sábado, 24 de novembro de 2012

O ARAUTO DO GRANDE REI

JORNAL DE NOVEMBRO DE 2012

FRATERNIDADE
Frei Toni Michels.
1.     É a forma de vida
Depois de tanto estudo sobre o movimento franciscano, certamente ninguém de nós tem dúvida: a fraternidade é um dos valores fundamentais que compõem a mística, a utopia, a forma de vida que o Senhor mesmo revelou a Francisco e que nós abraçamos por inspiração divina. É elemento essencial do modo franciscano de ser, de viver, de se relacionar em casa, na Igreja, com a humanidade e todas as criaturas. Para Francisco e Clara, o que nos caracteriza a partir do evangelho é, antes de tudo, sermos irmãos e irmãos. Irmãos e irmãs que cuidam um do outro mais do que a mãe cuida do seu filho carnal, irmãos que rezam, irmãos que servem, irmãos que trabalham, irmãos que vão pelo mundo, irmãos que administram os bens e assim por diante.
Tanto que muitas vezes a fraternidade resume e engloba a totalidade de nosso projeto de vida: a vida franciscana é assim: uma vida em fraternidade.
Trata-se de uma decisão, de uma uma opção: é assim que a gente quer viver, é assim que a gente quer ser. E isso comporta uma renúncia, um abandonar, um êxodo, um romper profeticamente com outros modelos, outras opções que podem ser bem mais óbvias, mais aceitas na sociedade e na cultura.
2.   Fundamentos da Fraternidade
Não é uma fraternidade pela fraternidade, o que seria um fraternismo (ismo tem um sentido negativo: indivíduo, individual é bom; individualismo é o indivíduo enlouquecido, é a idolatria do eu). A opção pela fraternidade não é um motivo utilitário, como se faz cooperativa porque é mais vantajoso produzir em conjunto do que isolado. Não é a "fraternidade" da revolução francesa, nem a igualdade do marxismo. A fraternidade cristã e franciscana tem um fundamento em Deus mesmo, um fundamento teológico. Para Francisco e Clara, a fraternidade nasce de uma visão teocêntrica e trinitária da vida e do seguimento de Cristo "que se fez nosso caminho". Vamos trocar isso em miúdos:
    Jesus nos revelou: Deus, na sua intimidade não é solidão. É comunhão de 3 diferentes pessoas divinas. Esse Deus comunhão é reunidor: não conduz nem salva ninguém isolado, mas em comunidade. Fraternidade é entrar no movimento do próprio Deus, é encarnar a comunhão do Pai do Filho e do Espírito Santo, origem e modelo de tudo, é tornar presente o amor com que Deus nos amou.
    Quando o Filho de Deus veio a este mundo, formou a comunidade dos seus discípulos missionários. Tudo começa com um encontro muito pessoal e íntimo com o Mestre, encontro feliz e iluminador. Mas converter-se a Jesus é sempre converter-se para uma vida em comunidade. Pelo batismo somos inseridos na comunhão do Pai, do Filho e do Espírito Santo, bem como na comunhão da Igreja, Povo de Deus reunido no mundo em nome da Trindade. A vocação/missão cristã se vive em comunidade.
     A comunidade dos que crêem em Jesus se constitui inspirada na Comunidade Divina que "é a melhor comunidade". "O mistério da Trindade é a fonte, o modelo e a meta do mistério da Igreja" (DAp, n. 155). Os membros da comunidade são chamados a ser tão unidos, corresponsáveis e solidários uns com os outros, que essa relação é chamada de comunhão. A comunidade é, então, "casa e escola de comunhão".
    O Filho veio a este mundo como irmão nosso, a ponto de entregar a vida, solidário até com os mais abandonados e jogados fora. Ninguém mais está só!
     E não só nosso irmão, mas de toda a criação, pois seus corpo foi feito dos mesmos elementos que compõem todas as coisas, e que são resultado de bilhões de anos de evolução. Ressuscitado e glorificado, já levou para dentro de Deus a nossa humanidade e toda a criação.
     Fraternidade é seguir Jesus Cristo na loucura do seu amor pelo mundo, que se traduz em empatia, compaixão, misericórdia, solidariedade, serviço, entrega da vida. É dar-se por inteiro, transformar-se naquele que se ama.
     Em Jesus somos adotados como filhos e filhas e fazemos a experiência do Abbá. Então nossos semelhantes e todas as criaturas são irmãos e irmãs.
Esta vocação de viver em comunidade por inspiração divina e no seguimento de Cristo é do evangelho cristão, é do património de todos os cristãos. Mas que Francisco e Clara viveram e tematizaram de forma tão cabal que seu carisma lembra para a Igreja e para toda a humanidade a vocação para a irmandade, para a fraternidade, para a sororidade.
Na experiência de Francisco, a fraternidade tem início quando, nu, na praça de Assis, exclama: "Agora posso dizer: Pai nosso que estais no céu". Da experiência da paternidade de Deus que nasce a fraternidade. Dizer que somos "irmãos menores" é afirmar a centralidade de Deus na vida. É porque confio em Deus que me entrego à fraternidade, sem cálculos humanos.
O segundo substantivo mais usado por Francisco em seus escritos é "irmão". O primeiro é "Senhor". É pelo Senhor que somos irmãos e irmãs. A fraternidade nasce da centralidade de Deus na vida, da experiência do Deus Abbá. Se não for por Deus não acontece fraternidade. Se queremos fraternidade, precisamos nos abrir ao primado de Deus, voltar ao encanto, ao seguimento de Jesus que se fez nosso caminho. Analisar a vida pessoal e comunitária: no ordinário da vida, a quem de fato pertencemos? O que é que está no centro? A fraternidade surge da atitude de escuta/obediência à Palavra de Deus, da experiência de Deus, vale dizer, do espírito de oração e devoção. Podemos até lançar mão de meios que favoreçam à vida fraterna, capítulos, ajuda da psicologia etc, mas qualidade evangélica da convivência vem de Deus.
A própria ciência hoje nos faz termos consciência que somos um nó de relações com todos e com tudo e, querendo ou não, há uma relação, uma corresponsabilidade entre todos os seres. Podemos saber disto racionalmente, mas se o Espírito Santo não nos puxar para fora dos sentimentos meramente humanos, da escravidão aos instintos egoístas que moram em nós, não acontece fraternidade (acolhida, valorização, inter-ajuda, soma de forças). Fraternidade acontece quando "movidos pelo Espírito", quando se tem "o Espírito do Senhor e o seu santo modo de operar". A fraternidade nasce de relações profundas com Deus. Ela é possível quando há solidez espiritual.
3.  Converter-se para a fraternidade
Não nascemos fraternos, sabendo ser irmãos e irmãs. Ao contrário, nascemos no pecado original. Precisamos entrar numa escola, aprender. Ser irmão é resultado de um processo de conversão. Francisco e Clara também não nasceram fraternos.
Francisco diz: "O Senhor me deu irmãos". Os irmãos são um dom de Deus (cada presente de grego que o Senhor nos dá. Ou talvez sejamos nós o presente de grego para os outros). São um dom, sejam eles como forem, não em último lugar porque são imprescindíveis para a nossa conversão. "A vida comunitária é a máxima penitência" . Penitencia nos recorda logo dificuldade, sofrimento. Tem este aspecto, sem dúvida: até a pessoa amada tem hora que é insuportável. Mas penitência quer dizer purificação. O espírito de penitência é um valor importante do nosso carisma. Francisco e seus primeiros companheiros se identificavam como "penitentes de Assis". Penitente é quem está numa busca: sabe que algo lhe falta e que há excessos que precisam ser cortados.
Viver face a face, corpo a corpo uns com os outros é a grande chance de nos conhecermos e identificarmos que demônios moram em nós. Caem as máscaras, revelam-se as vaidades e as qualidades. É a grande chance de crescimento humano e espiritual. Às vezes, esperamos a vida inteira para que o irmão ou a irmã mude, quando o que de mais eficaz poderíamos fazer para mudar o irmão(ã) seria mudarmos a nós mesmos.
Impressiona nas fontes franciscanas e clareanas a familiaridade que acontecia nas fraternidades."Com confiança, um manifeste ao outro a própria necessidade, para que lhe procure e lhe sirva o que for necessário"(Rb 9,10). Acontece dentro das fraternidades muita distância, muita insensibilidade, muita falta de conhecimento, de familiaridade uns com os outros. Coisa de rico, onde há mais formalismo, performance, cada um na sua. No Divino todo mundo sabe de todo mundo. Não é por nada que as vezes acontece que um irmão morre no quarto do convento e é achado só dias depois, quando começa a feder. Precisamos ser mais humanos: sermos capazes de deixar de representar e expormos para os irmãos, os nossos sonhos, os nossos anseios, os nossos pecados. Não tenhamos medo de sermos fracos diante dos outros. Deus escolhe os fracos! E sermos mais humanos, compreensivos, misericordiosos, cheios de compaixão, solidários uns com os outros. Como Jesus, como Francisco e Clara. Em nossa humanidade nos encontramos. Quando o orientador espiritual desce da posição de representante da instituição com suas leis, quando deixa de representar aquele que não tem problemas, mas expressa também sua humanidade, aí o diálogo ganha outra qualidade.
4.   Não isolar a fraternidade dos outros valores da forma de vida
Qual seria o valor mais importante da forma de vida franciscana? A fraternidade? A minoridade e pobreza? O espírito de oração e devoção? A penitência? A missão evangelizadora itinerante? Mais vezes se lê que o relacionamento fraterno está acima de tudo, é o fim de tudo. Me parece que pode não ser salutar colocar a fraternidade assim isolada dos outros valores.
O que é mais importante no rosto? O nariz, a boca, os olhos, os ouvidos? Todos são importantes e existem juntos, um dependendo do outro. Se o rosto fosse só nariz, seria um monstro. Se fosse só boca, da mesma forma.
Assim também não se deve isolar e tematizar só um dos valores de nossa forma de vida pois parece que ou eles existem juntos ou não existem verdadeiramente. Uma coisa é certa: se isolamos um valor sem referência aos outros, fazemos besteira. Em nome da fraternidade, podemos construir palácios, contra a minoridade e pobreza. Podemos nos fecharmos em nossos interesses e sermos tão autoreferenciais que perdemos a dimensão da missão e o significado evangelizador. A dita fraternidade pode bastar-se tanto a si mesma que perde a centralidade de Deus.
O relacionamento de um casal se aprofunda e amadurece quando não olham mais só um para o outro mas juntos para os filhos, quando percebem que um casal cristão não pode viver um egoísmo a dois, mas que os dois juntos têm uma missão para fora dos muros da casa. Do grande projeto de Deus, do bem maior (Reino) é que vem a luz, o sentido, a orientação, a força também para o lar.
Da mesma forma, a missão evangelizadora congrega a fraternidade, lhe dá sentido. A penitência, a minoridade qualificam as relações. A oração faz beber na fonte da fraternidade. A abertura, o serviço ao irmão, sobretudo ao pobre, ao necessitado é caminho certo de experiência de Deus...
5.   Fraternidade e cultura atual
Quantas vezes já se viu uma família ou casal muito engajado na Igreja, muito bem formado na fé, na hora de celebrar o casamento agir de acordo com a cultura: preocupação com imagem, performance, status. Puro paganismo. É a força da cultura!
Pode ser que a cultura em que estamos mergulhados faça com que nem escutemos os apelos da Fraternidade. Ou, talvez, de alguma forma favoreça o ideal da Fraternidade. O que na cultura atual ajuda e, quem sabe, até abre possibilidades inéditas para testemunharmos a fraternidade? O que atrapalha e se coloca como obstáculo?

SANTA ISABEL DA HUNGRIA

De estirpe real, pois foi filha de André e Gertrudes, reis da Hungria, nasceu em 1207 e recebeu no batismo o nome de Isabel (Elisabeth), o qual significa ‘casa de Deus’. Aos quatro anos de idade viaja para a Alemanha onde cresceu juntamente com a família do seu noivo, Luís, príncipe da Turíngia e sucessor do rei da Turíngia, Hermano.
Dada a sua vida simples, piedosa e desligada das pompas da corte, concluíram que a menina não seria uma boa companheira para Luís. E por isso perseguiram-na e maltrataram-na, dentro e fora do palácio.
Luís, porém, era um cristão da fibra do pai. Logo percebeu o grande valor de Isabel. Não se impressionava com a pressão dos príncipes e tratou de se casar o quanto antes. O que aconteceu em 1221.
A Santa não recuava diante de nenhuma obra de caridade, por mais penosas que fossem as situações, e isso em grau heróico! Um dia, Luís surpreendeu-a com o avental repleto de alimentos para os pobres. Ela tentou esconder... Mas ele, delicadamente, insistiu e... milagre! Viu somente rosas brancas e vermelhas, em pleno Inverno. Feliz, guardou uma delas.
A sua vida de soberana não era fácil e frequentemente tinha que acompanhar o marido em longas e duras cavalgadas. Além disso tinha o cuidado dos filhos: Hermano, nascido em 1222; Sofia em 1224 e Gertrudes em 1227.
Estava grávida de Gertrudes, quando descobriu que seu marido se comprometera com o Imperador Frederico II a seguir para a guerra das Cruzadas para libertar Jerusalém. Nova renúncia duríssima! E mais: antes mesmo de sair da Itália, o duque morre de febre, em 1227! Ela recebe a notícia ao dar à luz a menina.
Quando Luís ainda vivia, ele e Isabel receberam em Eisenach alguns dos primeiros franciscanos que chegavam à Alemanha por ordem do próprio São Francisco. Foi-lhes dado um conventinho. Assim, a Santa passou a conhecer o Poverello de Assis e este a ter frequentes notícias dela. Tornou-se mesmo membro da Família Franciscana, ingressando na Ordem Terceira que Francisco fundara para leigos solteiros e casados e sacerdotes seculares. Era, pois, mais que amiga dos frades. Chegou a receber de presente o manto do próprio São Francisco!
Morto o marido, os cunhados tramaram cruéis calúnias contra ela e expulsaram-na do castelo de Wartburg. E de tal forma apavoraram os habitantes da região, que ninguém teve coragem de acolher a pobre, com os pequeninos, em pleno Inverno. Duas servas fiéis acompanharam-na, Isentrudes e Guda.
De volta ao Palácio quando chegaram os restos mortais de Luís, Isabel passou a morar no castelo, mas vestida simplesmente e de preto, totalmente afastada das festas da corte. Com toda a naturalidade, voltou a dedicar-se aos pobres. Todavia, lá dentro dela o Senhor chamava-a para se doar ainda mais. Mandou construir um conventinho para os franciscanos em Marburg e lá foi morar com as suas servas fiéis. Compreendeu que tinha de resguardar os direitos dos filhos. Com grande dor, confiou os dois mais velhos para a vida da corte. Hermano era o herdeiro legítimo de Luís. A mais novinha foi entregue a um Mosteiro de Contemplativas, e acabou sendo Santa Gertrudes! Assim, livre de tudo e de todos, Isabel e suas companheiras professaram publicamente na Ordem Franciscana Secular e, revestidas de grosseira veste, passaram a viver em comunidade religiosa. O rei André mandou chamá-las, mas ela respondeu que estava de facto feliz. Por ordem do confessor, conservou algumas rendas, as quais reverteram para os pobres e sofredores.
Construiu um abrigo para as crianças órfãs, sobretudo defeituosas, como também hospícios para os mais pobres e abandonados. Naquele meio, ela sentia-se de facto rainha, mãe, irmã. Isso no mais puro amor a Cristo. No atendimento aos pobres, procurava ser criteriosa. Houve época, ainda no palácio, em que preferia distribuir alimentos para 900 pobres diariamente, em vez de lhes dar maior quantia mensalmente. É que eles não sabiam administrar. Recomendava sempre que trabalhassem e procurava criar condições para isso. Esforçava-se para que despertassem para a dignidade pessoal, como convém a cristãos. E são inúmeros os seus milagres em favor dos pobres!
De há muito que Isabel, repleta de Deus, era mais do céu do que da terra. A oração a arrebatava cada vez mais. As suas servas testemunharam que, nos últimos meses de vida, frequentemente uma luz celestial a envolvia. Assim chegou serena e plena de esperança à hora decisiva da passagem para o Pai. Recebeu com grande piedade o sacramento dos enfermos. Quando o seu confessor lhe perguntou se tinha algo a dispor sobre a herança, respondeu tranquila: "Minha herança é Jesus Cristo!" E assim nasceu para o céu! Era 17 de Novembro de 1231.
Sete anos depois, o Papa Gregório IX, de acordo com o Conselho dos Cardeais, canonizou solenemente Isabel. Foi em Perusa, no mesmo lugar da canonização de São Francisco, a 26 de Maio de 1235, Pentecostes. Mais tarde foi declarada Padroeira dos Irmãos da Ordem Franciscana Secular.

Frei Paulo Ferreira, OFM


ADVENTO

Todos os grandes eventos exigem uma preparação. Por isso, a Igreja instituiu, na Liturgia, um período que antecede o Natal: o Advento. Mas, ao longo da história da Igreja, tomou diversas formas.
Receber uma visita é uma arte que uma dona de casa exercita com freqüência. E quando o visitante é   ilustre, os preparativos são mais exigentes. Imagine o leitor que numa Missa de domingo seu pároco anunciasse a visita pastoral do bispo diocesano, acrescida de uma particularidade: um dos paroquianos seria escolhido à sorte para receber o prelado em sua casa, para almoçar, após a Missa.
Certamente, durante alguns dias, tudo no lar da família eleita se voltaria para a preparação de tão honrosa visita. A seleção do menu, para o almoço, o que melhorar na decoração do lar, que roupas usar nessa ocasião única. Na véspera, uma arrumação geral na casa seria de praxe, de modo a ficar tudo eximiamente ordenado, na expectativa do grande dia.
Essa preparação que normalmente se faz, na vida social, para receber um visitante de importância, também é conveniente fazer-se no campo sobrenatural. É o que ocorre, no ciclo litúrgico, em relação às grandes festividades, como por exemplo o Natal. A Santa Igreja, em sua sabedoria multissecular, instituiu um período de preparação, com a finalidade de compenetrar todas as almas cristãs da importância desse acontecimento e proporcionar-lhes os meios de se purificarem para celebrar essa solenidade dignamente. Esse período é chamado de Advento.
 Significado do termo

Advento - adventus, em latim - significa vinda, chegada. É uma palavra de origem profana que designava a vinda anual da divindade pagã, ao templo, para visitar seus adoradores. Acreditava-se que o deus cuja estátua era ali cultuada permanecia em meio a eles durante a solenidade. Na linguagem corrente, significava também a primeira visita oficial de um personagem importante, ao assumir um alto cargo. Assim, umas moedas de Corinto perpetuam a lembrança do adventus augusti, e um cronista da época qualifica de adventus divi o dia da chegada do Imperador Constantino. Nas obras cristãs dos primeiros tempos da Igreja, especialmente na Vulgata, adventus se transformou no termo clássico para designar a vinda de Cristo à terra, ou seja, a Encarnação, inaugurando a era messiânica e, depois, sua vinda gloriosa no fim dos tempos.
Surgimento do Advento cristão
Os primeiros traços da existência de um período de preparação para o Natal aparecem no século V, quando São Perpétuo, Bispo de Tours, estabeleceu um jejum de três dias, antes do nascimento do Senhor. É também do final desse século a "Quaresma de São Martinho", que consistia num jejum de 40 dias, começando no dia seguinte à festa de São Martinho.
São Gregório Magno (590- 604) foi o primeiro papa a redigir um ofício para o Advento, e o Sacramentário Gregoriano é o mais antigo em prover missas próprias para os domingos desse tempo litúrgico.
No século IX, a duração do Advento reduziu-se a quatro semanas, como se lê numa carta do Papa São Nicolau I (858-867) aos búlgaros. E no século XII o jejum havia sido já substituído por uma simples abstinência.
Apesar do caráter penitencial do jejum ou abstinência, a intenção dos papas, na alta Idade Média, era produzir nos fiéis uma grande expectativa pela vinda do Salvador, orientando-os para o seu retorno glorioso no fim dos tempos. Daí o fato de tantos mosaicos representarem vazio o trono do Cristo Pantocrator. O velho vocábulo pagão adventus se entende também no sentido bíblico e escatológico de "parusia".

O Advento nas Igrejas do Oriente

Nos diversos ritos orientais, o ciclo de preparação para o grande dia do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo formou-se com uma característica acentuadamente ascética, sem abranger toda a amplitude de espera messiânica que caracteriza o Advento na liturgia romana.
Na liturgia bizantina destaca-se, no domingo anterior ao Natal, a comemoração de todos os patriarcas, desde Adão até José, esposo da Santíssima Virgem Maria. No rito siríaco, as semanas que precedem o Natal chamam-se "semanas das anunciações". Elas evocam o anúncio feito a Zacarias, a Anunciação do Anjo a Maria, seguida da Visitação, o nascimento de João Batista e o anúncio a José.
O Advento na Igreja Latina
É na liturgia romana que o Advento toma o seu sentido mais amplo. Muito diferente do menino pobre e indefeso da gruta de Belém, nos aparece Cristo, no primeiro domingo, cheio de glória e esplendor, poder e majestade, rodeado de seus Anjos, para julgar os vivos e os mortos e proclamar o seu Reino eterno, após os acontecimentos que antecederão esse triunfo: "Haverá sinais no Sol, na Lua e nas estrelas; e, na Terra, angústia entre as nações aterradas com o bramido e a agitação do mar" (Lc 21, 25). "Vigiai, pois, em todo o tempo e orai, a fim de que vos torneis dignos de escapar a todos estes males que hão de acontecer, e de vos apresentar de pé diante do Filho do Homem" (Lc 21, 36). É a recomendação do Salvador.
Como ficar de pé diante do Filho do Homem? A nós cabe corar de vergonha, como diz a Escritura. A Igreja assim nos convida à penitência e à conversão e nos coloca, no segundo domingo, diante da grandiosa figura de São João Batista, cuja mensagem ajuda a ressaltar o caráter penitencial do Advento.
Com a alegria de quem se sente perdoado, o terceiro domingo se inicia com a seguinte proclamação: "Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está perto". É o domingo Gaudete. Estando já próxima a chegada do Homem- Deus, a Igreja pede que "a bondade do Senhor seja conhecida de todos os homens". Os paramentos são cor-de-rosa.
No quarto domingo, Maria, a estrela da manhã, anuncia a chegada do verdadeiro Sol de Justiça, para iluminar todos os homens. Quem, melhor do que Ela, para nos conduzir a Jesus? A Santíssima Virgem, nossa doce advogada, reconcilia os pecadores com Deus, ameniza nossas dores e santifica nossas alegrias. É Maria a mais sublime preparação para o Natal.



Fontes:- Pe. Mauro Sérgio da Silva Isabel, EP; Revista Arautos do Evangelho, Dez/2006, n. 60, p. 18-19
- http://www.acidigital.com



sexta-feira, 9 de novembro de 2012

FOLDER DISTRIBUÍDO NA MISSA DAS 16:15 HORAS DO DIA 03 DE NOVEMBRO DE 2012 NA IGREJA DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS


INFORMATIVO

Ano IV  -  NOVEMBRO DE 2012 -  Nº  06

ESPIRITUALIDADE  FRANCISCANA

O BEM-AVENTURADO LUQUÉSIO

   V.  A Ordem Terceira
                              
                                            (continuação)

A vida pura e fervorosa das primeiras comunidades cristãs reflorecia no mundo.
Era evidentemente isto que são Fran­cisco tinha querido para esta terceira or­dem e para as duas anteriores: fazer vi­ver o Evangelho integralmente, como fizeram os primeiros cristãos, na penitência  oração e amor recíproco, restauran­do esta vida perfeita, tipo da vida religiosa, em que se inspiraram em seguida as constituições monásticas. Todas as observâncias da regra tendiam a este fim.
Os irmãos da Ordem III eram peniten­tes: deviam abster-se de banquetes, espetáculos e danças e distribuir com os po­bres suas rendas supérfluas; traziam um hábito de fazenda grosseira (no valor de seis soldos a vara, para os homens, e de doze, para as mulheres, rezava a l.a re­gra) e tinham numerosos dias de jejum e de abstinência.
           Eram homens de oração, recitavam as horas canônicas, comungavam frequente­mente e entretinham em si a chama do fervor por uma oração contínua, "dirigi­da dia e noite a Deus". Suas reuniões mensais compreendiam a Missa, a prédica  o ofício divino e a oração privada. Praticavam a caridade e sua irmã, a paz; deviam pôr termo a qualquer inimizade, restituir os bens mal adquiridos, dar es­molas, visitar os doentes e fazer depósito na caixa comum.

Mas, acima destas prescrições, estava em primeiro lugar um espírito que circu­lava em todas as fraternidades e infun­dia-lhes uma vida prodigiosa: o espírito mesmo do pobrezinho e  em todos os corações  o desejo resoluto e ardente de pau­tar sua vida pela dele. Os terciários eram, sem dúvida, religiosos no mundo e como tais se consideravam. Foi esta sua força.
Apenas fundada, a fraternidade de Poggi-Bonzi se tornou o centro religioso da cidade e um fermento ativo de regenera­ção cristã. A ação deste núcleo de verda­deiros cristãos, sòlidamente agrupados en­tre si, bastou para transformar a cidadezinha. Ao cabo de pouco tempo, ela não se reconhecia mais. Uma piedade verda­deira e profunda ganhou os corações, os bons costumes reinavam em toda parte, os pobres eram socorridos com uma ca­ridade tocante, os negócios realiza-dos com escrúpulo e a moral comercial se encontra­va de acordo com a moral cristã, as dissensões de classes e de famílias se haviam extinguido: por toda parte reinava a paz e uma santa alegria no amor mútuo e no amor de Cristo.
E Luquésio, pioneiro deste magnífico reerguimento, dava a todos o exemplo des­ta vida cristã integral e das mais admirá­veis virtudes.

VI.  Religiosos no inundo.

Luquésio viveu, desde então, com Bona, em pobreza extrema. Serem religiosos, vi­verem como o irmão Francisco, não per­tencerem mais ao mundo, como ele lhes havia ensinado, era seu pensamento do­minante. Os religiosos nada possuem e Francisco era esfomeado de pobreza: Lu­quésio alienou o que lhe restava dos seus bens, reservando para si um terrenozinho que ele mesmo cultivava e cujos resulta­dos dividia com os necessitados. Bonadona, por sua vez, o incitava a isto; a pobre­za tornou-se o seu alvo, a sua alegria e o seu tesouro.
O senado de Poggi-Bonzi, cheio de re­conhecimento para com Francisco, pediu-lhe que estabelecesse uma comunidade de Frades na cidade e o autorizou a construir um convento sobre a montanha, onde se erguiam as ruínas de uma fortaleza des­moronada.
Luquésio ficou radiante e ofereceu seus serviços aos Frades, para ajudá-los na construção. Entregou-se com ardor ao trabalho, arrancando pedras da antiga for­taleza e transportando-as para junto da obra. Confundia-se com os operários, que­brava o rebouco com eles no estaleiro e os tratava com camaradagem: esta simplici­dade do senhor Luquesio, no ofício de ser­vente, conseguiu mais para a aproximação social, do que vários discursos e a políti­ca. Quanto a ele, experimentava naquele humilde labor e em tamanha fraternida­de uma alegria que jamais experimentara na sua vida faustosa.
Quando os religiosos se instalaram, ele deu um assalto entre os irmãos da pri­meira e da terceira ordem, mas um as­salto à sua pobreza, às orações e às boas obras.
— Nós devemos, dizia Luquesio a sua mulher, organizar também o nosso con­vento: será a nossa casa.
Os franciscanos distribuíam à porta pão e sopa aos pobres: Luquesio fez o mesmo. Mas como no seu convento não havia clausura, ele fazia os pobres comerem à sua mesa, reservando-lhes o que havia de melhor, bastando para si um pouco de pão. Seus irmãos terciários, tocados por este exemplo, davam-lhe generosamente.
            Começou, depois, a abrigar em sua casa os pobres e enfermos e, com sua mulher, prodigalizava-lhes os cuidados necessários. Descobriram, então, que as falsas necessidades haviam desaparecido e que na sua casa, que era muito ampla, havia muitos lugares desocupados: transfor­mou-os imediatamente em asilo, hospício e em hospital. Chamavam-na, na cidade, "o alburgue dos pobres".
O quarto de Luquésio estava sempre dis­ponível, pois ele tinha o hábito de dor­mir nos corredores ou mesmo fora de ca­sa, no chão. Experimentava uma estra­nha e intensa alegria em agasalhar no seu macio leito um infeliz ou em velar um enfermo a noite inteira. Recordava-se, en­tão, das palavras do Mestre: "O que fi­zer-des ao mais humilde dos meus, é a mim mesmo que o fareis", e, na verdade, pare­cia-lhe cuidar de Jesus Cristo e era isto para ele uma coisa deliciosa, desfazendo-se para com seus pobres, considerados sa­grados, em atenções e delicadezas; quan­do lhes falava, era com compaixão, mais do que isso, com amor.

Continua no informativo – Ano IV -            DEZEMBRO DE 2012  -  Nº  07


SANTOS FRANCISCANOS

MES DE NOVEMBRO

1 — SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS
        B. Rainério de Sansepolcro, 1ª Ordem.
2 COMEMORAÇÃO DE TODOS OS DEFUN­TOS
3 — B. Margarida de Lorena, 2ª Ordem.
4 — S. Carlos Borromeu, 3ª Ordem.
5 — BB. Miguel Kizaiemon e Lucas Kiiemon, 3ª Ordem, mártires do Japão  
6 — B. Paulo  de   S. Clara,  1ª Ordem,  mártir  no  Japão
7 — B. Helena Enselmini, 2ª Ordem.
8 — B. João Duns Scoto  — culto aprovado
9 — B. Joana de Signa. 3ª Ordem.
10 — S. Leão, mártir de Ceuta, 1ª Ordem.
11 — B. Gabriel Ferreti, 1ª Ordem.
12 — B. João da Paz, 3ª Ordem.
13 — S. Diogo de Alcalá, 1ª Ordem.
14 — S. Nicolau Tavelic, 1ª Ordem, mártir
15 — S. Deodato   de   Rodez, 1ª Ordem,  mártir 
16 — S. Pedro de Narbone, 1ª Ordem, mártir
17 — S. Isabel da Hungria, 3ª Ordem.
18 — B. Salomé de Cracóvia, 2ª Ordem.
19 — S. Inês de Assis, 2ª Ordem.
20 — S. Estêvão de Cuneo, 1ª Ordem, mártir
21  — S. Nicolau, mártir de Ceuta, 1ª Ordem.
22 — B. Bernardino de Fossa, 1ª Ordem.
23 — B. Humilde de Bisignano, 1ª Ordem.
24 — B. Mateus Alvarez, 3ª Ordem, mártir no Japão.
25 — B. Isabel Bona, 3ª Ordem.
26 — S. Leonardo de Porto Maurício, 1ª Ordem.
27 — B. Francisco Antonio Fasani, 1ª Ordem.
28 — S. Tiago da Marca, 1ª Ordem.
29 — TODOS OS SANTOS DA ORDEM FRANCISCANA

O ARAUTO DO GRANDE REI


JORNAL DE OUTUBRO DE 2012

DIA DE TODOS OS SANTOS

Corramos para os irmãos que nos esperam

Que aproveitam aos Santos o nosso louvor, a nossa glorificação e até esta mesma solenidade? Para quê tributar honras terrenas a quem o Pai celeste glorifica, segundo a promessa verdadeira do Filho? De que lhes servem os nossos pane-gíricos? Os Santos não precisam das nossas honras e nada podemos oferecer lhes com a nossa devoção. Realmente, venerar a sua memória interessa nos a nós e não a eles.
Por mim, confesso, com esta evocação sinto me inflamado por um anelo veemente.
O primeiro desejo que a recordação dos Santos excita ou aumenta em nós é o de gozar da sua amável companhia, de merecermos ser concidadãos e comensais dos espíritos bem aventurados, de sermos integrados na assembleia dos Patriarcas, na falange dos Profetas, no senado dos Apóstolos, no inumerável exército dos Mártires, na comunidade dos Confessores, nos coros das Virgens; enfim, de nos reunirmos e nos alegrarmos na comunhão de todos os Santos.
Aguarda nos aquela Igreja dos primogénitos e nós ficamos insensíveis; desejam os Santos a nossa companhia e nós pouco nos importamos; esperam nos os justos e nós parecemos indiferentes.
Despertemos, finalmente, irmãos. Ressuscitemos com Cristo, procuremos as coisas do alto, saboreemos as coisas do alto. Desejemos os que nos desejam, corramos para os que nos aguardam, preparemo-nos com as aspirações da nossa alma para entrar na presença daqueles que nos esperam. Não devemos apenas desejar a companhia dos Santos, mas também a sua felicidade, ambicionando com fervorosa diligência a glória daqueles por cuja presença suspiramos. Na verdade, esta ambição não é perniciosa, nem o desejo de tal glória é de modo algum perigoso.
Ao comemorarmos os Santos, um segundo desejo se inflama em nós: que, tal como a eles, Cristo, nossa vida, Se nos manifeste também e que nos manifestemos também nós com Ele revestidos de glória. É que de momento a nossa Cabeça revela Se nos não como é, mas como encarnou por nós, não coroada de glória, mas rodeada dos espinhos dos nossos pecados. Envergonhemo-nos de sermos membros tão requintados sob uma Cabeça coroada de espinhos, à qual por agora a púrpura não proporciona honras mas afronta. Chegará o momento da vinda de Cristo; e já não se anunciará a sua morte, para sabermos que também nós estamos mortos e que a nossa vida está escondida com Ele. Aparecerá a Cabeça gloriosa e com ela resplandecerão os membros glorificados, quando Ele transformar o nosso corpo mortal e o tornar semelhante ao corpo glorioso da Cabeça que é Ele mesmo.
Desejemos pois esta glória com total e segura ambição. Mas para podermos esperar tal glória e aspirar a tamanha felicidade, devemos desejar também ardentemente a intercessão dos Santos, a fim de nos ser concedido pelo seu patrocínio o que as nossas possibilidades não alcançam.


Dos Sermões de São Bernardo, abade
(Sermo 2: Opera omnia, Ed. Cisterc. 5[1968], 364-368 (Sec. XII)


Profissão e Jubileu na OFS.

Dia 04/10, festa de São Francisco, a Fraternidade Franciscana Secular do Sagrado Coração de Jesus de Petrópolis comemorou com a Profissão Solene de 03 (três) irmãos e o jubileu de outros 05 (cinco).
Os Professandos: Dulci Carniel; Maria Ramos Carniel e José Carlos Machado.
Jubileu de 50 anos: José Carlos Melatti
Jubileu de 25 anos: Ana Eny Borsato; Lucia Jorge; Maria Rodrigues da Silva; Nilza Cardinelli Kronemberg.
Também tivemos a renovação pelos 60 anos de professos na ordem: Terezinha Machado Nascimento e Zélia Vidal.

Entendendo a Profissão

O irmão (ã) candidato a vida franciscana secular passa por um período de 1(um) ano de iniciação. Findo este periodo de iniciação, prepara-se o grupo para o Tempo de Formação.
Após este periodo o candidato é preparado para a Profissão definitiva.
A Profissão acontece em uma celebração eucaristica onde, os professos se comprometem, impelido pelo Espirito Santo a viver o Evangelho, seguindo o exemplo de São Francisco de Assis, em seu próprio estado secular, observando a regra aprovada pela Igreja.

OFS
A Ordem Franciscana Secular tem suas origens no século XIII, quando leigos manifestaram o desejo de seguir os passos de São Francisco de Assis, seu fundador e fonte de inspiração. No início de sua história vê-se reconhecida pela Igreja como irmãos e irmãs da penitencia. O Papa Gregório IX em 20 de maio de 1221 aprova a primeira Regra “Memoriale Propositi” com a primeira denominação Ordem da Penitência. Em 18 de agosto de 1289 o Papa franciscano Nicolau IV, com a Bula “Supra Montem” reconhecia São Francisco como fundador da Ordem da Penitência e a denominava de Ordem Terceira de São Francisco.

No século XVIII a Ordem Terceira foi duramente atingida com a supressão da Ordem decretada por José II, Napoleão e outros. Com a Revolução Francesa os terceiros viram-se fragilizados e pagaram com a própria vida sua fidelidade a Igreja. Na segunda metade de século XIX a Ordem Terceira ressurgiu com nova força, fazendo uso da impressa e grandes personalidades, e muitos santos. O Papa Leão XIII com a Constituição Misericors Dei Filius promulgou uma nova Regra em 1884. Ele colocou na Ordem suas esperanças e preferências e exortou calorosamente que a propagassem por toda a parte, e novamente a Ordem floresceu. Em 1966 a Sagrada Congregação dos Religiosos concedeu a Ordem Terceira a “faculdade de atualizar-se”.



Eleito Novo Bispo de Petrópolis

Dom Gregório Paixão

Dom Gregório Paixão nasceu em Aracaju (Sergipe) em 03 de novembro de 1964.
É filho de José Gregório e Josefa Bernadete Paixão Gregório e possui quatro irmãos, sendo um deles monge beneditino. Cursou o ensino fundamental e médio no Colégio Salesiano de Aracaju. Ingressou no Mosteiro de São Bento da Bahia em 1983, professando solenemente em 1989.
No Mosteiro de São Bento da Bahia exerceu quase todos os ofícios monásticos, como o de Bibliotecário; Mestre de Coro; Organista; Mestre de Noviços; Ecônomo; Arquivista; Prior, dentre outros.
Durante o período de formação cursou Piano e Órgão de Tubos no Instituto de Música da Universidade Católica do Salvador. Estudou artes plásticas no atelier do renomado pintor Waldo Robatto.
Em 1987, foi enviado para o Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro a fim de cursar Filosofia e Teologia na Escola da Congregação Beneditina do Brasil, vinculada ao Pontifícium Athenaeum Anselmianum, de Roma, recebendo nota máxima pela tese “O Panteão Nagô, Aspectos Hagiográficos do Candomblé da Bahia, Elementos Míticos e Históricos”.
Em 18 de julho de 1992 foi ordenado diácono por Dom Ricardo Weberberger, OSB e, em 21 de março de 1993, foi ordenado presbítero por Dom Lucas Cardeal Moreira Neves.

Possui doutorado em Antropologia Cultural pela Universidade Aberta de Amsterdã (Holanda), da qual é professor convidado desde 1998. Foi Diretor do Colégio São Bento da Bahia; da Faculdade São Bento, assim como da Revista Análise e Síntese. Lecionou Língua Grega, Antropologia Cultural e Homilética.
Possui 14 livros publicados, além de diversos artigos escritos para revistas nacionais e estrangeiras. Em 29 de julho de 2006 foi eleito bispo de Fico, na Mauritânia, trabalhando como bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Salvador da Bahia, sendo também Secretário Geral do Regional Nordeste 3, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, e membro titular do Conselho de Cultura do Estado da Bahia.
Atualmente Dom Gregório é bispo referencial para a Cultura, da CNBB. No dia 10 de outubro de 2012 o Santo Padre, o Papa Bento XVI, o elegeu bispo da Diocese de Petrópolis, no Rio de Janeiro.



O Presente Devolvido

Perto de Tóquio vivia um grande samurai idoso que agora se dedicava a ensinar o zen aos jovens. Apesar de sua idade, corria a lenda de que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário. Certa tarde, um guerreiro conhecido por sua total falta de escrúpulos apareceu por ali. Era famoso por utilizar a técnica da provocação: esperava que seu adversário fizesse o primeiro movimento e, dotado de uma inteligência privilegiada para reparar os erros cometidos, contra-atacava com velocidade fulminante. O jovem e impaciente guerreiro jamais havia perdido uma luta.
Conhecendo a reputação do samurai, estava ali para derrotá-lo, e aumentar sua fama. Todos os estudantes se manifestaram contra a ideia, mas o velho aceitou o desafio. Foram todos para a praça da cidade, e o jovem começou a insultar o velho mestre. Chutou algumas pedras em sua direção, cuspiu em seu rosto, gritou todos os insultos conhecidos, ofendendo inclusive seus ancestrais. Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceu impassível. No final da tarde, sentindo-se já exausto e humilhado, o impetuoso guerreiro retirou-se.
Desapontados pelo fato de que o mestre aceitou tantos insultos e provocações, os alunos perguntaram: - Como o senhor pode suportar tanta indignidade? Por que não usou sua espada, mesmo sabendo que podia perder a luta, ao invés de mostrar-se covarde diante de todos nós?
- Se alguém chega até você com um presente, e você não o aceita, a quem pertence o presente?
- A quem tentou entregá-lo - respondeu um dos discípulos.
- O mesmo vale para a inveja, a raiva, e os insultos - disse o mestre - Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os carregava consigo. A sua paz interior, depende exclusivamente de você. As pessoas não podem lhe tirar a calma, só se você permitir...


Auto-Refinamento

"Um judeu é como uma vela," explicou certa vez o Rabi a um chassid, "e sua tarefa é acender outros judeus."

O chassid perguntou: "Rabi, o senhor já acendeu minha vela?"

O Rabi respondeu: "Não, mas eu dei o fósforo a você. Agora deve riscá-lo e acender a si mesmo."


"Se você deseja consertar o mundo, comece consigo mesmo."

"Fique tão ocupado melhorando a si mesmo que não sobre tempo para criticar os outros."

"Aquele que rema o barco não tem tempo para balançá-lo."

"Antes de acordarmos, a neshamá do dia clama e implora: 'Por favor, faça o melhor para mim!


"Quando chegar o dia em que deverei prestar contas pela minha vida, não serei indagado: 'Por que você não foi Moshê?' Eu não estava equipado para ser Moises. Mas temo a pergunta 'Por que você não foi Zusia?'
Reb Zusia de Anipoli.

 



Breve resumo sobre a vida de Frei Galvão



Antônio Galvão de França nasceu em 1739, na cidade de Guaratinguetá, região do Vale do Paraíba, interior de São Paulo. Seu pai, cujo nome era o mesmo do santo, nasceu em Portugal e foi Capitão-mor da Vila de Guaratinguetá (tinha poderes administrativos, judiciais e fiscais). Sua mãe, Isabel Leite de Barros, natural da cidade de Pindamonhangaba, assim como o esposo, era uma pessoa muito religiosa.
Com aproximadamente 13 anos, o jovem Antônio foi para o Seminário Jesuíta, em Belém, distrito de Cachoeira, na Bahia. Lá permaneceu até o ano de 1755 ou 56, quando retornou para a casa dos pais. Alguns anos depois, em 1760, depois de contato com os franciscanos em Taubaté/SP, ele foi encaminhado para o noviciado, no Convento São Boaventura, em Porto das Caixas/RJ. Lá mudou o próprio nome em homenagem à santa padroeira da família e passou a chamar-se Frei Antônio de Sant’Anna Galvão. Neste mesmo ano recebeu o hábito franciscano e professou os votos religiosos de pobreza, obediência e castidade, além de defender em juramento o privilégio de Maria Santíssima ter sido preservada do pecado original, em vista dos merecimentos do seu Filho Jesus, conforme era costume na época, na ocasião da profissão.
A excelente formação que recebera dos Jesuítas, juntamente com a formação recebida no período do noviciado fizeram com que os superiores permitissem que a sua ordenação fosse antecipada. E assim, em 1762, ele foi ordenado sacerdote, com apenas 23 anos.
Recebeu a transferência para o Convento São Francisco, em São Paulo, logo após a sua ordenação presbiteral, dedicando-se por alguns anos aos estudos de filosofia e teologia. E após finalizar os estudos, em 1768, iniciou diversos trabalhos pastorais e recebeu vários encargos importantes.
Na ação pastoral do Santo destacamos de modo especial a construção da Igreja e do Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição da Divina Providência, hoje Mosteiro da Imaculada Conceição da Luz. Foram 14 anos para a construção do recolhimento e outros 14 anos para a construção da Igreja. E além de paredes muito sólidas, feitas com taipa de pilão, firmes até os dias atuais, deixou um extenso estatuto para as recolhidas, com instruções sobre o modo de vida, segundo os conselhos evangélicos.
Fruto do seu trabalho apostólico, imenso amor à Imaculada Conceição e preocupação com as necessidades do próximo, entregou para uma moça grávida e um senhor com problema nos rins um papelzinho com a oração em latim: “Post partum, Virgo, inviolata, permansisti; Dei genetrix, intercede pro nobis” (Depois do parto, ó Virgem, permaneceste intacta, Mãe de Deus, intercede por nós). Mesmo depois de sua morte, inúmeras pessoas passaram a procurar nos mosteiros e conventos as pílulas de Frei Galvão, a fim de realizar a novena e pedir a intercessão do santo para a graça desejada.
Seu exemplo de santidade, demonstrado através da obediência, vida de oração, austeridade e imenso espírito missionário, fez com que o chamassem de santo ainda em vida. Passou os últimos anos da sua vida no Mosteiro da Luz. E mesmo com a sua morte em 1822 um inúmero grupo de pessoas passou a visitar o seu túmulo, pedindo a intercessão do santo franciscano e em busca das pílulas.
No ano de 2007 foi canonizado pelo nosso Papa Bento XVI, diante de imensa multidão, em São Paulo.
Por Giovanni Bezerra, especial para o site