quinta-feira, 21 de março de 2013

ARAUTO DO GRANDE REI

Março de 2013

Francisco ganha o mundo

A eleição do Cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio e a escolha do nome Francisco colocou São Francisco de Assis na pauta do dia, na boca do povo.
Na coletiva desta quinta-feira, três cardeais brasileiros falaram sobre a eleição do novo Papa e a escolha do nome. Dom Odilo Scherer, Cardeal Arcebispo de São Paulo, contou ainda que visitou o túmulo de São Francisco de Assis, no domingo anterior ao conclave. Chegando lá, ele encontrou o cardeal arcebispo de Viena, Christoph Schönborn. “Mas um dominicano num lugar tão franciscano!”, comentou o brasileiro na ocasião. O colega disse que seria bom que a Igreja tivesse um Papa com espírito franciscano. “É um sinal para o que a Igreja quer e precisa fazer”, afirmou Odilo na entrevista coletiva nesta quinta-feira. “Não se fazem saltos mortais na Igreja, mas existe uma continuidade.”
 Outro que também foi a Assis no período pré-conclave foi Dom Geraldo Majella. “Rezei naquela hora para que o Papa pudesse realmente ser o que fizesse às vezes de São Francisco”, afirmou. “Ele [Bergoglio] foi chamado e não teve nenhuma dificuldade de ser aclamado. Ele tem 76 anos, mas pode em pouco tempo fazer muito. O testemunho dele vai ser muito importante para o mundo, vai chamar a atenção do mundo. Vamos rezar para que ele seja feliz e, sendo feliz, faça a Igreja feliz”, disse. Para Dom Geraldo, a escolha não foi surpreendente. “Não foi uma grande surpresa no sentido de que ele não pudesse ser o possível candidato”, disse. “É um grande dom de Deus para a Igreja, para o mundo, um homem que tem um testemunho de vida. Ele vive o nome Francisco, é diferente dos outros”, afirmou.
O presidente da CNBB, Dom Raymundo Damasceno, contou à  Rede Católica de Rádio que o papa Francisco já traz suas características expressas no nome que ele escolheu, inspirado no santo de Assis. “São Francisco, como nós sabemos, é um santo da pobreza, da simplicidade, da comunhão com todas as pessoas, e com a própria natureza… Aliás, é o patrono da ecologia. As marcas deste novo papa: o primeiro latino americano, um argentino, o primeiro a adotar este nome “Francisco”, o primeiro jesuíta… Mas creio que vai marcar o seu pontificado pela características de ser um verdadeiro pastor. Um pastor que ama o seu povo, que está inteiramente voltado para o cuidado do seu povo, mas ao mesmo tempo aberto ao mundo, a todos os demais povos, com os que pertencem a uma outra religião… Ele terá este coração grande, aberto, à exemplo de São Francisco de Assis. Creio que esta espiritualidade certamente inspirará o novo papa, pela simplicidade, pelo diálogo, que serão suas marcas, como foram quando ele foi arcebispo de Buenos Aires: um homem de grande simplicidade, de grande amor aos pobres”, disse.
Na opinião do padre José Oscar Beozzo, estudioso da história da Igreja Católica na América Latina, a escolha do nome do novo Papa é muito significativa: “Tivemos um jesuíta que não escolheu o nome de Inácio, mas de Francisco. Acho que isso é muito significativo porque São Francisco de Assis é o santo mais querido dentro e fora da Igreja Católica”.
Beozzo acredita que a escolha também remete à postura que o novo papa deve adotar com relação aos muçulmanos. “Francisco esteve no coração de um conflito que hoje se repete, que é o conflito do que fazer frente ao Islamismo. Na época de Francisco, o Papa convocou a guerra contra o mundo islâmico, e Francisco tomou um barco e foi ver o sultão do Egito para falar de paz, de amizade. Até hoje os muçulmanos respeitam Francisco e os franciscanos. Acho que nesse momento isso é um recado muito importante”. São Francisco é também conhecido por seu amor à natureza, e Beozzo afirma que a escolha é também um compromisso com a preservação ambiental. O novo papa é visto como um homem simples, que cozinha a própria comida, anda de metrô e ônibus em Buenos Aires. “É uma pessoa que escolheu o nome de Francisco não por fantasia, mas acho que por uma opção de vida”. Para Beozzo, a escolha toca um tema fundamental na trajetória da igreja latino-americana, que é a opção pelos pobres. “Ele é visto como um irmão universal, também irmão dos pobres”.

Franciscanos convidam o Papa para visitar Assis

“De Assis um grande abraço, afetuoso e filial, a você, Papa Francisco, novo Vigário de Cristo”. É o que desejam os frades franciscanos de Assis ao novo Pontífice.
Numa nota, os franciscanos agradecem a Deus e se alegram pela eleição do Cardeal Jorge Bergoglio, manifestando “sentimentos de gratidão, sincero afeto e profundo obséquio, prometendo como Francisco obediência e reverência ao senhor Papa”.
“Neste ano da fé – prossegue a nota – ao acompanhar o início do seu ministério com incessante oração, esperam de acolher o Sumo Pontífice nos lugares sagrados à memória de São Francisco, estreitamente ligados a Sede Apostólica com a Igreja que está em Assis guiada pelo seu Bispo Domenico Sorrentino”.
Os franciscanos, na carta enviada ao Papa Francisco, dizem saber ‘que Jesus está no comando de sua Igreja’ e assim querem seguir o novo Papa ‘com afeto e obediência’. Os frades também expressam “confiança de que, assim como tantos dos seus predecessores até Bento XVI, também você venha logo a esta Cidade onde Francisco continua a anunciar com todo seu ser, à Igreja e ao mundo, o Evangelho que salva”.

Extraído do site: www.franciscanos.org.br


Cuidar da juventude para que ela seja fonte de renovação
Cuidar da juventude para que ela seja fonte de renovação
A força da renovação existe no seio da Igreja, por obra do Espírito Santo. Apesar de ela ser pecadora, enquanto composta de  seres humanos sujeitos às próprias fragilidades, há a santidade de Deus que a faz regenerar-se e superar os próprios limites. Uma força que ajuda o humano da Igreja a se renovar é a juventude, quando ela for bem evangelizada e evangelizadora. Temos, então, uma grande oportunidade de luminosidade dos valores crísticos para o interno da comunidade eclesial e para a sociedade em geral. Juventude vamos sempre ter. Por isso, ela é o presente e o futuro da comunidade cristã e da convivência social, com os valores assumidos por ela do que é humano e divino em sua contínua renovação.
Moisés, o grande personagem bíblico escolhido por Deus para libertar o povo hebreu do jugo dos egípcios, pode encontrar-se pessoalmente com Deus na montanha, onde recebeu a missão divina. Sua curiosidade o levou a aproximar-se de uma sarça que não se consumia. Era o Senhor que o chamava para o diálogo acerca da missão de libertação do povo (Cf. Êxodo 3,1-15). Fruto da ação divina, a sarça da juventude pode perenizar a renovação da Igreja, se ela realmente entrar na intimidade de Cristo e aceitar a missão de evangelizar a sociedade para a libertação de todo tipo de mecanismo de morte. Alimentará a sociedade com os novos critérios do Salvador, para dar vida de sentido a todos, na convivência de fraternidade. Cuidar da juventude para que ela seja fonte de renovação do convívio familiar, eclesial e social é de fundamental importância, para termos dias melhores, onde se superem as injustiças, os desmandos sociais e descaminhos dos vícios e das derrotas humanas.
Na contemplação de Jesus transfigurado no monte Tabor, com a presença de Moisés e Elias, podemos solidificar nossa fé e indicar para a juventude o ideal de dar vida, proposto e vivenciado por Jesus (Cf. Lucas 9,28-36). De fato, o Mestre em seguida foi crucificado, morto e ressuscitado. Os Apóstolos foram testemunhas disso. Passando também pelo mesmo caminho do Filho de Deus, somos capazes de assumir a missão, como os Apóstolos, para que todos se convertam. Não podemos ser como a figueira que não produz figos, para não termos que ser cortados da realização do projeto de Deus, à semelhança da que Jesus queria cortar por não dar frutas (Cf. Lucas  13,1-9). A ascese é um modo de exercitação na prática do bem, que devemos fazer e ensinar à nova geração. Exige treinamento, renúncias, vivência da caridade, responsabilidade na realização do compromisso de fé, serviço ao outro e promoção do bem comum. Sem o ideal de servir não damos frutos de realização da vida de sentido para todos. Somos instados, no seguimento a Cristo, a assumir a responsabilidade de implantarmos os critérios ou valores do Evangelho de Jesus. Sem isso, a juventude não será capaz de dar base à sustentação de um mundo novo, ou uma sociedade onde reina o amor, fundamentado no amor de Deus.
O lema da Campanha da Fraternidade é muito propício para focalizarmos a abertura da juventude ao novo, provindo da missão dada por Deus, com sua resposta de grande disponibilidade: “Eis-me aqui; envia-me!” (Isaías 6,8).

Dom José Alberto Moura
Arcebispo de Montes Claros (MG)


Deus joga longe o pecado!

Domingo passado presenciamos a volta do filho pródigo e sua acolhida pelo Pai misericordioso. Hoje, aparece com mais força ainda o quanto Deus está acima do pecado. Eis a base do que se chama “conversão”. Mas, quando se fala em conversão, os céticos objetam: “Que adianta querer ser melhor do que sou?”, e os acomodados: “Melhorar a sociedade, para quê?”
Deus, porém, não é limitado que fique imobilizado por nosso pecado. Ele passa por cima, escreve-o na areia, como Jesus, no episódio da mulher adúltera (evangelho). A magnanimidade de Deus, que se manifesta em Jesus, está em forte contraste com a mesquinhez dos justiceiros que queriam apedrejar a mulher. Estes, sim, estavam presos no seu pecado; por isso, nenhum deles ousou jogar a primeira pedra. Decerto, importa combater o pecado; mas é preciso estar com Deus para salvar o pecador.
Pois Deus é um libertador. Ele quer apagar nosso passado e renovar nossa vida, assim como renovou o povo de Israel no fim do exílio babilônico (1ª  leitura). Paulo diz que devemos deixar nosso passado para trás e esticar-nos para apanhar o que está na nossa frente: Cristo, que é a nossa vida (2ª  leitura). Como dissemos domingo passado, o pecado é o que fica atrás, enquanto o futuro que está à nossa frente é o amor de Deus em Jesus Cristo.
“Não peques mais”. Perdoar não é ser conivente com o pecado, mas é salvar o pecador – termo que não está na moda hoje, mas é o que melhor exprime a realidade … Deus perdoa, para dar ao pecador uma “plataforma” a partir da qual possa iniciar uma vida nova. Ora, o perdão é do tamanho da grandeza de Deus; só Ele é grande que chega para perdoar definitivamente. Por isso, para fazer jus ao perdão, não devemos desejá-lo levianamente. Devemos querer eficazmente mudar a nossa vida, ainda que saibamos que “Roma não foi construída num só dia”.
Devemos desejar não mais pecar, e para que este desejo seja eficaz, escolher e utilizar os meios adequados. Quem peca por má índole, procure amigos que o tornem melhor. Quem peca por fraqueza ou vício, evite as ocasiões de tentação. E quem peca por depender de uma estrutura ou laço que conduz à injustiça, procure transformar essa situação, no nível pessoal e no da coletividade. Tratando-se de estruturas sociais injustas, o meio adequado de combater o pecado consiste em unir as forças para lutar pela transformação política e social. Devemos transformar as estruturas de pecado fora e dentro de nós. Mas faremos tudo isso com mais empenho se estivermos convencidos de que Deus nos perdoa e joga longe de si o nosso pecado. Quando se trata de problemas pessoais (embora sempre com alguma dimensão social), a certeza de que Deus é maior que o pecado é um estímulo forte para acreditar numa renovação da vida – com a ajuda dos meios psicológicos adequados, pois a graça não suprime a natureza.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes


Oração pelo Capítulo Regional em Pentecostes
 OFS do Brasil - Região Sudeste 2 (RJ/ES)  

"Senhor Jesus, a messe é grande, mas os operários são poucos. Rogamos-te, pois que envieis operários para a messe. Então Senhor ao ouvir teu apelo nos colocamos ao teu dispor e dizemos: EIS-ME AQUI SENHOR. Queremos ser como nosso seráfico Pai São Francisco que lhe perguntou: Senhor que queres que eu faça? E tu nos respondes: junte-se a outros homens de boa vontade e construam um mundo mais fraterno; junte-se a outros homens de boa vontade e pelo seu testemunho tomem iniciativas corajosas na promoção da justiça; junte-se a outros homens de boa vontade e comprometam-se com opções concretas e coerentes com sua fé e assumam sua profissão. Trabalhando, participem na criação e na redenção da comunidade humana. Por isso Senhor, pra responder ao teu apelo de amor, ajude-nos a sermos portadores de paz lembrando que ela deve ser construída incessantemente. Ajude-nos Senhor, a sermos mensageiros da perfeita alegria, para que saibamos ter a humildade de ver que pouco ou nada fizemos e que portanto é necessário começar tudo de novo. Que Maria Santíssima, a Medianeira de todas as Graças, estrela da evangelização nos ajude a chegar as águas mais profundas da santidade e da missão e lancemos nossas redes para melhor servir o nosso Regional. Amém!"

 José Renato Vargas, OFS
Fraternidade São Sebastião
Tijuca, Rio de Janeiro - RJ


Seguindo com a nossa preparação para o Capitulo Eletivo Regional que será realizado nos dias 17, 18 e 19 de MAIO, durante a festividade de PENTECOSTES, publicamos a ORAÇÃO DO CAPÍTULO ELETIVO REGIONAL, que deverá ser reproduzida e entregue a todos os irmãos de nossas fraternidades para que possam participar ativamente, com suas orações diárias, deste momento singular em nosso Regional.

FOLDER DISTRIBUÍDO NA MISSA DAS 16:15 HORAS DO DIA 02 DE MARÇO DE 2013 NA IGREJA DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS


INFORMATIVO

Ano IV  -  MARÇO DE 2013 -  Nº  10

ESPIRITUALIDADE  FRANCISCANA

SANTA  ISABEL  DE  HUNGRIA

A CRIANÇA

                                   Continuação

Porém, Isabel encontrou no nobre Luís, seu noivo, um grande amor e uma estima tão grande, que se sentia protegida e amparada.
E quanto mais maltratada pelos parentes do Conde Hermann, maior era o carinho e a afeição que Luís lhe dedicava.
Chegando a época determinada pelo Senhor  Luís cumprindo sua palavra, conduziu Isabel ao altar, embora tendo ela ape­nas quatorze anos e o conde vinte e um. Ela, cuja infância havia sido tão cheia de sofrimentos e aflições, por mercê de Deus, experimentava a maior felicidade de que é capaz, neste mundo, a mulher casada; pois seu esposo, o conde Luís, era sob todos os aspectos, um dos mais modelares daquela época, varão deveras segundo o coração de Deus, no verdadeiro sentido da palavra, e, por conseguinte, também segundo o coração de Isabel. Não faltava nunca à  Santa Missa, onde fortalecia a alma contra todas as tentações e para o cumprimento das múltiplas obrigações, que o dia lhe trazia.
Grande prazer lhe proporcionava a freqüente visita a um mosteiro beneditino, pois edificava-o sobremodo a vida virtuosa e exemplar dos filhos de S. Bento.
Sua divisa era: "Religioso, casto, justo!" Na qualidade de soberano, considerava, como seu primeiro dever particular, a justiça. Em família não tolerava palavras inconvenientes ou equívocas.

Se, porém, era ele próprio o ofendido, costumava ser indulgente até o extremo, dizendo apenas: "Não tornem a fazê-lo; sofro com isso". No mais mostrava-se sem­pre alegre, benevolente e amável, e, espe­cialmente, cheio de bondade para com os pobres.

A ESPOSA

Luís deixava à sua jovem esposa não só toda liberdade na prática de suas devoções e obras de misericórdia, mas animava-a e até a auxiliava.
Todas as noites Isabel erguia-se do leito, às primeiras horas da madrugada, e ajoe­lhava-se para meditar e render graças ao divino Redentor por se haver dignado nas­cer à meia-noite, sofrendo o frio e a miséria  a fim de remir o gênero humano.
Muitas vezes, o esposo, receando por sua saúde, aconselhava Isabel a que se poupasse e não prejudicasse a saúde; no fundo d'alma, porém, considerava-se feliz por ter uma esposa tão piedosa.
Amavam-se extremamente, e grande era a felicidade que os unia, tão grande como era íntima a aliança de suas almas.
Afim de receber o marido, e adornando-se de jóias, ela dizia: "Ponho os adornos, não por vaidade e galanteio, Deus me é disso testemunha; mas somente por amor cristão, afim de não causar a meu "irmão", descontentamento ou mesmo ocasião de pecar. Há de amar somente a mim, por isso lhe devo agradar".
Assim viviam Isabel e Luís; desejavam viver na terra de modo que pudessem, na eternidade, morar juntos na casa comum de Deus.
Santa Isabel, sob seus ricos vestidos, tra­zia sempre um cilício. Todas as sextas-feiras, em memória da Paixão dolorosa de Nosso Senhor, e todos os dias da quaresma, mandava que lhe aplicassem severas disci­plinas, afim de dar alguma compensação ao Divino Salvador, flagelado pelos nossos pecados.
Quando se via na necessidade de apa­recer em trajes de cerimônia, trazia sem­pre, sob a púrpura e o ouro, um vestido simples de lã. E o cilício nunca a abando­nava.
Nos seus desabafos familiares, com as suas servas que também eram suas ami­gas, envolvia-se, às vezes, num grande e velho manto, cobria a cabeça com um pa­no grosso e roxo e, passeando na sala co­mo uma pobrezinha, dizia, como que advertida por uma inspiração celeste, , quando for mendiga pelo amor de Deus".
Isabel era como um caçador; não se dei­xava deter para seguir a pista da caça. Ela caçava da sorte que o Senhor lhe reservava: "Assim andarei os pobres. Por caminhos e tri­lhas íngremes, subia em busca das caba­nas dos indigentes.
Penetrava nos lugares mais sujos e insalubres, para levar víveres, roupas e conforto espiritual.
Consolava os pobres com palavras sua­ves e afetuosas. Quando lhe era possível velar junto dos pobres falecidos, envolvia-os, com suas próprias mãos, em lençóis de seu próprio leito e assistia-lhes ao enterro, com tanto recolhimento e humildade, co­mo se o morto fosse um parente seu.
Para Santa Isabel era doce, suave, o ato, de humilhação, e ela se sujeitava, beijando os pés dos pobres na ocasião do Lava-pés, durante a Semana Santa.
A noite toda de quinta para sexta-feira santa, passava em claro, inteiramente ab­sorta em oração e na contemplação dos tormentos sofridos por Nosso Senhor.
"O dia da humilhação é para todos", di­zia ela para as criadas. E sem mudar o tra­je da véspera, descalça e desconhecida, metia-se entre a multidão, levando as ofer­tas como os pobres as ofereciam para os altares: pequenos embrulhos contendo li­nho, incenso e círios. Acompanhava sem­pre a procissão, vestida de grosseiro burel, pois ela se con-siderava a última serva do Senhor crucificado.
Aconteceu, um dia, que durante o Canon da Missa, estando Isabel a orar com fervor, e tendo o véu levantado a fim de con­templar melhor a Hóstia Sagrada, o cele­brante viu-a cercada de resplendor celeste, e tão forte era o seu brilho, que o sacerdo­te julgou estar vendo os raios do sol.
Cheio de surpresa, glorificou ao Senhor por lhe haver dado presenciar, por meio daquela luz visível e maravilhosa, o brilho interior daquela alma santa. Em outras ocasiões, viu-se desprender da alma ardente de Isabel, mergulhada em meditação, uma luz sobrenatural.
Santa Isabel teve como seu guia e mestre Conrado de Marburgo, homem de vasta cultura, hábitos exemplares, e defensor entusiasta da fé católica.
Havia renunciado aos bens temporais, e àqueles que o seu nobre nascimento lhe conferia. Seu exterior era simples, modes­to e mesmo auste-ro, em seu hábito estrita­mente clerical. Este foi o homem santo, que tornou-se o confessor de Santa Isabel. Mas, já antes de ser guiada pelo mestre Conrado no caminho da perfeição, ela achara outro apoio: A Regra da Ordem Terceira de S. Francisco.

Continua no informativo – Ano IV -            ABRIL DE 2013  -  Nº  11


SANTOS FRANCISCANOS

MES DE MARÇO

1 — S. Francisco Fahelante, 3ª ordem, mártir do Japão 
2 — S. Inês de Praga, 2ª Ordem.
3 — B. Inocêncio de Berzo, 1ª Ordem
4 — B. Cristóvão de Milão,  1ª Ordem
5 — S. João José da Cruz, 1ª Ordem
6 — SS. Cosme e Máximo Takeya, 3ª Ordem - Mártires do Japão.
7 — S. Pedro Sukejiro, 3ª Ordem, mártir do Japão
8 — S. MiguelKosaki, 3ª Ordem, mártir do Japão
9 — S. Luís Ibaraki, 3ª Ordem, mártir do Japão
10 — B. Tomás Sen, 3ª Ordem, mártir da China
11 — B. João Baptista de Fabriano, 1ª Ordem 
12 — B. Simão Tchen, 3ª Ordem, mártir da China
13 — B. Agnelo de Pisa, 1ª Ordem
14 — B. Pedro U-Ngan-Pan, 3ª Ordem, mártir da China 
15 — B. Matias Fan-TE, 3ª Ordem, mártir da China
16 — B. Pedro Tciang, 3ª Ordem, mártir da China      
17 — B. Francisco Tciang,
18 — S. Salvador da Horta, 1ª Ordem
19 — S. José – Esposo da Virgem Maria – Solenidade
20 — B. Hipólito Galantini, 3ª Ordem
21 — B. João de Parma, 1ª Ordem
22 — S. Benvenuto de Osimo, 1ª Ordem
23 — B. Marcos   de   Montegallo, 1ª Ordem
24 — B. Diogo José de Cadiz, 1ª Ordem
25 — S. Tiago Jen, 3ª Ordem, mártir da China   
26 — B. Pedro Wang, 3ª Ordem, mártir da China 
27 — B. Tiago Tchao, 3ª Ordem, mártir da China
28 — B. Joana Maria Maillé, 3ª Ordem     
29 — B. João Tciang, 3ª Ordem, mártir da China
30 — S. Pedro Regalado, 3ª Ordem
31 — B.Patrício Tong, III O., mártir da China

domingo, 24 de fevereiro de 2013

ARAUTO DO GRANDE REI


BOLETIM INFORMATIVO DE FEVEREIRO DE 2013


O mundo em que os jovens vivem

O ano de 2013 é, de alguma forma, o Ano da Juventude.  O encontro dos jovens com o Papa no Rio de Janeiro, a Campanha da Fraternidade e o Ano da Fé constituem convites a que venhamos organizar uma sistemática pastoral dos jovens. Tarefa ingente, complexa e delicada.  Urgente pensar no assunto. A Igreja de amanhã, nesse mundo em transformação, precisa de um laicato maduro, de casais maduros, de políticos maduros, de gente nova por dentro. 
Vivemos um tempo de transformação.  Há a crise econômica e social. Há a crise eclesial.  Há a crise cultural. Morre um mundo e nasce outro.  Morre um modo de viver a fé. O que é ser cristão nesse mundo novo vago que se delineia a duras penas. Ora, os jovens são aqueles que poderão ser protagonistas desse novo nascimento. Poucas de nossas comunidades, no entanto, conseguem organizar e alimentar uma pastoral juvenil.  Em que mundo vivemos nós e os jovens?

1. Vivemos o tempo do imediato, do que precisa ser feito aqui e agora, sem delongas, sem demora. O que desejo, quero para já. Nem sempre esse desejo do imediato é acompanhado pela reflexão.  Não sabemos colocar o pé no freio. Compramos o que temos vontade de comprar e pagamos a crédito, com cartão de crédito, com pagamentos a perder de vista.  Mas queremos agora.  Essa característica da busca do imediato lembra os caprichos de uma criança que pensa que tudo se lhe deve e que esperneia enquanto não consegue o que quer na rua, no metrô, na igreja e na sala de espera do consultório médico.  As pessoas querem tudo rapidamente e não se dão o tempo de pensar, de escolher, de decidir com um mínimo de discernimento.  O tempo da juventude não seria o tempo de escolhas importantes que marcam a vida de uma pessoa para sempre? Será possível melhorar nossas escolhas?
2. A realidade é como um líquido que escorre por entre os dedos.  Nada passa a impressão de ser sólido. Os relacionamentos são fugazes: casamento, amigos, convicções. Como uma pessoa jovem se situa nesse mundo líquido de que fala Zygmund  Bauman? Onde o jovem encontrará uma âncora vital que o ajude a navegar no vaivém das oscilações da vida?  O mundo nunca foi estático. Mas hoje é “louco”.  É possível encontrar um sentido último para a vida e que oriente as decisões e ajude a construir projetos existenciais que valham a pena?
3. Vivemos num mundo descosturado. As coisas não estão interligadas.  Cada fragmento tem sua lógica, obedece a seus princípios, contém seus “valores”, uns separados dos outros.  Jovens vivem essa descostura na carne.  Muitos deles trabalham para ajudar na renda familiar, fazem estudos à noite, ou ensino fundamental, ou faculdade. Não têm tempo de aprofundar seus estudos e nem de conhecer-se a si mesmos. Derramam-se nas coisas e nos finais de semana precisam de uma válvula de escape: namoricos, por vezes para distração, bebida e certas fugas no mundo das drogas. Precipitados envolvimentos amorosos podem redundar numa gravidez. Como esses jovens tão ocupados poderão participar de grupos de jovens, de espaços de iniciação cristã e de reorganização de seu universo?  Como viver com eles?  Como eles poderão sentir a beleza da fé vivida por outros?
4. Há jovens de todos os tipos e horizontes.  Vemos uma certa juventude que cresce em ambientes familiares de compreensão, de harmonia. Crianças que encontram regularmente os pais, que sentem a firmeza do relacionamento dos mesmos, que vivem segurança na vida, apoiadas no sólido amor dos pais.   De outro lado vemos jovens que vivem em ambientes de profunda hostilidade familiar.  São filhos de mães solteiras, criados pelos avós.  Jovens que têm que conviver com “meio-irmãos”, filhos do novo companheiro da mãe. A mãe e seu novo companheiro não vão viver o tempo todo juntos. É coisa apenas por um tempo. O que realmente se passa na cabeça desses jovens? Onde estão?  Como fazer pastoral com eles?  Quando tentar atingi-los com o Evangelho?
5. Nossos jovens crescem num ambiente marcadamente consumista.  O mundo é consumista. A vida é consumista. Os meios de comunicação falam de consumo, convidam ao consumo.  Consumo de bens, consumo de coisas modernas, de viagens, de pessoas.  Como fazer com que ressoe nesta sociedade de consumo o espírito de desprendimento do Sermão das Bem-aventuranças?
6. Vivemos a cultura do êxito. É preciso vencer na vida. Há a competição.  Competição que estressa. Competição que aponta para uma certa eliminação do outro. Há famílias que treinam os filhos para estudar, vencer na vida e assim poderem desfrutar de folgada situação financeira em suas vidas. Êxito e sucesso também nos relacionamentos amorosos: corpos sarados, bem cuidados, cuidados demais. Meninas magras e rapazes “bonitos”.  Culto das aparências: beleza do corpo, viagens, carros e facilidades.
7. “Construímo-nos como pessoas em relação com os outros. O jovem de hoje, como nunca antes, vive possibilidades de comunicação e de relacionamentos quase ilimitadas. Que jovem não se serve das redes sociais com centenas de amigos nesses fóruns? Os jovens de hoje conhecem melhor o mundo do que aqueles de gerações anteriores. Também se deslocam e se locomovem muito mais. Com tudo isso, a solidão parece ser uma ameaça real para não poucos jovens. Nem sempre conseguem viver uma amizade em profundidade. Vínculos que pareciam muito estáveis se desfazem com relativa facilidade. Há jovens que chegam aos trinta anos numa dificuldade de encontrar seu par com quem construir sua vida. Pode o evangelho ajudar a viver vinculações mais sólidas, mais estáveis, de pessoas mais comprometidas umas com as outras?”

FreiAlmir Ribeiro Guimarães

                                                                                                             
 LITURGIA COM O POVO

Ao falarmos em Liturgia na celebração, nos vem logo o pensamento de que se trata das leituras feitas durante a santa missa. Mas não é só isso. Primeiramente para se entender a liturgia é bom que saibamos o que quer dizer a palavra liturgia. Liturgia vem do grego clássico leitourgia (leitourgia) que significa originalmente “serviço do povo em favor do povo”. Na tradição crista ela quer dizer que o povo de Deus toma parte na obra de Deus. A liturgia é o cume e a fonte da vida da Igreja, isso nos afirma a constituição Sacrosanctum Concilium, no seu artigo de numero 10 (dez). Por meio dela, em especial da Palavra proclamada e da Eucaristia, acontece uma união entre a Igreja terrena e a Igreja celestial. Nisto o presidente da celebração deve fazer o possível para que toda a assembléia participe de maneira que a ação litúrgica aconteça por meio de todos e para todos, com um único foco de atenção e de objetivo que é Jesus Cristo. Tudo isto nos é mostrado na citada constituição e também nos documentos da Igreja. Porem nos dias de hoje podemos nos perguntar se tudo isso realmente acontece. Será que ao celebrarmos uma liturgia estamos realmente direcionando única e exclusivamente nossa atenção à Jesus ou nos preocupamos mais com as vestes litúrgicas impecáveis? Ou então a ornamentação do presbitério, que não deixa de ser importante, ou pior ainda, os erros que ocorrem nos ritos? Não estamos aqui nos colocando contra toda a doutrina da Igreja  que em sua grande sabedoria nos ensina com relação a esta questão, pelo contrario, vemos que é preciso que toda a assembléia, em comunhão com a Igreja, sinta a presença e o amor de Cristo arder em seu peito por meio da ação litúrgica. As regras são importantes, mas muitas vezes o contexto em que se encontra muitas  igrejas ( áreas rurais, de conflitos,de extrema pobreza, etc.), não permite que  todas essas regras sejam colocadas em pratica. O povo deve dar a Deus o que pode e o que é essencial para ele. E muitas vezes é preciso “improvisar” para que o cristão não fique sem a celebração onde ocorre a comunhão com  o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Talvez quando São Paulo escreve que a lei mata, mas o Espírito vivifica ( 2corintios 3,6) ele esteja falando disso, uma vez que no Antigo Testamento a lei era o temor,  na nova  lei é o amor, este que deve, por meio de uma liturgia bem celebrada com o povo, penetrar nos corações e assim transformar , por esta ação, a vida de tantas pessoas que dele precisam. Portanto não devemos nos esquecer que antes de tudo vem Jesus Cristo.

Romário Avelino, Postulante da Ordem dos Frades Menores Conventuais/
Estudante de filosofia no Instituto de Estudos Superiores do Maranhão(IESMA)



Treinamento da fé
I Domingo da Quaresma

Mais uma vez o primeiro domingo da Quaresma, domingo da tentação de Jesus no deserto.   Foi tentado pelo demônio e saiu-se vitorioso de todas as invectivas do pai da mentira.  Estamos, efetivamente, vivendo os dias favoráveis e oportunos da Quaresma.
● “A Quaresma  é uma subida  à Páscoa, como os israelitas subiam a Jerusalém para apresentar suas ofertas  e como Jesus  subiu para oferecer sua vida.  Nossa subida à Páscoa  está sob o signo da  provação e a comprovação de  nossa fé.  Encaminhamo-nos para uma grande renovação de nossa opção de fé. Se, nos primeiros tempos da Igreja, a Quaresma era a preparação para o batismo e a profissão de fé, para nós  é caminhada de aprofundamento e renovação de nossa fé.  Pois uma fé que não passa por nenhuma prova  e não vence nenhuma tentação pode se tornar acomodada, morta.  Ora, a renovação de nossa opção de fé não acontece na base de algum  exercício piedoso  ou cursinho teórico. É uma luta, como foi a tentação  de Jesus no deserto, ao longo de quarenta dias. A fé se confirma e se aprofunda em sucessivas decisões, como as de Jesus,  quando resistia com firmeza e perspicácia às tentações mais sutis: riqueza, poder, sucesso.
Precisamos de treinamento em nossa opção por Deus. Antigamente, esse treinamento consistia no jejum, na mortificação corporal. Mas em nossa situação de América Latina, empobrecida e desigual, o treinamento da opção da fé se realiza sobretudo na sempre renovada opção pelos pobres e excluídos, no adestramento para a solidariedade cristã.  A Campanha da Fraternidade nos treina para colocar nossa fé em prática. Adestra-nos para enfrentar os demônios de hoje, a tentação da idolatria da riqueza, da dominação, da discriminação, da competição.  Exercitamos nossa opção de fé, praticando-a na solidariedade fraterna para, com Jesus, chegar à doação da própria vida, na hora da grande prova.  Quem não se exercitar, talvez não saberá resistir” (Johan  Koning, Liturgia Dominical,  Vozes, p. 367).
● A Quaresma é um tempo de ascese.  “A ascese cristã nunca foi fim em si mesma; é apenas um meio, um método a serviço da vida e como tal procurará adaptar-se às novas necessidades. Outrora, a ascese dos Padres do deserto impunha jejuns e privações intensas e extenuantes; hoje a luta é outra. O homem não tem necessidade de sofrimento suplementar: cilício, cadeias de ferro, flagelações correriam o risco de extenuá-lo inutilmente. A mortificação de nossa época consistirá na libertação da necessidade de entorpecentes, pressa, ruídos, estimulantes, drogas, álcool sob todas as formas. A ascese consistirá acima de tudo no repouso imposto a si mesmo, na disciplina da tranquilidade, no silêncio onde o homem pode concentrar-se para a oração, mesmo em meio a todos os ruídos do mundo, no metrô, entre a multidão, nos cruzamentos de uma cidade. Consistirá principalmente na capacidade de compreender dos outros, dos amigos, em cada encontro. O jejum, ao contrário, da maceração imposta, será a renúncia alegre do supérfluo, a sua repartição com os pobres, um equilíbrio espontâneo, tranquilo” (Paul Evdokimow).

FreiAlmir Ribeiro Guimarães



  
No decorrer da historia, muitos estudiosos, filósofos, teólogos e grandes cientistas tentaram definir o que é e quem é Deus. Mas estes não conseguiram alcançar esta proeza, pois conforme afirmam algumas teorias, Deus é indefinível, infinito. Se já é difícil definir a Deus, como será então ver à Deus?
No evangelho de São João 1, 18, diz: “ninguém jamais viu à Deus”. Na liturgia das horas, na oração das vésperas da quarta-feira da primeira semana, o terceiro salmo no versículo 15 diz: “do Deus o invisível é a imagem” . podemos então fazer uma pequena análise do termo “invisível”no que se refere a questão da imagem de Deus. Conforme aprendemos, Deus é criador de tudo. O termo “invisível” foi criado pelo homem que foi criado por Deus. Logo o invisível é criatura de Deus. Mas o que é o invisível? Podemos dizer que o invisível é aquilo que não se pode ver. E o que é aquilo que não se pode ver? Podemos também dizer que é o nada. E o que é o nada? Vemos aqui como é difícil entender a divindade e o conhecimento de Deus.
Na obra SOLILOQUIOS, no capitulo VI, Santo Agostinho, através de um diálogo com sua própria razão, tenta explicar com que olhos a alma ve a Deus. Logo no começo, a razão faz uma promessa um pouco, a nossos ver, impossível de ser comprida. Ela promete mostrar Deus a ele como o sol se mostra a nossos olhos. Na primeira vista realmente parece difícil de ser cumprida. Mas em se tratando da razão veremos como isso se fará. Notamos aqui a impressionante capacidade de raciocínio que Santo Agostinho tinha, primeiro por conseguir dialogar com sua própria razão como se fosse aluno e professor. Segundo, pelos desafios de raciocínio que ele mesmo se impõe. É interessante que ele consegue se perguntar através da razão e responder a muitas das complicadas indagações feitas por ela com relação a esse assunto.
No decorrer da leitura do capitulo VI, ele diz que para a alma ver a Deus, é preciso ter olho, olhar e visão. Isso para muitos é tudo a mesma coisa. mas se formos pensar como Agostinho pensou, veremos que não é a mesma coisa. vejamos: o olho é a peça pela qual teremos o olhar, ou seja, o olho é a mente onde acontece muitas das coisas que mancham nossa alma e se a alma esta manchada, não se pode ver a Deus. Para ter o olhar, é preciso que o olho esteja sadio e são de toda mancha, por isso podemos dizer que o olhar é a conseqüência da saúde do olho que possibilitará a visão que é a contemplação daquilo que se deseja conhecer. Agostinho ainda cita mais três coisas para conseguir ver a Deus: fé, esperança e amor.
Para conseguir a viso de Deus a fé deve se juntar à esperança e ao amor. A fé, porque desperta em nós o desejo, mesmo sem ter tido a contemplação, de chegar a alcançar o esperado objetivo. A esperança podemos dizer que é a espera, a ansiedade que é movida pela fé e que nos faz querer ir em frente. Temos aqui dois pilares fortes onde a alma pode se apoiar para chegar a grande contemplação. Mas ela não conseguirá se não houver a junção destes com o amor. Inclusive, Agostinho diz que o mais importante destes três é o amor. Pois o amor, é que faz com que o desejo permaneça firmemente, e mesmo sem conhecer a Deus, o amor faz com que tenhamos a fé e a esperança de conhecê-lo, aumentando o amor que é eterno, por Deus. então para ver a Deus é preciso primeiro que a alma esteja sã, que olhe e veja, e segundo que tenha fé, esperança e amor.
Concluímos que quando Agostinho fala em ver a Deus, ele não fala no sentido de ver como nós vemos outra pessoa fisicamente com os olhos da carne. Ele fala no sentido de ver a Deus através do conhecimento do próprio Deus. Agostinho não contemplou Deus a olho nu, mas conheceu a Deus através de sua inteligência e isto é comprovado por meio de suas anotações, nas quais grandes estudiosos e Santos da Igreja se basearam e se baseiam para tentar também conhecer a Deus que é começo e fim de tudo. E isso faz de Santo Agostinho um dos grandes Santos e doutor da Igreja.
Notamos também uma pequena relação existente no capitulo VI e o capitulo XIV onde Agostinho diz que a sabedoria purifica as vistas, e com isso notamos o que afirmamos anteriormente sobre o conhecimento. Pois o conhecimento tira a venda dos nossos olhos e assim descobrimos novo horizonte e novos mundos. Por isso quem tem sabedoria compreende a Deus e vê a Deus.

Romário, postulante, OFMConv

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

FOLDER DISTRIBUÍDO NA MISSA DAS 16:15 HORAS DO DIA 02 DE FEVEREIRO DE 2013 NA IGREJA DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS


INFORMATIVO

Ano IV  -  FEVEREIRO DE 2013 -  Nº  09

ESPIRITUALIDADE  FRANCISCANA

SANTA  ISABEL  DE  HUNGRIA

A CRIANÇA

Isabel, filha do rei André II da  Hungria e da rainha-consorte Gertrudes, irmã de Santa Hedwiges, nasceu no ano de 1207 em Pressburgo, capital da Hungria.
Batizada com o nome de Isabel (pala­vra hebraica significando Deus é pleni­tude repleta ou saturada de Deus tor­nou-se, na verdade, templo do Espírito Santo. E este pôs, em sua alma, qual se­mente, a graça divina.
O amor de Deus e do próximo, virtudes que primaram em toda a vida de Santa Isabel, davam já indícios de sua existência  quando ela apenas começava a falar. Como, na idade de cinco anos, mais ou menos, não soubesse ainda ler o saltério, segurava o livro nas mãos e punha-se em atitude de rezar. E o que lhe faltava quan­to aos anos e hábitos, supria-lhe a graça do Espírito Santo, que a ensinava a amar a Deus e lhe governava todas as obras e intenções.
Era mansa e branda de coração.
No intuito de ver se obtinha alguma coisa para os pobres, ia à cozinha, rece­bendo zangas e queixas dos cozinheiros.
Um dia, quando deixava a cozinha com o avental cheio de restos da mesa, para distribuí-los entre os pobres, veio-lhe ao encontro o pai e perguntou:
—  "Minha filha, que levas aí no avental"?
Movida pelo Espírito Santo, respondeu Isabel:
—  "Rosas, meu pai".
—  "Então, abre o avental" insistiu o rei, "e deixa-me ver as rosas".
A criança obedeceu, e, embora fosse tempo de inverno, apresentou ao pai as mais lindas rosas!
Diante desse milagre, o rei permitiu à filha dar esmolas aos pobres, quantas vezes quisesse; pois conheceu, que Deus se serviria de sua filha para fazer grandes maravilhas.
A menina tinha apenas quatro anos de idade, quando um acontecimento marcou sua vida (de santa) e também o seu destino.
Isabel foi pedida em casamento, para Luís, filho do Conde Hermann da Turíngia. E qual seria o motivo desse pe­dido tão insistente? Por que queria Herrnann da Turíngia trazer o mais breve possível  e sem demora, a pequenina princesa para seu filho Luís, tendo ela quatro anos de idade, apenas?!
Conta uma crônica antiga: certo ho­mem chamado Klingsohr, célebre por seus conhecimentos extraordinários, dedicava-se particularmente à astronomia e necromancia. Convidado pelo Conde Hermann para vir dar-lhe sua opinião e conselho numa questão de tão grande importân­cia, Klingsohr fixou, uns minutos, o céu estrelado e disse, então: Povo da cidade de Eisenach, tenho uma alegre nova, pois vejo uma belíssima estrela que se ergue na Hungria; e, de lá, sua luz se irradia por sobre o mundo inteiro. Esta noite, nas­ceu a meu Senhor, rei da Hungria, uma filha que terá o nome de Isabel e será esposa do filho do vosso soberano. Sua vida santa e louvável, agradará e servirá de consolo a toda a Cristandade, e especialmente a este país".
Eis aí a razão porque o Conde Hermann, desejando ardentemente ter, antes de morrer, a certeza do futuro enlace da princesa com seu filho Luís, solicitava com tanto ardor, e tão solenemente, a mão da pequenina Isabel.
      Para esse dia tão singular, o dia do pedido Isabel trajou um vestido de seda, bordado a ouro e prata, mas não tinha idade para avaliar e apreciar esse luxo mundano. Veremos na vida de Isabel, que ela conservou pura e sem mancha, até a morte, a simplicidade infantil, tão do agrado de Deus.
E assim, a menina assaz pequenina, e inocente, sem saber, na verdade, o que significava a sua partida, deixava pai e mãe, e a terra natal, para sempre!
Em tempos antigos, os pais, exclusiva­mente eles, decidiam da vida dos filhos, pois com certeza, só queriam vê-los felizes, escolhendo para eles o melhor que a ex­periência e a vida lhes havia ensinado.
Foi por esse motivo, que a união entre Isabel e o Conde Luís, se tornou tão cris­tão, tão boa e bela!
Três anos depois que Isabel chegaria a Turíngia, sua mãe, a rainha Gertrudes, foi barbaramente assassinada. E, foi nessa hora tão amarga de sua vida, que a jovem encontrou, estímulo e consolo, na pessoa de sua tia, Santa Edwiges, que lhe apontava a senda estreita que conduz ao céu. Mas que, ao mesmo tempo, lhe ser­viu de estímulo, pois a vida edificante de Santa Edwiges foi-lhe contínua advertên­cia e prova que também as princesas po­dem e devem chegar à santidade.
Isabel crescia em idade e vigor, e, de­baixo do carinho e cuidados do Conde Hermann, seu futuro sogro, progredia também nas virtudes e graças.
Tinha sempre Deus no seu coração e vivia cheia de amor em Sua presença, di­rigindo para Ele todas os sentimentos, pensamentos, ideias, todas as palavras e obras.
Nós cristãos cremos na comunhão dos santos. Assim também, a jovem Isabel, além da Mãe de Deus, escolhera um Santo, pelo qual, por causa de sua virgindade e ardente amor, tinha extraordinária devo­ção: São João Evangelista.
Isabel prometeu-lhe dar de boa mente quanto lhe pedissem em seu nome. Essa promessa, ela cumpriu-a por toda a vida. Jamais recusou um pedido feito a ela em nome de São João!
Isabel contava apenas nove anos, quan­do morreu o Conde Hermann, que sem­pre lhe devotara grande amor e zelo.
O piedoso capuchinho Martinho de Cochem escreve em sua lenda: — Depois da morte do piedoso Conde, todos se levanta­ram contra o anjinho inocente, que era co­mo uma tímida ovelha no meio de car­neiros, mordida, escarnecida e desprezada. À proporção que nela se desenvolviam a devoção e a humildade, aumentavam tam­bém contra ela o escárnio e a perseguição, e não havia a quem, fora de Deus, pudesse confiar a sua dor. Assim o Senhor começou bem cedo a experimentar-lhe a paciência.
"O minha Santa Isabel, pela tua ju­ventude virtuosa, extingue a minha malícia e, pela resignação heróica com que aceitaste tudo da mão de Deus, consegue-me o perdão das minhas culpas e impaciências".

Continua no informativo – Ano IV -            MARÇO DE 2013  -  Nº  10

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SANTOS FRANCISCANOS

MES DE FEVEREIRO

1 — B. André dei  Conti,  1ª Ordem.
2 — B. Verdiana de Castelfiorentino,  3ª Ordem
3 — S. Joana de Valois, 3ª Ordem Regular, 
        Fundadora das Irmãs da SS. Anunciada.
4 — S. José de Leonessa, 1ª Ordem.
5 — S. Tomás de Ize, 3ª Ordem, mártir do Japão.
6 — S. Pedro Baptista Blasquez, 1ª Ordem, mártir do Japão.
7 — S. Coleta de Corbia, 2ª Ordem.
8 — B. João de Triora, 1ª Ordem,  mártir.
9 — B. Antônio de Stroncone, 1ª Ordem.
10 —B. Egídio Maria de S. José, 1ª Ordem.
11— B. Clara de Rimini,  2ª Ordem.
12 —B. Rizzerio   de   Muccia,  1ª Ordem.
13 — S.Francisco de Meaco, 3ª Ordem, mártir do Japão.
14 — S.Tomás de Nagasaki, 3ª Ordem, mártir do Japão.
15 — Trasladação do Corpo de S.Antônio de Lisboa
16 — B. Filipa Mareri, 2ª Ordem.
17 — B. Lucas Belludi,  1ª Ordem.
18 — S. Joaquim Sakakibara, 3ª Ordem, mártir do Japão.
19 — S. Conrado de Placenza, 3ª Ordem.
20 — B. Pedro de Treia,  1ª Ordem.
21 — S. Leão   Karasuma, 3ª Ordem, mártir do Japão.
22 — S. Boaventura de Meaco, 3ª Ordem, mártir do Japão.
23 — B. Isabel de França, 2ª Ordem.
24 — S. Matias de Meaco, 3ª Ordem, mártir do Japão.
25 — B. Sebastião de Aparício, 1ª Ordem.
26 — S. Antônio de Nagasaki, 3ª Ordem, mártir do Japão.
27 — S. Paulo Suzuki, 3ª Ordem, mártir do Japão
28 — B. Antonia de Florença, 2ª Ordem.