibrava constantemente aos seus  ouvidos: "Assassino!   Assassino!..." Sim, era verdade! Ele havia sido assassino, tomando o pão dos outros; havia odiosa­mente explorado a miséria para enrique­cer, e havia abusado da boa fé da pobre gente que nele confiara: e era ele, Luquésio, que, quase sem o saber, tinha chegado a esse ponto! E então se amaldiçoava: — "Miserável, eis que centenas de infelizes te cobrem de maldições. Um dia eles se er­guerão contra ti,  diante de  Deus,  e en­tão..." E de súbito um terror atroz apo­derava-se dele, com o  pensamento no juizo,  pois sua fé  permanecia intacta... "Sim, é uma outra maldição que cairá sobre ti; então... E tu ficarás à esquerda... à es­querda, meu Deus! Para sempre!...  Ah, imbecil, de que te serviram estes ducados e estes carlins que amontoaste, estas ter­ras que compraste e esta baixela de que te orgulhas? Assassino! é de teus homicí­dios que te orgulhas!"



Continua no informativo – Ano IV -            JUNHO DE 2012  -  Nº  01



SANTOS FRANCISCANOS

MES DE MAIO

1 — B. Juliano de Istria,  1ª Ordem
2 — B. Vivaldo de S. Gimignano,  3ª Ordem.
3 — B. Petronila de Troyes, 2ª Ordem.
4 — B. Ladislau de Gielnow, 1ª Ordem.
5 — B. Benvenuto de Recanati, 1ª Ordem.
6 — B. Bartolomeu de Montepulciano, 1ª Ordem
7 — B. Maria de Santa Natália, 3ª Ordem Regular, mártir da China
8 — IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA
9 — S. Catarina de Bolonha, 2ª Ordem.
10 — B. Félix de Nicósia, 1ª Ordem.
11 — S. Inácio de Laconi, 1ª Ordem.
12 — B. João de Cetina, 1ª Ordem, mártir
13 — B. Pedro de Duenas,  1ª Ordem, mártir
14 — B. Crispim de Viterbo, 1ª Ordem.
15 —  B. Humiliana Cerchi, 3ª Ordem.
16 — S. Margarida   de   Cortona, 3ª Ordem.
17 — S. Pascoal de Bailão,  1ª Ordem.
18 — S. Félix de Cantalício, 1ª Ordem.
19 — S. Teófilo da Corte
20 — S. Bernardino de Sena, 1ª Ordem.
21 — S. Ivo de Bretanha, 3ª Ordem.
22 — B. João Forest, 1ª Ordem, mártir
23 — B. João de Prado, 1ª Ordem, mártir
24 — DEDICAÇÃO DA BASÍLICA DE S. FRANCISCO EM ASSIS
25 —B. Gerardo   de   Vilamagna, 3ª Ordem.
26 — B. Estêvão de  Narbona, 1ª Ordem, mártir
27 — B. Raimundo de Carbona, 1ª Ordem, Mártir
28 — S. Maria Ana de Jesus Paredes, 3ª Ordem
29 — B. Herculano de Piegaro, 1ª Ordem.
30 — B. Camila Baptista Varano, 2ª Ordem.
31— S. Fernando III,Rei de Castela, 3ª Ordem 

O ARAUTO DO GRANDE REI

                                                             JORNAL DE ABRIL DE 2012

                                                         CAPITULO ELETIVO
A Fraternidade do Sagrado Coração de Jesus, de Petrópolis (RJ) celebrou no dia 18 de março, o seu Capítulo Eletivo.
Foram eleitos: Maria Aparecida Oliveira da Silva (Ministra) e Jair José Ferreira (Vice); José Carlos Melatti (1º Tesoureiro), Benedita de Carvalho (2ª Tesoureira); Luiz Alberto Vianna (Formador), Marlene Andrade (1ª Secretaria), Deolinda Diniz (2ª Secretaria), Marcio Andrade (Coord. de Comunicação), Ilza Leitão (SEI- Serviço aos Enfermos e Idosos); e para o Conselho Fiscal - Carolina Luzia de Jesus, Maria Helena Nunes Werner e Maria da Glória Alvarenga.
O Capítulo foi presidido pelo Coordenador Regional para o Primeiro Distrito, Marco Antonio Rodriguez, acompanhado pelo Assistente Regional Fr. Edcarlos Hoffmann, Ofmcap.
Os irmãos conselheiros eleitos agradecem a confiança e contam com a colaboração de toda a Fraternidade com suas orações, e participação na vida da Fraternidade para que, a fraternidade realmente aconteça, pois, formada por pessoas humanas, sujeitas ao erro, nos organizamos em fraternidade justamente para que, como irmãos, aprendamos a colaborar uns com os outros no aperfeiçoamento mútuo para que alcancemos todos como a nossa Regra, em seu capitulo nº 1, nos orienta a alcançarmos a perfeição da caridade como irmãos e irmãs que devemos ser.
E, pensando em fraternidade, temos um exemplo muito claro de fraternidade. Trata-se da história de uma olimpíada organizada para crianças deficientes. A história conta que um grupo de crianças com deficiência, após a largada para uma corrida de 50 metros rasos, todos saíram em disparada de acordo com suas limitações, com exceção de um, que ao tropeçar em seu próprio pé, caiu, machucou o joelho e se pos a chorar.
Uma menina com síndrome de down, ao escutar o choro, parou e olhou para traz, e ao ver o menino caído a chorar, retornou, no que os demais ao ver o porquê ela retornava, também retornaram esquecendo-se de seus objetivos, que era ganhar a corrida. Ela se abaixou próxima ao menino e se pos a consolá-lo: “não chore, o seu joelho vai melhorar e nós vamos ganhar a corrida juntos”.
O menino se levantou, bateu a poeira da roupa. A menina lhe deu a mão e todos os demais se deram as mãos, fechando a pista de corrida de um canto a outro, e se puseram a fazer o percurso de corrida chegando todos juntos ao final para surpresa de toda a multidão, que assistia e comentava: “De fato, estas crianças podem ser deficientes físicos e mentais, mas, com certeza, não são deficientes em seu coração”.
Que nesta nova etapa de nossa fraternidade aprendamos com estas crianças a nos darmos as mãos e chegarmos à reta final felizes pela missão cumprida e o resultado obtido: Uma fraternidade onde as pessoas se ajudam umas às outras a alcançar a perfeição da caridade.
Deus abençoe esses nossos irmãos no serviço que acabam de assumir em favor de toda a Fraternidade.

Paz e Bem!

II DOMINGO DA PASCOA


Há oito dias atrás, no primeiro dia após o Sábado dos judeus, ao anoitecer, Jesus ressuscitado entrou onde estavam os discípulos e lhes disse: “A paz esteja convosco!” Há oito dias, no Dia da Ressurreição, o nosso Jesus, vencedor da morte, enviado pelo Pai no Espírito Santo, soprou esse mesmo Espírito sobre seus discípulos, sua Igreja, e disse: “Como o Pai me enviou, também eu vos envio. Recebei o Espírito Santo!” Há oito dias atrás, Tomé, teimoso e incrédulo, afirmou: “Se eu não vir as marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei!” Todas essas coisas que ouvimos no Evangelho de hoje, ocorreram no Domingo de Páscoa, no Dia da Ressurreição, há precisamente uma semana.
          Hoje é a Oitava da Festa pascal, o Domingo seguinte. E como no Domingo passado, também hoje, neste Domingo, o Senhor vem ao encontro dos seus discípulos e coloca-se no meio deles. Será sempre assim: a cada oito dias os cristãos reunidos experimentarão na Palavra proclamada e no Sacrifício eucarístico celebrado, a presença real, viva e atuante Daquele que ressuscitou e caminha conosco, ou melhor, caminha à nossa frente. E como Tomé, nós, a cada Domingo, admirados, exclamamos: “Meu Senhor e meu Deus!” E queremos, emocionados, ouvi-lo novamente dizer a nosso respeito: “Acreditaste porque me viste, Tomé. Bem-aventurados os que creram sem terem visto!” Bem-aventurados nós, caríssimos meus em Cristo aqui presentes! Bem-aventurados nós que firmemente cremos no Senhor e participamos do seu Sacrifício eucarístico, ainda que não tenhamos visto o Senhor com os olhos da carne!
          Eis precisamente aqui a mensagem deste Domingo da Oitava: fazer-nos conscientes do nosso encontro, da nossa comunhão real, íntima, transformante, com o Senhor ressuscitado. Este encontro que ocorre de modo mais intenso a cada Domingo na Eucaristia – e, por isso mesmo, faltar à Missa dominical é excluir-se da Comunidade dos discípulos, é “ex-comungar-se”, é colocar-se fora da Comunhão com o Ressuscitado e aqueles aos quais ele chama de “meus irmãos”... Este encontro que ocorre de modo mais intenso a cada Domingo nesta Eucaristia, não começou aqui; iniciou-se no nosso Batismo, quando recebemos, no símbolo da água, o Espírito Santo do Ressuscitado, passando a viver nele que, no seu Espírito, veio realmente viver em nós! ...
 Vence o mundo quem crê em Jesus; não num Jesus do passado, mas num Jesus que está vivo e na força do Espírito Santo, o Espírito da Verdade, que ele derramou sobre nós, vem ao nosso encontro, habita em nosso íntimo. Como? Pelos sacramentos! É nos sacramentos que recebemos o Espírito Santo, é nos sacramentos que o Senhor entra em comunhão conosco e nós com ele. Ele vem continuamente, vivo e vivificador pela água do Batismo e o Sangue da Eucaristia! Nos santos sacramentos, nós experimentamos Jesus, recebemos a vida de Jesus e podemos testemunhar ao mundo que Jesus está vivo e atuante! Que realidade tão misteriosa; que graça tão grande: Jesus é o que vem sempre à sua Igreja na água e no sangue; e ambos nos dão o Espírito Santo de Jesus! ...
          Ora, caríssimos, se vivemos mergulhados nesse mistério tão grande, que é a real e íntima comunhão com o Senhor ressuscitado, se experimentamos sua força e sua graça nos sacramentos, se nele, Vencedor da morte, somos criaturas nova, então vivamos de modo novo. E não somente de modo individual, mas como Comunidade dos salvos e redimidos por Cristo. Vede, irmãos meus, o exemplo descrito na Primeira leitura, a Igreja católica de Jerusalém, logo após a Ressurreição e o Dom do Espírito: nós éramos “um só coração e uma só alma”, sabíamos repartir amor e bens, colocando a vida em comum, e toda a nossa vida comunitária era uma clara proclamação da novidade, da alegria e da esperança de quem sabia e vivia a Ressurreição do Senhor. Dois mil anos após, não damos mais a impressão de um bando de discípulos sonolentos e cansados? Não parecemos mais uns conformados e desanimados, mornos pelo peso do tempo? Nossa vida, será que não exprime mais comodismo e falta de fé, que aquela feliz exultação de quem tem sempre Jesus diante dos olhos? Sabem o motivo disso, meus caros? Falta de comunhão viva com o Senhor na sua Palavra, na oração e, sobretudo, nos sacramentos! Muitos de nós temos uma fé fria, formal, burocrática, teórica. Não é a idéia, mas o amor que dá sentido e gosto à vida!
          Caros meus, aprendamos a nos reaproximar de Jesus! Ele está vivo aqui, na Palavra, na Eucaristia, nos irmãos, na vida. Se aprendermos a vê-lo, mais uma vez, cheios de pasmos, exclamaremos como o duro Tomé: “Meu Senhor e meu Deus!” Que ele no-lo conceda por sua graça. Amém.
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DSI - Doutrina Social da Igreja

O Papa Leão XIII, com a Encíclica Rerum Novarum, deu início a uma série de documentos, hoje reconhecidos como base da Doutrina Social da Igreja. Ler, refletir e colocar em prática a mensagem destes documentos, mais do que uma obrigação, passa a ser um imperativo da nossa fé cristã.

RAÍZES BÍBLICAS NO NOVO TESTAMENTO

A Doutrina Social da Igreja no Novo testamento é a pedagogia do Reinado de Deus manifestada por Jesus Cristo.
O  Evangelho é, por excelência, a doutrina social do amor, da fraternidade, da solidariedade e da justiça.
O Novo Testamento nos apresenta uma doutrina social condizente com a fé cristã e o exemplo deixado por Jesus Cristo. Se o Reino de Deus é alegria, felicidade, perfeição e comunhão, estas realidades precisam ser buscadas e construídas aqui  e agora. O Reino de Deus não é uma questão de sorte, mas uma decisão pessoal de adesão a Jesus Cristo, seu Evangelho e o compromisso com o outro. Esta forma de ver e refletir nos é oferecida como abertura do programa de Jesus, no Sermão da Montanha.
As Bem-aventuranças.
O discurso de Jesus sobre as Bem-aventuranças, em Mateus 5,2-12, pode constituir-se numa síntese da doutrina social. O cristianismo não precisaria de nenhum outro auxílio senão o Evangelho para encontrar suas fontes e argumentos sérios para suas posições no campo social. Jesus subiu à montanha, sem fazer qualquer restrição sobre os que estavam com ele e, ao olhar sobre a multidão, como ovelhas sem pastor proferiu seu grande discurso, começando com as bem-aventuranças.
No que concerne à doutrina social, destacamos duas bem aventuranças: bem aventurados os costrutores da paz (Mt 5,9) e bem-aventurados os que têm fome e sede(Lc 6,21) de justiça (Mt 5,6). A Justiça e a Paz andam de mãos dadas em qualquer lugar.
O quadro abaixo pode ilustrar a postura cristã no discurso das Bem-aventuranças. Se há um quadro de bem-aventurados, automaticamente há outro de amaldiçoados, pois negaram, rejeitaram e se opuseram à proposta das bem-aventuranças.

Felizes

  • Os pobres (em espírito)
  • Os que choram(injustiçados)
  • Os mansos (não-violentos)   
  • Os que tem fome e sede de justiça
  •  Os  mísericordíosos (Os que se compadecem do próximo)       
  • Os de coração puro
  • Os construtores da paz os perseguídos par causa da justiça

Infelizes

·       Os ricos (de espirito soberbo)
·       Os que ríem do mal ímposto
·       Os violentos e agressívos
·       Os que elaboram leís ínjustas e prívam os justos do seu direito
·       Os que expropriam os pobres da terra,da justiça e da vida
·       Os impios, pérfidos e mentirosos.
·       Os construtores das armas, da guerra e da prepotência


Nossos objetivos
-Prestar um serviço constante e generoso à Igreja… exercendo uma profissão secular, para animar e orientar cristãmente as realidades terrestres… dilatando o Reino de Cristo.
- Difundir o espírito franciscano no mundo
Família e vocação franciscana secular

Os franciscanos seculares considerem a família como o âmbito prioritário para viver o próprio compromisso cristão e a vocação franciscana e nela deem espaço à oração, à Palavra de Deus e à catequese, empenhando-se no respeito à vida, desde a concepção, e em qualquer situação, até à morte. (Const. Gerais da OFS, art 24, n.1).

1. Ninguém dúvida que a família seja uma das mais fundamentais e importantes realidades de todas as existências. A artigo da CCGG da OFS acima mencionado fala da família como âmbito, espaço prioritário para os franciscanos seculares. O texto pede que os seculares vivam todas as dimensões da Igreja doméstica que é a família. A Regra pede que vivam em família o espírito de paz, da fidelidade e do respeito pela vida. Que a família dos franciscanos seja, diante dos homens, sinal de um mundo já renovado em Cristo (cf. n. 15). Não estamos diante de um tema secundário, mas prioritário para a vida das fraternidades franciscanas, para a sociedade e para a Igreja. Todas as campanhas que visam destruir e desestabilizar a família deterioram o amanhã da humanidade.

2. Duas observações preliminares para que este texto possa ser bem compreendido. O autor destas linhas tem pleníssima consciência da complexidade cultural, social e religiosa das famílias de hoje. Não é possível, sem mais nem menos, querer rapidamente que nossas famílias se tornem Igrejas domésticas. Há uma decalagem entre o ideal e o que acontece. Essa é a primeira observação. Ao refletir sobre OFS e família não há nenhuma intenção de dogmatizar que nossas Fraternidades devam ser constituídas por casais e famílias. A OFS não é um grupo familiar. Sabemos disto. É uma escola de santificação aberta a todos.

3. O último Capitulo Nacional da OFS de Manaus pediu que, no triênio em curso, se prestasse atenção na ação missionária dos seculares. Falou-se da elaboração de um programa de ação missionária que viesse também a contemplar a atuação nas famílias, células primeiras da transformação do mundo… Porque o futuro da humanidade passa pela família, no dizer do Papa João Paulo e porque os seculares franciscanos precisam priorizar a família, fazemos algumas considerações que nos parecem oportunas visando irmãos em geral, mas de modo particular a atuação dos assistentes no seio de nossas Fraternidades. Cabe a estes fazer com que as Fraternidades tenham preocupações eclesiais.
4. As pessoas resolvem ser franciscanas seculares por vocação. Há todo um período de discernimento, de formação, de vivência numa fraternidade antes da profissão. Há um duplo movimento: os que são chamados a seguir Francisco no mundo se reúnem em fraternidades, mas logo em seguida são reenvidados ao mundo. Um rapaz, uma moça, um homem e uma mulher fazem parte de uma família. Ali eles serão franciscanos: a busca incessante do rosto de Deus, uma vida despojada e alegre cantando as glórias do Senhor, evangelizando, de alguma forma, a própria família. Não posso imaginar um franciscano secular sem apreço, carinho, devotamento, dedicação à própria família. Isso se traduz numa alegria de viver à mesa com os seus, de passar, pelo modo de ser, a alegria da simplicidade e da pobreza, o distanciamento de toda ostentação, mesmo contrariando membros da família. Não me parece normal que uma senhora, por exemplo, faça sua profissão, seu jubileu de prata na OFS sem que isto tenha nenhum significado para seu marido, seus filhos e seus familiares. Por isso sonho, sonho mesmo, que em muitas Fraternidades haja casados que caminhem juntos, que os dois construam uma família franciscana. Sonho com Fraternidades que tenham a criatividade e a decisão de fazer encontros com os familiares. Não é possível que anos a fio essas reuniões das Fraternidades ignorem as famílias. Filhos, irmãos, pais dos seculares precisam ser estimados pelos irmãos da Fraternidade.
(*) Frei Almir Ribeiro Guimarães, OFM


                                               40 anos da unificação da OFS do Brasil
                                                                   1972/2012

                          Especial para O Arauto do Grande Rei, da Fraternidade de Petrópolis, RJ
                                                                              IV
                                                     Entre São Lourenço e Caxias do Sul.
                                                                   
                                                                    (1964 – 1965)

 O ano de 1964, segundo escreve Frei Mateus, foi o ano da FORMAÇÃO. O boletim “Paz e Bem” ofereceu matéria e orientação para a reflexão dos Terceiros nos círculos de estudo, segundo o método do “ver, julgar e agir”. Tudo estava embebido do espírito de “aggiornamento” do Concílio Vaticano II e da doutrina social da Igreja contida nas encíclicas MATER ET MAGISTRA e PACEM IN TERRIS.

 Os Terceiros, por sua vez, demonstravam um interesse cada vez maior pelo conhecimento e vivência do carisma franciscano. Em conseqüência, aumentou, para Frei Mateus, o atendimento a ser dado à crescente correspondência vinda das Fraternidades. No Secretariado Nacional, também tornou-se maior o número de visitantes em busca de esclarecimentos e de ajuda na direção de Fraternidades.


 Com o objetivo de se preparar dirigentes religiosos e leigos, passaram a ser realizados Encontros e Congressos distritais e regionais. Assim, em janeiro de 1964, realizou-se o 1º Curso para Dirigentes do Distrito de Blumenau,SC, sob a orientação de Frei Mateus. Também os Capuchinhos, com sucesso, promoveram dois cursos Intensivos sobre a OFS, um em Vacaria, em janeiro, e outro, em fevereiro, em Caxias do Sul. Em abril e maio, houve Cursos para Dirigentes nos Distritos de Nilópolis (Baixada Fluminense) e no de Guaratinguetá (SP). Em julho, reuniu-se, em Ponta Grossa (PR), a Conferência dos Comissários Provinciais Capuchinhos do Sul e do Centro do Brasil para tratarem de diversos temas de interesse da OFS. Em agosto, houve Encontros em Belo Horizonte e em Santos Dumont, na Província OFM de Santa Cruz (MG). Também em Porto Alegre (RS), foi promovido o 1º Encontro da Fraternidade dos Franciscanos com a dos Capuchinhos, as quais viviam isoladas. Muitos outros esforços pela conscientização dos leigos Terceiros foram se verificando em várias outras partes do Brasil nesse abençoado ano de 1964, dedicado à FORMAÇÃO.


 Nessa linha de formação, sempre objetiva e de sentido prático, foram importantes dois Encontros, realizados em setembro de 1964, o da Porciúncula, em Niterói, e o de Petrópolis. Ambos ampliaram o entendimento e a colaboração entre os Terceiros fluminenses e deles com seus Diretores e o Secretariado Nacional.

 No Encontro da Porciúncula, de 5 a 7 de setembro, estavam presentes os Dirigentes de 9 Fraternidades dos 1º e 2º Distritos da I Região: Niterói, Quissamã, Santo Antonio (GB), Petrópolis, Capuchinhos (GB), Conventuais (GB), Cavalcante, Cabo Frio e Ipanema (GB), num total de 62 participantes. O Ministro de Petrópolis foi designado Secretário Geral do Encontro. Por isso, e por participar de constantes reuniões no Secretariado, também posso dar meu testemunho do que se estava realizando no Brasil para a renovação da OFS.

 No Encontro, a cada palestra de Frei Mateus seguiam-se círculos de estudo para debater os temas apresentados e formular conclusões e sugestões. Tal encontro era ainda uma oportunidade de convivência fraterna e de troca de experiências. Estabelecia-se, assim, uma comunidade de trabalho, de oração e de estudo entre os irmãos/ãs e os religiosos das várias Fraternidades e das várias Obediências.

 Em “Paz e Bem” de novembro/dezembro de 1964, págs. 22-25, estão publicados os nove inquéritos desse Encontro com as respectivas respostas aprovadas no encerramento. Além disso, estão publicadas as conclusões referentes a cada tema, assim como as sugestões apresentadas.


 Esta exposição mais detalhada objetiva mostrar qual era o trabalho realizado para a renovação de nossas Fraternidades em todo o Brasil e, não apenas, no Rio de Janeiro, em torno do Secretariado Nacional.


 Prosseguindo, quanto à reunião na Fraternidade de Petrópolis, em 20 de setembro de 1964. O Encontro era uma reunião de convivência e de oração em comum dos Terceiros locais com os de Santo Antônio e de Ipanema. Porém, a eles se associaram os de Niterói, Cavalcante e Nova Iguaçu, mais Capuchinhos e Conventuais. Os visitantes eram mais de 200 irmãos e irmãs. A Fraternidade de Petrópolis se desdobrou para recebê-los bem. O objetivo maior era o de proporcionar aos Terceiros conhecerem-se melhor e sentirem a alegria de uma vida em fraternidade.

 Evidente que não faltou, pela manhã, no salão da Congregação Mariana da Anunciação, a palavra quente e incentivadora de Frei Mateus . Lembrou que, quando a Igreja do Concílio quer leigos ativos, um filho de São Francisco não pode ser passivo. Recordou a inesquecível alegria, simplicidade e caridade franciscana em que decorreram as reuniões do Congresso de São Lourenço. Insistiu que, em nossas reuniões mensais, também não pode faltar a alegria franciscana. À tarde, houve uma parte recreativa, antes da Missa.


 Registrou-se, porém, surpresa geral, inclusive, para o homenageado, quando à tarde, a professora irmã Noêmia Elóia apresentou um projeto de programa como colaboração às comemorações dos 50 anos de vida franciscana de Frei Mateus, a se realizar em 17 de janeiro de 1965. Aprovação geral.Mas, Frei Mateus resistiu aceitar a proposta, pois entendia que “mais que tudo era hora de refletir sobre se havia correspondido e de agradecer.” Depois, “não podendo mais escapar à insistência dos irmãos, sobretudo os Terceiros, tratei de impor condições. Não aceitei homenagens pessoais... Pedi, então, que o encontro fosse transformado em promoção dos ideais de Francisco, especialmente no sentido de se estreitarem as relações interobedienciais.” (Id. ib. pág. 108).


 Sacerdotes e leigos franciscanos das três obediências, das Fraternidades do Rio, de Petrópolis, de Niterói e da Baixada Fluminense, movimentaram-se com entusiasmo e alegria na preparação dessas comemorações. As, então, 305 Fraternidades da OFS também foram incentivadas a participar, mesmo não podendo comparecer aos festejos. Deviam refletir e se preparar para melhor viverem a unidade da OFS e seu “aggiornamento”, tendo em vista o Congresso de Caxias do Sul.


 Foi solene, muito participado e fraterno tudo que se realizou naqueles três dias de janeiro de 1965.

 As celebrações jubilares foram realizadas, cada dia, num local. Primeiro, no Convento de Santo Antônio, quando também se tomou conhecimento de toda a programação do jubileu. Segundo, no Rio Comprido, na sede da Custódia Conventual, quando houve uma primeira reunião plenária em preparação do Congresso de Caxias do Sul. Terceiro, na igreja de São Sebastião dos Capuchinhos, quando Frei Mateus fez a solene renovação dos votos, “com grande alegria no coração.”


 Vale ressaltar que, nesse episódio, como reconheceu Frei Mateus, “a mola propulsora de todos aqueles acontecimentos foi o nosso saudoso irmão General Luiz Guimarães Regadas (a que acrescento o nome da irmã Dª Noêmia Elóia)... Foi à sua incansável dedicação... administrador dinâmico e organizado, que se deveu o êxito daquele encontro jubilar e sua profunda repercussão no sucesso do Congresso de Caxias do Sul.” (pág. 109)


 De fato, durante a preparação desse jubileu, paralela e intensamente se trabalhou para a realização do II Congresso Nacional da OFS. E o Encontro de Petrópolis, de setembro de 1964, foi o ponto de partida para toda essa atividade.

 Deo gratias!

                                                                     (continua no informativo de maio)

                                                                          Paulo Machado da Costa e Silva,OFS

 Nota: – Os artigos podem ser transcritos, indicando-se a procedência. À medida que esses artigos vão sendo publicados no jornalzinho da nossa Fraternidade, eles serão colocados em nosso blog: ofssagradopetropolis@blogspot.com

terça-feira, 24 de abril de 2012

segunda-feira, 2 de abril de 2012

CAPÍTULO ELETIVO EM NOSSA FRATERNIDADE NO DIA 18/03/2012

Realizou-se no dia 18 de março, o nosso Capítulo Eletivo.
Iniciou-se com a Missa às 8,30 horas na Igreja do Sagrado Coração de Jesus. Após a Missa já em nossa sede, foi servido um cafezinho. Às 10:30 começou o Capítulo, presidido pelo Coodenador Regional para o Primeiro Distrito Irmão Marco Antonio Rodriguez, e pelo Assistente Regional Fr. Edcarlos Hoffmann, OFMCap., com a entrega dos cargos pelo Conselho anterior e logo após começou a votação para o cargo de Ministro, sendo eleita a nossa Irmã Maria Aparecida Oliveira da Silva, para Vice-Ministro foi eleito o irmão Jair José Ferreira. O Conselho foi eleito em bloco, sendo eleitos os seguintes irmãos e irmãs: José Carlos Melatti, Luiz Alberto Vianna, Marlene de Oliveira Andrade, Benedita de Carvalho, Marcio José de Oliveira Andrade, Ilza Pinto Leitão e Deolinda de Jesus Diniz e  para o Conselho Fiscal foram eleitas as irmãs:  Carolina Luzia de Jesus, Maria Helena Nunes da Silva Werner e Maria da Glória Ramos Alvarenga.
No dia 24 de março às 14:00 horas, se reuniram o Conselho Anterior e o atual. Sendo os cargos assim distribuidos: 1º Tesoureiro: José Carlos Melatti – 2º Tesoureiro: Benedita de Carvalho – 1ª Secretária: Marlene de Oliveira Andrade  - 2ª Secretária: Deolinda de Jesus Diniz – Formador: Luiz Alberto Vianna – Coordenador de Comunicação: Marcio José de Oliveira Andrade  e para Coordenadora do SEI: Ilza Pinto Leitão. A seguir teve a passagem dos cargos do Conselho anterior para o atual.